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    O Desenho Animado

    Dos antigos Popeye e Betty Boop, em preto e branco, aos festivais Tom e Jerry e aos modernos personagens intergalácticos, a história do desenho animado é um permanente sucesso de público.

    Chama-se desenho animado uma técnica cinematográfica que consiste na filmagem, quadro a quadro, de cenas desenhadas ou pintadas em folhas de plástico transparente. As folhas vão sendo superpostas, de forma que as cenas estacionárias permanecem as mesmas, enquanto as que darão a ilusão de movimento vão sendo modificadas à medida que são fotografadas. O registro das falas, ruídos e música é feito posteriormente na trilha sonora. Uma vez pronta, a película é projetada na velocidade normal de 24 quadros por segundo.

    Antecedentes. Na segunda metade do século XIX inventaram-se vários equipamentos ópticos que buscavam produzir no observador a sensação visual de movimento a partir da projeção sucessiva de imagens, silhuetas, sombras de marionetes ou figuras articuladas. Cabe citar o zootrópio do inglês W. A. Horner, o fenacistoscópio do belga Joseph Plateau e, em especial, o praxinoscópio do francês Émile Reynaud. Este último originou o teatro óptico, de 1888, que usava uma fonte luminosa para projetar uma série de até 700 desenhos dispostos sobre um disco giratório. O praxinoscópio constitui o fundamento a partir do qual se desenvolveu a técnica do desenho animado como é conhecido atualmente.

    Técnica do desenho animado. Desde as primeiras tentativas de animação paralelas à invenção e ao desenvolvimento do cinema, a técnica do desenho animado evoluiu sempre. O primeiro grande avanço foi a técnica denominada volta da manivela, que consiste em fotografar imagem a imagem, idealizada em 1907, nos estúdios da Vitagraph, em Nova York, por James Stuart Blackton. Esse recurso foi utilizado pela primeira vez pelo inglês John Bray em 1914. Com o tempo, a técnica foi aperfeiçoada e permitiu aumentar o número de plásticos sobrepostos, o que possibilitou intensificar o efeito de perspectiva e a ampliação do campo em que se situa a ação.

    O desenvolvimento dos desenhos animados americanos teve como base as histórias em quadrinhos, publicadas pela imprensa diária de grande tiragem. Uma das primeiras séries a ter êxito nessa linha foi o Mutt e Jeff, de Bud Fischer. A partir de 1920, os irmãos Max e Dave Fleischer iniciaram outra linha, que combinava fotografia e desenho, com sua série Out of the Inkwell. Todos os filmes dessa série tiveram o mesmo argumento: o palhaço Koko escapa do tinteiro e faz mil diabruras com seu criador e com outros personagens, até que recebe o castigo de voltar para o tinteiro.

    A consagração definitiva do desenho animado como gênero cinematográfico veio com a introdução da cor e do som, elementos de fundamental importância que, a partir de 1930, permitiram o desenvolvimento de novas técnicas, cada vez mais refinadas. Data de 1935 Novii Gulliver (O novo Gulliver), do russo Alexander Ptushko, primeiro longa-metragem a combinar personagens reais e desenhos animados.

    Na década de 1940 experimentaram-se imagens estereoscópicas, nas quais, mediante a criação de efeitos de perspectiva, se obtinha uma visualização tridimensional. A partir do final da década de 1970 iniciaram-se experiências de animação em vídeo gerenciado por computador.

    Grandes nomes e estilos do cinema de animação. Antes da consagração do desenho animado, na década de 1930, foram muitos os criadores que concentraram esforços no aperfeiçoamento das diferentes técnicas. Ao lado dos já citados Reynaud e Blackton, incluem-se entre os grandes pioneiros da animação o francês Émile Cohl, autor de aproximadamente 300 filmes do gênero, grande parte produzida nos Estados Unidos.

    Os primeiros personagens de desenho animado a ganhar popularidade foram o dinossauro Gertie, de Winsor Mckay, e o Gato Félix, criado pelo australiano Pat Sullivan e animado pelo americano Otto Mesmer. A grande renovação estilística e técnica do desenho animado coube a Walt Disney, sem dúvida o principal expoente do gênero. A partir de 1923 ele começou a dar vida a seus personagens, que alcançaram extraordinária popularidade: o inteligente camundongo Mickey e seu cachorro Pluto, o irascível Pato Donald, Pateta, Branca de Neve, os Três Porquinhos, Dumbo, Bambi, a Gata Borralheira, Peter Pan e tantos outros, que construíram um universo otimista e cheio de vida, em que se refletiam os desejos e as ilusões das crianças e de adultos.

    O colorido brilhante e a trilha musical, campos em que Disney criou um estilo personalíssimo, são dois dos principais elementos de uma produção poética, cômica e estimulante que alcançou seu apogeu nos anos anteriores à segunda guerra mundial, e se manteve como absoluto sucesso de público até depois da morte de seu criador. Disney rodeou-se de milhares de desenhistas, roteiristas, humoristas e técnicos para desenvolver os estúdios que têm seu nome, um verdadeiro império cinematográfico no qual a originalidade dos primeiros tempos foi ficando sujeita a interesses cada vez mais comerciais.

    A partir da década de 1940 a enorme aceitação dos desenhos animados por parte do público levou os grandes estúdios de Hollywood à produção em massa. Dessa forma nasceram Betty Boop e Popeye, personagens criados por Max e Dave Fleischer, da Paramount; Tom e Jerry, produtos da fantasia de William Hanna e Joseph Barbera, da Metro-Goldwin-Mayer; o Pica-Pau, de Walter Lantz, desenhista da Universal; Pernalonga, de Tex Avery; e Papa-léguas e Coiote, de Fritz Freeleng, ambos da Warner Brothers. Os personagens desse grupo de criadores se afastaram da candura dos de Disney e trouxeram elementos como a intenção satírica ou os comportamentos extravagantes, que constituíram uma novidade frente à tradição lírica e naturalista e se ligaram, de certo modo, às concepções surrealistas.

    Outro grupo de desenhistas com idéias originais foi o da UPA (United Productions of America), dirigido por Stephen Bosustow, cuja equipe, que havia trabalhado anteriormente com Disney, procurou renovar o estilo a partir de concepções como o esquematismo, a simplicidade de formas e o traço rápido, quase improvisado, tanto do desenho quanto de argumentos e personagens grotescos. Destaca-se nesse grupo a série Mr. Magoo, criada por Peter Burness, sobre as peripécias de um velhinho extremamente míope, que se envolve em aventuras, inconsciente dos perigos com que depara a cada passo.

    Embora os Estados Unidos tenham sido o primeiro país em que os desenhos animados alcançaram a categoria de gênero cinematográfico, outras escolas também influenciaram o desenvolvimento dessa arte e introduziram novas técnicas e idéias. É o caso dos desenhistas ingleses que criaram, ao longo da década de 1960, um estilo de animação próximo do psicodelismo, com profusão de colorido e música. Entre os representantes dessa escola destaca-se, na Inglaterra, o canadense George Dunning, que realizou o longa-metragem Yellow Submarine (1969; O submarino amarelo), com música e imagens animadas dos Beatles. No Canadá, graças ao patrocínio do Instituto Nacional de Cinema, o escocês Norman McLaren reuniu um competente grupo de realizadores de filmes animados. Esses cineastas, sediados principalmente em Montreal, aplicaram técnicas de animação não só a desenhos, mas também a personagens reais filmados, e pintaram imagens diretamente sobre a película cinematográfica.

    Outra escola importante no campo da animação é a tcheca, da qual derivaram a iugoslava e a polonesa. A partir de 1950, os desenhos animados conheceram na Tchecoslováquia um florescente período de pesquisa e criação. Numerosos desenhistas dedicaram-se à literatura e à tradição popular eslava e a reproduziram mediante uma técnica extremamente simples, com personagens apenas esboçados, na maioria das vezes, acompanhados por música ou efeitos sonoros. Nesse grupo destaca-se a escola de Praga, encabeçada pelo desenhista e pintor Jirí Trnka.

    No Brasil, um dos precursores do cinema de animação foi Anélio Latini Filho, autor de Sinfonia amazônica (1953), primeiro desenho animado brasileiro de longa-metragem, em que, num estilo de influência disneyana, apresentava uma coletânea de lendas e mitos do folclore indígena. Posteriormente, destacaram-se Marcos Magalhães, realizador de Meow (1981), premiado em Cannes, e Maurício de Sousa, que transportou para o desenho animado seus personagens de histórias em quadrinhos - a turma da Mônica.

     

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