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    Cantochão - Canto Gregoriano

    Com ressonâncias de antigas liturgias, como a da igreja oriental e visigótica, o cantochão ou canto gregoriano caracterizou o que se chamava ars antiqua e é a mais antiga forma de música ocidental que se conhece.

    Cantochão é um tipo de música vocal, exclusivamente eclesiástica, executada por coros em uníssono ou em solo, sem acompanhamento instrumental, durante a celebração de cerimônias religiosas católicas. A expressão canto gregoriano cunhou-se por ter sido o papa são Gregório I Magno quem, no século VI, compilou os cantos tradicionais e regulamentou sua execução conforme o calendário litúrgico da Igreja Católica.

    No entanto, a grafia gregoriana, que viria a inspirar a posterior notação musical do Ocidente, não especificava o tom exato dos sons, nem sua duração, mas apenas o movimento linear da melodia, isto é, onde a voz deveria elevar-se ou abaixar-se; daí o canto gregoriano ter sido chamado posteriormente cantochão (cantus planus). A notação se fazia por meio de figuras quadradas chamadas neumas. A métrica gregoriana se ajusta ao texto, com uma nota para cada sílaba. Por influência bizantina, ocorre que às vezes a uma sílaba correspondem múltiplos sons, executados por inflexões vocais denominadas melismas, de caráter ornamental. Note-se que o texto em que se baseia o cantochão é o latino, com sílabas longas e breves, razão pela qual não apresenta as acentuações rítmicas da música ocidental.

    O cantochão é uma música de entonações, sem compasso ou harmonia definidos. Ao longo de sua evolução, diferenciaram-se oito modos, ou organização de sons num curto intervalo, que serviram de modelo para a escala moderna. Cada modo começava numa nota diferente da escala musical e a melodia terminava sempre no som mais grave. Chamados também tons da igreja, os modos, a partir de certa fase, tiveram seu sentido invertido: passaram a se orientar do grave para o agudo e não mais do agudo para o grave.

    Os modos gregorianos são oito, quatro deles ditos principais ou autônomos: o dórico, de ré a ré; o frígio, de mi a mi; o lídio, de fá a fá, e o mixolídio, de sol a sol. Os quatro modos subordinados ou plagais são o hipodórico, que parte de lá; o hipofrígio, que parte de si; o hipolídio, que parte de dó, e o hipomixolídio, que parte de ré. A tônica ou final dos modos plagais é colocada no mesmo grau que o modo autêntico correspondente. Quase todos os modos podem ser modificados pelo si bemol, para evitar o intervalo de quarta aumentada fá-si, proscrito pela igreja medieval porque representava o diabolus in musica (diabo na música) e era considerado próprio das paixões humanas.

    O cantochão teve uma fase de apogeu na alta Idade Média e, depois de um período de decadência motivado por seu imobilismo, foi reconstituído e reabilitado a partir do século XIX, graças às pesquisas dos monges da abadia de Solesmes, na França, e à edição do repertório gregoriano pelo papa Pio X, com base naqueles estudos.

    Alguns dos hinos do cantochão inspiraram compositores como Mahler, que usou o Veni creator spiritus (Vem, espírito criador), do texto de Pentecostes, em sua oitava sinfonia.

    A realização de festivais em importantes centros religiosos de origem medieval, como o mosteiro francês de Cluny e o de São Domingos de Silos, na Espanha, estimula a preservação desse estilo simples e sóbrio de música. No Brasil, os principais cultores do gênero são os monges beneditinos, principalmente no mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro.

     

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