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:: Segunda-feira, 01 de Setembro de 2014 ::
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    Os Povos Asiáticos

    A população do imenso continente asiático corresponde a mais da metade do gênero humano. Nela estão representados os principais troncos étnicos, que se distribuem pelo espaço continental de modo muito complexo. Do ponto de vista antropológico, existem na Ásia três grandes áreas claramente diferenciadas. De um lado encontra-se o sudoeste asiático, ocupado principalmente por povos turcos, irânicos ou iranianos e semitas. De outro se coloca o resto do continente, no qual a cordilheira do Himalaia estabelece uma fronteira aproximada entre duas grandes áreas antropológicas: no sul e no oeste, o mosaico étnico da Índia e os países indianizados; no norte e no leste, as diversas variantes do tronco racial mongolóide.

    O interior da Ásia foi o núcleo primitivo de povos que, no decorrer dos séculos, invadiram sucessivamente as terras do leste, do sul e do oeste do continente. Refugiados em lugares montanhosos ou selváticos, encontram-se remanescentes de povos muito antigos, sobreviventes em meio às grandes massas humanas caucasóides (raças brancas) ou mongolóides (raças amarelas). Os negróides da Índia, do Sri Lanka (Ceilão), de Formosa (Taiwan) e da Insulíndia (ilhas a oeste da Nova Guiné, ao norte da Austrália e ao sul do mar da China Meridional), assim como a ínfima minoria branca do Japão, os ainos, entre a maioria de raça amarela, atestam que as etnias mais numerosas e representativas da Ásia ocupam suas atuais regiões físicas em conseqüência de migrações relativamente recentes, em muitos casos posteriores à pré-história.

    Os chineses chegaram a seu atual território invadindo-o a partir da Ásia central. Através da Coréia, os povos mongolóides ocuparam o arquipélago japonês. Os povos arianos da Índia procedem das terras situadas no noroeste do subcontinente. Birmaneses e siameses se deslocaram dos territórios meridionais do Tibet e da China para o sul e o sudoeste. Turcos e mongóis chegaram há apenas alguns séculos, em invasões procedentes da Ásia central, aos lugares onde estão fixados atualmente. Povos mongolóides originários do continente se estabeleceram nas grandes ilhas da Insulíndia em épocas não muito remotas, onde se misturaram pouco a pouco com as etnias primitivas. Todos os fluxos de população mencionados fazem parte de um movimento centrífugo - do interior da Ásia para as áreas costeiras e as ilhas - que se manifestou durante muitos milênios no continente, embora tenham existido migrações de menor importância em sentido contrário.

    Sudoeste da Ásia - A região situada entre a costa do Mediterrâneo e o mar Vermelho, a oeste, o rio Indo, a leste, o oceano Índico, ao sul, e as estepes da Ásia central, ao norte, é considerada o berço da civilização, já que em suas férteis terras irrigadas foram praticadas pela primeira vez a agricultura e a domesticação de animais.

    Duas sub-regiões étnicas encontram-se claramente diferenciadas. No norte, a sucessão de planaltos e cordilheiras que constituem a península da Anatólia, as terras próximas ao Cáucaso, o Irã e o Afeganistão é habitada fundamentalmente por povos de estirpe indo-européia; povos irânicos vivem no planalto iraniano e no Afeganistão, enquanto na Anatólia o elemento turco - de cujas características raciais se falará adiante -, se superpõe a uma base étnica mediterrânea. Na península arábica, ao contrário, a etnia predominante é a semita, com grande maioria árabe e o pequeno enclave hebreu de Israel.

    Os povos turcos são recentes na região. Vieram da estepe fria da Ásia central no começo do segundo milênio da era cristã, empurrados pelas invasões mongóis. Mais tarde, misturados às etnias mediterrâneas e armênicas que já povoavam a Anatólia, chegaram a constituir a base étnica fundamental dessa península.

    Povos do Cáucaso - O Cáucaso é uma região etnicamente muito complexa, na qual, ao lado de povos irânicos - como os curdos, que se estendem por zonas da Turquia, Irã, Iraque e Síria -, coexistem turcos e tártaros, de implantação posterior. Os povos caucasianos mais antigos apresentam numerosas diferenças lingüísticas e culturais.

    Desde épocas muito remotas, o povo armênio, indo-europeu, habitava as zonas próximas ao monte Ararat. Muito reduzida em sua região de origem, os armênios habitam hoje, além da Armênia, países como a Geórgia, onde seus membros vivem como imigrantes.

    Hindustão - A complexidade étnica do subcontinente indiano é proverbial. O sul da Índia é ocupado por povos dravídicos, de pele escura mas com traços faciais muito semelhantes aos dos europeus. O norte, ao contrário, é povoado por arianos indo-europeus, de tez progressivamente mais clara no norte e no noroeste, onde se observa o elemento irânico. Deve-se ainda levar em conta a influência tibetana, que se faz sentir nas proximidades do Himalaia, e a presença de relíquias de etnias primitivas, hoje quase diluídas nas anteriores. Entre essas etnias estão os vedas das montanhas do Sri Lanka e os grupos mundas das montanhas e selvas do continente.

    Acredita-se que as planícies do Indo e do Ganges tenham sido habitadas primitivamente por povos mundas, enquanto os drávidas ocupavam toda a península hindustânica. Povos dravídicos devem ter sido os criadores das grandes civilizações do Indo, contemporâneas das mesopotâmicas. Em meados do segundo milênio antes da era cristã ocorreram as arrasadoras invasões arianas, que eliminaram quase por completo os mundas, confinando-os às zonas mais inacessíveis, e pressionaram os povos dravídicos para o sul, embora em muitos pontos se tenha produzido uma fusão. No Sri Lanka, os arianos obrigaram os vedas a se refugiarem nas montanhas. Muito mais tarde, uma minoria dravídica se instalou naquele país insular.

    Norte e leste do Himalaia - O tronco racial mongolóide se caracteriza por traços físicos muito particulares: a pele é amarelada, embora de tom muito variável; o cabelo é grosso, liso e negro e a pilosidade facial e corporal, muito escassa. As extremidades costumam ser relativamente curtas em comparação com o tronco. No rosto destacam-se os pômulos salientes, o nariz achatado e os olhos, aos quais a presença da característica dobra mongólica (epicanto) dá a aparência de oblíquos.

    Os povos de raça mongolóide ocupam majoritariamente a Ásia, no norte e no leste do Himalaia. Do norte para o sul, distinguem-se no continente asiático três sub-raças principais: mongolóides do norte, do centro e do sul. Em geral, na sub-raça do norte a tez costuma ser mais clara e a estatura e corpulência, superiores.

    Insulíndia - Os povos mongolóides do sul se estendem pelo sul do Tibet e da China, Indochina, Insulíndia e Filipinas. Nas grandes ilhas, os povos mongolóides se superpuseram aos habitantes primitivos, protomalaios, de tez escura e cabelo crespo; com o tempo, confundiram-se as características físicas de uns e de outros, o que resultou no tipo racial malaio, de rosto achatado, lábios grossos e cabelo liso, além do característico tom azeitonado da pele. Nas ilhas mais afastadas do continente e menos povoadas ainda existem povos protomalaios: dayak de Bornéu, igorot das Filipinas, batak de Sumatra etc.

    Indochina - A população que ocupa as planícies do Vietnam é de características raciais mongolóides e de civilização chinesa. Nas montanhas, ao contrário, vivem povos mongóis no norte e proto-indochineses, de cor acobreada, no sul. O Camboja é habitado por povos khmer, muito indianizados.

    No começo da era cristã, as fronteiras meridionais dos povos mongolóides só chegavam até as planícies do norte do Vietnam. Os birmaneses e tailandeses desceram do Tibet e do Yunnan, no sul da China, até ocuparem seus atuais territórios, respectivamente Myanmar (Birmânia) e Tailândia, depois do século XI.

    Povos mongolóides do centro: China, Japão, Coréia. O Extremo Oriente caracteriza-se pela grande homogeneidade étnica. A população é de raça mongolóide, com as pequenas exceções do enclave japonês dos ainos e de alguns povos de pele escura das montanhas de Formosa. Supõe-se que os ainos sejam descendentes dos primitivos povoadores caucasóides que ocuparam as ilhas japonesas numa migração pré-histórica e foram artífices da antiqüíssima cultura Jomon. Invasões mongolóides procedentes da Coréia teriam completado a atual configuração étnica japonesa, poucos séculos antes da era cristã.

    A influência da cultura chinesa foi predominante nessa região. Além disso, por sua posição geográfica, a China serviu de ponte entre o Japão e a Coréia e o resto do continente, transmitindo-lhes, entre outros elementos de cultura, o budismo. No plano lingüístico, porém, o japonês e o coreano constituem um bloco claramente diferenciado.

    Ásia central - A extensa região de estepes e desertos que se estende pelo coração do continente, do mar Cáspio até a Manchúria, é habitada por duas etnias principais: no oeste, o Turcomenistão russo e chinês é território de diversos povos turcos, quirguizes, usbeques, turcomanos, tártaros e outros. A etnia turco-tártara, ou turaniana, caracteriza-se pelo rosto largo e os pômulos salientes, pelo que foi freqüentemente incluída entre as etnias mongolóides. Contudo, os turcos carecem de dobra epicântica nos olhos e têm mais pêlos faciais e corporais do que os mongolóides. Essas características justificaram a tese que afirmava ser a turaniana uma etnia de contato entre os grandes troncos raciais mongolóide e caucasóide.

    A parte oriental da Ásia central, a Mongólia e, ao sul, o planalto do Tibet são habitados por povos mongolóides. Os do planalto tibetano têm pele mais escura que a dos chineses e em muitos casos seus olhos carecem de epicanto. Com freqüência apresentam traços pré-mongolóides, sem dúvida herdados de etnias menos diferenciadas que a mongolóide propriamente dita, dentro da qual se subsumiram.

    Ao longo dos séculos, turcos e mongóis foram povos pastores nômades que, graças à domesticação do cavalo, tinham grande facilidade de deslocar-se em massa por milhares de quilômetros, através das estepes. Em repetidas ocasiões, esses povos invadiram o império chinês pelo sul e pelo leste, os impérios persa e bizantino pelo oeste e também o norte da Índia.

    Povos da Sibéria - As condições rigorosas do clima siberiano tornam pouco apropriados à fixação humana os territórios do norte da Ásia. Mesmo assim, a Sibéria tem sido povoada, ainda que escassamente, desde o fim da última glaciação.

    A maior parte da população siberiana, concentrada nas cidades e nas redondezas das vias de comunicação, é russa, chegada da Europa nos últimos 150 anos. No entanto, são muitos os povos nativos que ainda persistem. Os mais numerosos são os samoiedos, que ocupam o noroeste da Sibéria; os tungues, povos que provavelmente tiveram origem nas margens do lago Baikal, e os iacutos, do grupo turco, chegados da Ásia central em épocas relativamente recentes. No extremo leste da Sibéria vivem os povos mais antigos da região, os paleossiberianos, de caracteres étnicos mongolóides pouco diferenciados, junto com os esquimós do mar de Bering.

    Os povos manchus, aparentados com os tungues, são hoje uma minoria em seu país, a Manchúria, majoritariamente habitada por imigrantes chineses.

     

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