Mais conhecido como autor de literatura infantil, Monteiro Lobato foi engajado na causa do nacionalismo, sua preocupação fundamental, tanto na ficção quanto no ensaio e no panfleto. Crítico de costumes, no qual não falta a nota do sarcasmo e da caricatura, de sua obra se eleva um largo sopro de humanidade e brasilismo.
José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté SP, em 18 de abril de 1882. Depois de se formar, em 1904, na Faculdade de Direito de São Paulo, residiu durante sete anos em Areias SP, onde trabalhou como promotor público. Abandonou o cargo e, por algum tempo, viveu na fazenda que herdara do avô. Nessa época começou a publicar os primeiros contos em O Estado de S. Paulo.
Em 1917 comprou a Revista do Brasil, de programa nacionalista, onde já vinha publicando artigos. No ano seguinte editou sua primeira coletânea de contos, Urupês. O livro chamou a atenção de Rui Barbosa, que citou em discurso um de seus personagens, o Jeca Tatu, como protótipo do camponês brasileiro, abandonado à miséria pelos poderes públicos. A obra logo ficou famosa e mais ainda o autor, em meio à polêmica que se espalhou por todo o país sobre a veracidade da figura do caipira, para alguns fiel, para outros exagerada.
Monteiro Lobato criou, nessa época, a editora batizada com seu nome, que não obteve êxito comercial mas lançou importantes autores nacionais. Nessa fase, o escritor dedicou-se à literatura infantil e publicou, a partir de 1921, numerosas obras de grande imaginação, em que se valeu de recursos ficcionais como veículos didáticos da matemática, da geografia, da história e das ciências. Entre tais livros, fonte de alegria e paixão de muitas gerações de crianças no Brasil, sobressaem Reinações de Narizinho (1921), O saci (1921), O marquês de Rabicó (1922), A caçada da onça (1924), Viagem ao céu (1932), Novas reinações de Narizinho (1933) e O Pica-Pau Amarelo (1939). Nessas histórias, o autor criou uma encantadora galeria de tipos e uma geografia imaginária, a do sítio do Pica-Pau Amarelo. Personagens como a irreverente Emília, o sentencioso visconde de Sabugosa, o marquês de Rabicó e Dona Benta entraram para os lugares-comuns da linguagem brasileira e passaram a constituir uma espécie de saga da literatura para crianças narrada e escrita no Brasil.
Entre 1926 e 1931, o escritor ocupou o cargo de adido comercial nos Estados Unidos. De regresso, publicou suas impressões em América (1932) e deu início a uma campanha nacionalista pela produção de aço e petróleo. Publicou O escândalo do petróleo e do ferro (1936) e tentou, sem êxito, organizar uma companhia petrolífera mediante subscrições populares. Seu esforço, porém, o indispôs com o governo do Estado Novo. Condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional a seis meses de prisão, cumpriu metade da pena. Politicamente perseguido, mudou-se para a Argentina, mas não se ambientou e logo voltou a morar no Brasil.
Com uma obra editada em trinta volumes, dos quais 13 de literatura geral e 17 de literatura infantil, Monteiro Lobato distingue-se pelo estilo em que o vernáculo é entremeado de um humor e colorido do Brasil interiorano. Ao descobrir esse país às vezes esquecido por trás da fachada litorânea, o escritor antecipou a revolução estética que culminou no movimento modernista - embora tenha atacado a obra da pintora Anita Malfatti. Com grande compreensão do homem e da terra brasileira, combateu a literatice em voga na época e renovou a arte da narrativa. Em sua obra de literatura geral há livros de ficção e outros sobre questões sociais, políticas e econômicas, mas todos apresentam caráter nacionalista e interesse pelos problemas do país e pela construção de seu futuro. Além de Urupês, destacam-se Cidades mortas (1919), Negrinha (1920), A onda verde (1921) e O macaco que se fez homem (1923). Monteiro Lobato morreu em São Paulo SP, em 4 de julho de 1948.
Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Setembro 2011
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