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:: Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014 ::
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    As Civilizações Andinas

    Culturas que se desenvolveram no noroeste da América do Sul, as chamadas civilizações andinas sucederam-se em várias fases e áreas, de cerca do quarto milênio antes de Cristo até a conquista do império inca pelos espanhóis, iniciada em 1532. As civilizações andinas ocuparam um território que se estendia do sul da Colômbia ao norte do Chile e noroeste da Argentina, e do litoral às regiões montanhosas, com grande variação climática e geográfica. Sua origem remontaria a um antigo e disperso povo de caçadores. Não chegaram a conhecer a escrita e a roda e dividiram-se em dois grupos: as civilizações pré-incaicas e a inca.

    Encontraram-se na região vestígios humanos anteriores à descoberta da cerâmica, que se situaria por volta de 3500 a.C. De uma economia coletora, esses povos passaram a uma agricultura incipiente e iniciaram a domesticação do guanaco. A partir de 2500 a.C. as migrações diminuíram e ocorreu uma fixação progressiva das populações. No milênio seguinte as formas arquitetônicas evoluíram, com o uso de pedra e adobe; o milho incorporou-se à alimentação de alguns grupos; e principiou a confecção de tecidos decorados. Por volta de 1800 a.C. a cerâmica surgiu em alguns locais da cordilheira Central; a semelhança entre os objetos produzidos indica uma primeira vinculação cultural entre diferentes pontos dos Andes.

    A primeira cultura expressiva surgiu em Chavín de Huántar, em território do futuro Peru, e sua influência estendeu-se pelos Andes centrais. O milho tornara-se o alimento primordial, favorecido pelo domínio de técnicas de irrigação por canais. A agricultura levou ao estudo dos astros, necessário à determinação dos ciclos agrários. O estilo artístico da cerâmica, a decoração dos tecidos e o trabalho da pedra foram as características do período, marcado pela representação de atributos felinos (sobretudo do puma, animal sagrado) em todas as manifestações de arte. O principal monumento de Chavín, denominado Castillo, com mais de setenta metros de lado, tem três andares divididos em galerias e pequenos aposentos, com grandes esculturas em pedra e baixos-relevos.

    Nos primeiros séculos da era cristã, várias culturas independentes desenvolveram-se na costa e nas montanhas. A agricultura, bastante avançada, incluía também o cultivo da batata. As técnicas de tecelagem e metalurgia aperfeiçoaram-se. Em Nazca, destacaram-se as cerâmicas com decoração policrômica, além de grandes desenhos de figuras geométricas e antropomórficas realizados sobre pedra e só visíveis do alto, provavelmente um calendário astronômico. Em Paracas, a arte têxtil distinguiu-se com primorosos mantos bordados que se preservaram graças ao clima seco litorâneo. Em Moche, encontraram-se as enormes pirâmides do Sol e da Lua, construídas com adobe. Sua cerâmica, quase sem uso de cor, caracterizava-se pelo realismo da decoração, em relevo ou pintada, e pelas formas naturalistas. As figuras indicam a existência de um estado centralizado, com classes sociais.

    Tiahuanaco, um dos importantes centros religiosos da região, conservou centenas de monumentos esculpidos e grandes estátuas antropomorfas monolíticas. Entre suas portas talhadas em lajes de pedra vulcânica acha-se a Porta do Sol, um único bloco de pedra, com uma série de figuras na parte superior, todas voltadas para uma figura maior central, de cabeça quadrada. A maneira de representar os olhos, divididos verticalmente em duas metades de cores distintas, foi encontrada em outras áreas, confirmando a forte influência da cidade sobre a região central andina.

    Por volta do ano 1000, as técnicas agrícolas estavam aperfeiçoadas, sobretudo a de canalizar água para irrigação, e difundiu-se o uso de ligas de bronze. No início do século XII, salientou-se a cultura chimú, cuja capital, Chanchán, era bastante urbanizada, com ruas, moradias, cemitérios, reservatórios de água, zonas agrícolas e templos piramidais. Contava com um sistema governamental altamente desenvolvido e uma estratificação social que ia do humilde lavrador ao soberano divino. A cerâmica era, em geral, de fundo negro e menos colorida. No artesanato têxtil, a tapeçaria fez grandes avanços. A metalurgia do cobre e do bronze estava muito adiantada, assim como a dos finos trabalhos de ourivesaria.

    Civilização inca. A mais completa de todas as culturas andinas, a civilização inca desenvolveu-se ao longo de cerca de três séculos, a partir de uma pequena tribo que foi aos poucos incorporando militarmente as tribos vizinhas, até chegar ao maior e mais organizado império estabelecido na região.

    Segundo as tradições orais dos incas, sua capital, Cuzco, foi fundada no início do século XIII pelo herói mítico Manco Cápac. A ele seguiram-se soberanos que ampliaram o território até meados do século XV, época da grande expansão do império. No período máximo, ele abrangeria a região da atual fronteira entre Colômbia e Equador até a parte central do Chile, cobrindo cerca de 4.800km2.

    O "inca" ou imperador, descendente do Sol, era venerado como um deus. Na organização social, a ele seguiam-se os governadores de províncias, a nobreza, o clero e os chefes militares. O cidadão comum devia servir periodicamente nas forças militares ou nos empreendimentos públicos, como construção de estradas e templos, além de pagar um tributo em produtos agrícolas. A eficiência da administração foi favorecida pela construção de uma extensa rede de estradas, que partiam de Cuzco e alcançavam todos os recantos do império. O principal culto religioso dirigia-se ao Sol, a que se ergueram numerosos templos. Para os sacrifícios, utilizavam-se lhamas, sendo raros os sacrifícios humanos.

    As obras de engenharia e arquitetura foram notáveis: terraços nas vertentes do altiplano, formando patamares sucessivos para o plantio; longos canais de irrigação; pontes suspensas sobre pequenos desfiladeiros; gigantescas fortalezas; enormes construções, com blocos tão perfeitamente talhados que dispensavam ligadura. Os belos trabalhos em cobre, bronze, ouro e prata foram, na maioria, pilhados pelos conquistadores. A arte têxtil alcançou a culminância, com técnicas complexas e rica variedade de cores.
    A derrocada desse império constituiu um dos fatos mais assombrosos da história. Em 1532, o espanhol Francisco Pizarro chegou à região com apenas 180 homens. Aproveitando-se da luta entre os dois herdeiros do último imperador e sem um combate sequer, com sua escassa tropa Pizarro conquistou o império inca.

     

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