Compilada na forma atual entre os séculos V e I a.C., a epopéia Mahabharata reporta à antiga Índia, que se estendia do Himalaia ao cabo Camorim. O tema é a guerra entre os Kuravas e Pandavas pela soberania da cidade de Hastinapura.
No coração do poema épico, está seu capítulo mais famoso, o Bhagavad-Gita, ou "Canto Divino", um dos textos mais importantes da história da literatura e da filosofia. Escrito originalmente em Sânscrito, seu contexto é uma conversa entre Krishna e Arjuna, príncipe Pandava, no meio do campo de batalha - símbolo da luta interna do homem e os mistérios que a cerca.
Os Kurus formavam um importante clã e Dhritarâshtra, o rei cego, decidiu ceder seu trono, não ao seu primogênito Duryôdana, mas ao primogênito de seu irmão Pându, Yudishtira. Duryôdhana porém, dado ao mal, subiu ao trono por meio de intrigas e traições e baniu de seu reino os príncipes Pandavas - Yudishtira e seus quatro irmãos, Bhîma, Arjuna, Nakula e Sahadeva. Após período no exílio, os Pandavas retornam propondo uma conciliação e exigindo seus direitos, que são negados. Uma guerra então se forma e dá-se o início do Bhagavad-Gita.
Os Pandavas formam um poderoso exército, comandado por Bhîma, mas os príncipes Kuravas - Duryôdhana e seus 99 irmãos -, unem um exército de maior número e militarmente superiores. Ao lado dos Pandavas está Krishna, a divindade encarnada, não como guerreiro, mas como condutor do carro de Arjuna.
Na planície sagrada de Kurukshetra, os dois exércitos se poem em formação. Soam tímbales ensurdecedores, trombetas, trompas e outros instrumentos guerreiros. Os combatentes mantém suas ansiosas armas preparadas. Neste momento crítico Arjuna lança mão de seu arco e cheio de sofrimento se recusa a lutar contra seus parentes, guerreiros da hoste inimiga.
Krisha responde aos seus lamento e mostra o erro que ele incorre tomando tal decisão. Arjuna ouve atentamente e expõe suas dúvidas, todas respondidas pelas sábias palavras de Krishna que o fazem vencer a si mesmo e retomar sua função na batalha.
O Bhagavad-Gita tem sido admirado não só pelos hindus, mas também por grandes nomes como Goethe, Kant, Aldous Huxley, Albert Einstein e outros.
Seus 18 capítulos são:
Canto I - Yoga do Conflito e do desalento de Arjuna
Canto II - Sankhya Yoga
Canto III - Yoga da Ação
Canto IV - Yoga do Conhecimento
Canto V - Yoga da Renúncia à Ação
Canto VI - Yoga do Domínio de si Mesmo
Canto VII - Yoga do Superconhecimento
Canto VIII - Yoga da Divindade Suprema e Imperecível
Canto IX - Yoga do Supremo Conhecimento e do Supremo Mistério
Canto X - Yoga das Grandezas Divinas
Canto XI - Yoga da Visão da Forma Universal
Canto XII - Yoga da Devoção
Canto XIII - Yoga da Distinção Entre a Matéria e o Espírito
Canto XIV - Yoga da Distinção das Três Qualidades
Canto XV - Yoga do Alcance do Princípio Supremo
Canto XVI - Yoga da Distinção Entre a Condição Divina e a Demoníaca
Canto XVII - Yoga da Distinção Entre os Três Tipos de Fé
Canto XIII - Yoga da Libertação Através da Renúncia
Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Novembro 2011
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