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:: Segunda-feira, 20 de Maio de 2013 ::
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Classicismo - Renascimento e Neoclassicismo

A história da criação estética no Ocidente desenrolou-se, em grande parte, com a alternância de períodos "clássicos", em que predominou a busca de harmonia e proporção, e de fases caracterizadas por tendências mais livres, como o barroco e o romantismo, em que se valorizou sobretudo a expressão da subjetividade e da fantasia do artista.

O termo classicismo, a rigor, refere-se a um movimento cultural baseado nos modelos da antiguidade clássica e que impôs em diferentes momentos históricos: Renascimento, século XVII e, em sua versão conhecida como neoclassicismo, entre o final do século XVIII e começo do XIX. Como traços peculiares a essa atitude estética devem ser apontados a importância conferida aos mestres gregos e romanos, o sentido das proporções, a harmonia entre as partes e o todo, a busca do equilíbrio e o desejo de imitar a natureza (mimese). Essa imitação, no entanto, não pretendia apenas a cópia, mas a seleção de seus princípios básicos e sua representação racional. Na realidade, os grandes mestres do classicismo nunca se limitaram a imitar modelos do passado: absorveram seu espírito, para adaptá-lo a seu próprio tempo. O classicismo, portanto, buscava antes de tudo refletir a ordem do mundo e seus componentes essenciais. Sob tal perspectiva pode-se dizer, em sentido amplo, que o classicismo constitui uma determinada atitude artística que tem reaparecido continuamente nos mais diversos momentos da história.  

Antiguidade clássica - O período clássico por excelência da arte grega foi o século V a.C., quando, principalmente em Atenas, estabeleceram-se os princípios fundamentais do classicismo. Nas artes plásticas, partia-se das proporções ideais do corpo humano para chegar à proporção total no universo. Essa concepção relacionava-se às ideias dos pitagóricos, para os quais a harmonia se fundava nos números.

Na arquitetura, a linguagem clássica difundiu-se com maior intensidade graças ao êxito das duas grandes ordens: a dórica, sóbria e rigorosa, e a jônica, de maior plasticidade. A Acrópole de Atenas, com seu estudado equilíbrio de ambas, constituiu a síntese do espírito grego. Uma mesma preocupação estética marcou os escultores Fídias, Miron e Policleto. Este último, com seu "Doríforo", fixou as proporções ideais do corpo humano.

Embora os poemas de Homero já apresentassem concepções clássicas, foram os filósofos Platão e Aristóteles e os trágicos Sófocles, Ésquilo e Eurípides que estabeleceram as normas e princípios literários fundamentais que reapareceriam ao longo da história nas diversas versões do classicismo. Este encontrou em Platão um caminho para o ideal, enquanto que Aristóteles, em sua Poética, estabeleceu os princípios da mimese ou imitação da natureza.

O mundo romano, mais pragmático, viu-se atraído pela estética grega, e acentuou seus traços naturalistas (bustos, estátuas-retrato e relevos históricos). Vitrúvio, em De architectura, consagrou o emprego das ordens clássicas. No campo da literatura, o poeta Horácio, no século I a.C. reuniu em sua Ars poetica os ensinamentos de Aristóteles - coerência, ordem, harmonia -, sustentou que a literatura deveria "ensinar e deleitar" e defendeu a necessidade de combinar o talento com o empenho reflexivo: "De que serviria o trabalho sem uma grande inspiração, ou o trabalho sem empenho? Um precisa do outro, e ambos conspiram juntos, amistosamente." A Eneida, de seu contemporâneo Virgílio, representa a expressão poética máxima dessa filosofia.

Na Europa medieval, os ideais clássicos nunca chegaram a desaparecer, graças a algumas ordens que souberam compilar e difundir as grandes obras da antiguidade. Essa tradição também foi resgatada no Renascimento, por meio do humanismo.

Renascimento - O movimento renascentista, iniciado no século XV, na Itália, recuperou os ideais clássicos e conciliou-os com a tradição cristã. Desenvolveu-se o espírito crítico e surgiram múltiplas iniciativas e experiências que deram grande impulso ao panorama cultural. Estudaram-se, na arte, os modelos clássicos, graças em boa parte à recuperação do tratado de Vitrúvio, que tinha espírito científico, e buscou-se uma beleza perfeita, baseada na harmonia, na razão e na perspectiva, ideias que, esquecidas na Idade Média, encontraram seu primeiro grande expoente em Leonardo da Vinci. Transformou-se nos principais centros do classicismo a Florença do século XV, com os arquitetos Filippo Brunelleschi e Leone Battista Alberti e o escultor Donatello, assim como Roma no século XVI, com Michelangelo, o arquiteto Donato Bramante e o pintor Rafael.

O alto classicismo do século XVI teve seus mais rigorosos representantes em Bramante, que realizou o tempietto de São Pedro, em Roma, com a planta centralizada e a enorme cúpula de estilo sóbrio e austero, e em Rafael, que pintou composições equilibradas e harmoniosas, com personagens delicadas e de grande beleza ("Retrato de Baltazar Castiglione"). Em Veneza, Andrea Palladio construiu diversas mansões campestres e criou o "motivo palladiano", um vão semicircular entre dois vãos adintelados.

O Renascimento literário difundiu os modelos clássicos e renovou a métrica de sua língua. Foram estudadas as teorias literárias de Horácio e estabelecida a regra das três unidades (tempo, lugar e ação), conforme o modelo aristotélico.

Essa corrente classicista estendeu-se por toda Europa, chegando até à corte francesa, espanhola, e portuguesa. Surgiram novos artistas, que iniciaram a realização de obras "à maneira" (maneirismo) dos grandes mestres. Esse espírito maneirista transformou-se numa corrente barroca que, na Itália, tomou dois caminhos opostos: o naturalismo de Caravaggio e o classicismo dos irmãos Carracci, artistas ecléticos que se basearam nos grandes mestres do século XVI para decorar a galeria do palácio Farnese, e conferiram grande importância à natureza e ao desenho.

Quando a estética barroca prevalecia na Europa, renasceu na França um classicismo peculiar, cujo momento de esplendor de 1654 a 1715, ocorreu no reinado de Luís XIV.

No princípio do século XVII esse classicismo demonstrava tranquilidade. Exemplo disso foram as telas de Nicolas Poussin, que trabalhou sobretudo em Roma e recriou o mundo da antiguidade em telas como "Paisagem com Diógenes", que elevaram ao máximo a representação intelectual da natureza. No reinado de Luís XIV, o desejo de glorificar a realeza - próprio do absolutismo monárquico - deu lugar a um estilo majestoso e imponente. Seu paradigma arquitetônico foi o palácio de Versalhes, reformado e aumentado sucessivamente por arquitetos como Louis Le Vau e Jules Hardouin-Mansart.

Na literatura, imitaram-se os temas e gêneros da antiguidade, com suas regras estritas. A dualidade horaciana da finalidade da arte (ensinar e distrair) porém, muitas vezes foi dividida.

Na arquitetura inglesa, que sempre realizou uma síntese própria das tendências europeias, durante os séculos XVII e XVIII se desenvolveu um classicismo peculiar, baseado no veneziano Palladio. Destacou-se também Inigo Jones, autor da "Casa da rainha", em Greenwich. O palladianismo desembocou no classicismo de Sir Christopher Wren, cuja catedral de São Paulo, em Londres, foi construída com uma grandiosa cúpula semelhante à da basílica de São Pedro, de Roma. Foram esses artistas os precursores do neoclassicismo inglês de Robert Adam e Lord Burlington.

Neoclassicismo - Na segunda metade do século XVIII e nas primeiras décadas do XIX, voltou-se a valorizar em toda Europa o ideal clássico da clareza e harmonia como reação contra os excessos do rococó. A França mais uma vez seria a origem desse retorno aos modelos da antiguidade, que se distinguiu dos anteriores por um maior conhecimento do mundo greco-romano. Isso deveu-se sobretudo às escavações arqueológicas de Pompeia e Herculano, às pesquisas do historiador alemão Johann Winckelmann sobre a arte grega e aos desenhos de ruínas dos italianos Giovanni Paolo Panini e Giambattista Piranesi.

Na França, por volta de 1760, o arquiteto Jacques Germain Soufflot recorreu aos elementos clássicos para construir a monumental igreja de Sainte-Geneviève de Paris, mais tarde o Panteão. Esse neoclassicismo arquitetônico, severo, de volumes simples e clássicos, estendeu-se por toda Europa: na Rússia, o "estilo Catarina II" teve como grande expoente o Palácio de Inverno de São Petersburgo; na Espanha, sobressaíram Ventura Rodríguez e Juan de Villanueva; e, na Alemanha, K. G. Langhans ergueu a monumental Porta de Brandemburgo, em Berlim.

A escultura foi uma das mais notáveis manifestações do neoclassicismo, graças ao italiano Antonio Canova e ao dinamarquês Bertel Thorwaldsen, que preferiram a brancura do mármore à policromia. A serenidade e o equilíbrio desses grandes artistas foram uma fiel recriação dos modelos gregos do século V a.C.

Na pintura, o grande mestre foi o francês Jacques-Louis David, que se inspirou na antiguidade para suas representações pictóricas teatrais, de grande austeridade e harmonia, cujos ensinamentos morais eram inspirados na ética dos heróis clássicos, como "O juramento dos Horácios". Com Napoleão Bonaparte, David converteu-se em pintor oficial dos fastos do império. O final dessa corrente pictórica contou com outro francês, Ingres, defensor da primazia do desenho.

A literatura do século XVIII, como ocorrera no Renascimento, fez do ser humano a medida de todas as coisas. Apareceu a figura do "ilustrado", racionalista e empírico, erudito e crítico, voltado para a natureza e para o homem preocupado com o saber. Os ideais do final do século se opuseram ao mero intelecto, dessa forma, o alemão Johann Wolfgang Goethe, admirador do mundo grego e expoente máximo do "classicismo de Weimar", conseguiu, em suas obras, conciliar a razão com o sentimento.

Também a música conheceu um período classicista, iniciado no final do século XVIII, após a morte de Johann Sebastian Bach, e que se estendeu aproximadamente até 1830, quando foi substituído pelo romantismo. Viena tornou-se a capital musical da Europa. Buscava-se uma linguagem harmônica distante das formas polifônicas barrocas, na qual predominasse o equilíbrio, a serenidade e a alegria. Sua expressão mais frequente foram a sonata e a sinfonia. O apogeu desse movimento viu-se marcado pela supremacia da escola alemã, com Haydn e Mozart.

Ao longo dos séculos XIX e XX, os sucessivos movimentos artísticos levaram a uma ruptura com esta noção de criação, que implicava a sujeição a determinados preceitos. Isso não significou, no entanto, o desaparecimento dos ideais greco-romanos, que sobreviveram até hoje em todos os artistas que dão ênfase à harmonia, ao equilíbrio e à captação contemplativa do mundo.

Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Março 2012

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