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    Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

    altA forma ideal de escrita seria aquela cujo sistema ortográfico reproduzisse de maneira fiel a realidade expressa oralmente, ou seja, um sistema ortográfico fonético, com perfeita correspondência entre cada fonema ou som articulado e a letra ou grafema. As normas de ortografia tentam manter essa correspondência, a fim de facilitar a leitura em cada idioma, ao mesmo tempo que apresentam aspectos etimológicos segundo as formas ortográficas antigas.

    Ortografia é a parte da gramática que determina a maneira correta de escrever as palavras e de empregar os sinais de pontuação, acentos ou sinais diacríticos, de acordo com as normas consagradas no uso de cada língua. O sistema ortográfico se fixa por uma convenção imposta e elaborada pela tradição ou formulada por especialistas.

    As línguas estão em permanente evolução. A ortografia, que se relaciona com a expressão dos sons na escrita, passa naturalmente por estágios diversos ao longo do tempo. Manifesta-se nela, com mais intensidade que em outros planos da língua, uma tendência conservadora. Nos primeiros textos escritos em um idioma, as normas ortográficas tendem a ajustar-se à fonética então observada. Com a evolução da língua, o sistema ortográfico passa a sofrer a influência de duas tendências: a da tradição (critérios etimológicos) e a da língua falada (critérios fonéticos). No primeiro caso, apesar da evolução da pronúncia, procura-se manter a ortografia das palavras de acordo com o estágio anterior do idioma, como no francês e no inglês modernos, por exemplo. No segundo, quando a língua falada, coloquial, em sua constante evolução, provoca descompassos na ortografia em relação ao processo evolutivo da pronúncia, tenta-se atenuar a força da tradição, com tentativas periódicas de adequação da ortografia à pronúncia, como no caso do português, do italiano e do espanhol modernos.

    O estágio fonético da língua portuguesa, que corresponde à fase arcaica do idioma, abrange as obras literárias produzidas entre o século XIII e o século XV. Seguiu-se a este o estágio etimológico ou pseudo-etimológico, que se prolongou até o início do século XX. A regularização ortográfica que prevaleceu iniciou-se com o trabalho do filólogo português Aniceto dos Reis Gonçalves Viana que, em 1904, propôs a "simplificação e uniformização sistemática da ortografia portuguesa" em sua obra Ortografia nacional.

    No Brasil da segunda metade do século XX segue-se o acordo ortográfico de 1943, que consta do Pequeno vocabulário ortográfico da língua portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, e que indiretamente procede do sistema de Gonçalves Viana. A lei 5.765 de 18 de dezembro de 1971 introduziu alterações na ortografia em vigor, a principal das quais foi a abolição do acento diferencial.

    Assinado em 16 de dezembro de 1990 o novo acordo ortográfico, reuniu os países lusófonos com intenção de promover a unificação do português entre os membros das comunidades que o adotam oficialmente. São eles: Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A nova ortografia entrou em vigor em janeiro de 2009, muitas obras literárias e didáticas já estão sendo atualizadas e adaptadas às novas normas. A partir de 2012 cessa a fase de transição e todos os brasileiros deverão obrigatoriamente escrever só com a nova ortografia.

    Principais Alterações - Nova Ortografia da Língua Portuguesa

     

    Alfabeto: O alfabeto brasileiro passa a ter 26 letras, em vez de 23.

    Foram incluídas k, w e y, usadas em casos especiais, como em siglas e palavras originárias de outras línguas.

    Exemplos:
    Franklin, frankliano; Darwin, darwinismo; Kuwait, kuwaitiano; Kant, kantismo. Km (para quilômetro), kg (para quilograma), kW, (para kilowatt), W (para oeste - West).

    Trema: O trema foi abolido de todas as palavras da língua portuguesa. Conserva-se no entanto em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner; mülleriano, de Müller; etc.

    Exemplos:
    Bilíngue (ou bilingue), linguista, cinquenta, equino, linguístico, tranquilo, pinguim.

    Acento Diferencial:  Deixa de existir para diferenciar duas palavras de significado diferente mas escritas da mesma forma.

    Para (verbo), que se diferenciava da preposição para;
    Pelo (substantivo), que se diferenciava da preposição pelo;
    Polo (substantivo), que se diferenciava da preposição polo;
    Pera (substantivo), que se diferenciava da preposição pera.

    Há as seguintes exceções:

    Pôde (verbo poder no passado) conserva o acento para se distinguir de pode (verbo poder no presente);
    Pôr (verbo) conserva o acento para se distinguir de por (preposição).

    Uso facultativo nos casos:

    Dêmos (do verbo no subjuntivo que nós dêmos) para se diferenciar de demos (do passado nós demos);
    Fôrma (substantivo) para se diferenciar de forma (verbo).
    Ditongo Aberto: O acento agudo foi eliminado nos ditongos abertos das palavras paroxítonas, como alcaloide, assembleia, boleia, epopeia, ideia, jiboia, paleozoico, paranoia, onomatopeia.

    As palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói continuam acentuadas: chapéu, herói, corrói, remói, céu, véu, lençóis, anéis, fiéis, papéis, Ilhéus.

    Hiato: Foram eliminados os acentos circunflexos nos hiatos dos seguintes casos:

    oo – enjoo, perdoo, magoo, voo, abençoo;
    ee – creem, deem, leem, releem, veem, preveem

    O acento circunflexo continua valendo para sinalizar o plural dos verbos ter e vir e seus derivados: eles têm, eles vêm, eles retêm, eles intervêm.

    U tônico: A letra u não será mais acentuada nas sílabas que, qui, gue, gui dos verbos como arguir, redarguir, apaziguar, averiguar, obliquar. Assim, temos apazigue (em vez de apazigúe), argui (em vez de ele argúi), averigue, oblique. Pode-se também acentuar desta forma esses verbos: ele apazígue, averígue, oblíque.

    I e U tônicos: As palavras paroxítonas que têm i ou u tônicos precedidos por ditongos não serão mais acentuadas. Desta forma, agora escreve-se feiura, baiuca, boiuno, cauila. Essa regra não vale quando se trata de palavras oxítonas; nesses casos, o acento permanece. Assim, continua correto Piauí, teiús, tuiuiú.
    Escreve-se com i, e não com e, antes da sílaba tônica: Adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos -iano e -iense.

    Exemplos: acriano (do Acre), camoniano (referente a Camões), torriense (de Torres), açoriano (dos Açores), rosiano (relativo a Guimarães Rosa).

    Uso do Hífen:

    1- Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos: anti-higiênico, anti-histórico, co-herdeiro, mini-hotel, sobre-humano, super-homem.

    2- Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplos: aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, coautor, plurianual, semiaberto.
    Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

    3- Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos: anteprojeto, autoproteção, coprodução, geopolítica, microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, ultramoderno.
    Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc.

    4- Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos: antirrugas, antissocial, biorritmo, contrarregra, contrassenso, cosseno, infrassom, microssistema, minissaia, multissecular, neorrealismo, neossimbolista.

    5- Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico, auto-observação, contra-ataque.

    6- Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. Exemplos: inter-regional, sub-bibliotecário, super-racista.
    Atenção: Nos demais casos não se usa o hífen. Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.
    Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.
    Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

    7- Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exemplos: hiperativo, interescolar, superamigo, superaquecimento.

    8- Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, pró-europeu, pré-vestibular, recém-nascido, sem-terra.

    9-  Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

    10- Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

    11- Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exemplos: girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, pontapé.

    12- Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:

    Na cidade, conta-
    -se que ele foi viajar.

    O diretor recebeu os ex-
    -alunos.

     

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