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    As Máscaras - Arte e Devoção

    altO fascínio que a máscara exerce sobre o homem, relacionado à intenção de fortalecer, iludir ou transfigurar a identidade, fez dela objeto de arte ou devoção de muitas culturas. Em algumas sociedades acha-se ligada a ritos e práticas religiosas.

    Máscara é um objeto com que se dissimula o rosto, a cabeça ou, mais raramente, o corpo, e que se confecciona com materiais como barro, pedra, palha, papel, pano, metal, madeira etc. Conforme o caso, pode ter utilidade objetiva ou significado simbólico, seja como objeto de culto, como adereço teatral ou como disfarce para encobrir a identidade de quem não queira ostentá-la. A máscara, baseada numa relação peculiar entre o real e o imaginário, encontra-se presente nas formas mais antigas dos ritos e espetáculos. Seu simbolismo, com muita frequência, lhe realça o valor estético.

    Significado artístico: as máscaras constituem estímulo e manifestação notável da criação artística e impressionam sobretudo por seu poder de expressão, a par do valor simbólico. Uma de suas finalidades é pôr em relevo certos estados ou qualidades subjetivas, de que passam a ser a forma visível. Assim, as máscaras não raro apresentam um expressionismo selvagem, o que as impôs, no século XX, à consideração de artistas e críticos de arte. Particularmente importantes do ponto de vista artístico são certos tipos de máscara elaborados na África ocidental pelos dogons, bamilekês, bakongons, ashantis, senufos e ibibios.

    Espécies de máscara: as máscaras, segundo seus empregos e fins, classificam-se em diversas modalidades. Assinalam-se em primeiro plano as de proteção, destinadas a defender uma ou mais pessoas de perigo físico, objetivo, ou de uma força e ameaça de caráter sobrenatural. O elmo dos cavaleiros medievais, de que se originou a atual máscara de esgrima, constitui exemplo do primeiro caso. Serve de exemplo do segundo caso o disfarce de que se servem os xamãs da Sibéria para não serem reconhecidos pelos espíritos quando mergulham no mundo subterrâneo em busca da alma dos enfermos. A máscara protetora pode também ser ofensiva, inspirar terror e, se possível, destruir as forças inimigas, como entre os konos da Guiné. Assim, as máscaras de guerra ligam-se, de um ou de outro modo, à tradição dessa função protetora.

    De espécie distinta é a máscara de manifestação de seres sobrenaturais. Esta pode transformar aquele que a utiliza no ser sobrenatural que representa, de maneira que se torna o ponto de contato entre o mundo visível e o invisível. Signo e significado são, então, uma só coisa: a máscara é o espírito ou ser sobrenatural, possui existência própria, é encarada não mais como objeto, mas como pessoa, e como tal é tratada: cercam-na de cuidados e dão-lhe alimentos, como se faria com uma criatura viva. Em certas sociedades da Libéria e da Guiné há uma "grande máscara" de que derivam todas as demais, numa relação de ordem familiar. A "mulher" dessa grande máscara é a "mãe" de todos os iniciados.

    Existem máscaras que são patrimônio de uma casta, associação, corporação ou família. São as máscaras distintivas, usadas em várias culturas por guerreiros, caçadores, ferreiros, feiticeiros e outras categorias profissionais. É por essa espécie de máscara que se reconhece o iniciado de algumas sociedades secretas. Exemplos de máscaras distintivas podem ser citados, embora mais raramente, mesmo na Europa e nos Estados Unidos, no passado e no presente. Assim são as máscaras dos carrascos, originadas na Itália do Renascimento, e as da organização racista americana Ku Klux Klan.

    De função distintiva por excelência é a máscara teatral. No teatro grego antigo, visava a sublinhar o caráter trágico ou cômico dos personagens, e proveio daquelas que se usavam na celebração dos mistérios dionisíacos. Tal função meramente acessória da máscara foi retomada pela commedia dell'arte e pelo Renascimento italiano, até alcançar sua expressão mais universal e comum nas máscaras carnavalescas.

    Mostram-se de importância excepcional as máscaras do teatro japonês e javanês clássicos, impregnadas de significados mágicos de origem remota. Assim, as danças de Bali acham-se a meio caminho entre o rito religioso e a representação teatral propriamente dita. No teatro mascarado de Java, os caracteres dos personagens, isto é, suas máscaras, são mais importantes que o recitativo. Fato similar ocorre com o teatro nô japonês, embora nesse caso o texto tenha grande importância. A máscara nô é parte integrante da evocação e tradução de diversos caracteres e empresta formas inalteráveis aos sentimentos e às emoções. O nô possui 125 tipos diferentes de máscaras para diferençar, dentro de uma simbologia inalterada ao longo dos séculos, anciãos, deuses, demônios e espíritos.

    Pode-se mesmo dizer que as máscaras nô e outras mais antigas ilustram a lenta mas progressiva transformação da pantomima sacra em representação teatral. Máscaras brasileiras: dentre as máscaras dos povos indígenas brasileiros - utilizadas em cerimônias de iniciação, no culto da fertilidade e em outras manifestações de índole religiosa -, as mais notáveis, pela expressividade, são as dos tucunas do alto Amazonas e as dos carajás do Araguaia. De menor valor artístico, embora às vezes confeccionadas em ricos materiais, são as máscaras carnavalescas, usadas nas ruas ou bailes, sozinhas ou como complemento de fantasias.

     

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