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    Os Desertos

    A imagem de uma região seca, estéril e habitada por pastores nômades fornece uma visão exata de um rigoroso ecossistema: o deserto.

    Deserto é uma região que, por sua aridez, excessivo frio ou calor, não favorece o desenvolvimento da vida. Tanto nas zonas temperadas como nas tropicais ou frias, a existência de áreas desérticas é determinada pelo baixo índice de precipitações. A insuficiência de chuvas traduz-se na paisagem de dunas, na vegetação rarefeita, na fauna escassa, nas enormes extensões de solo desnudo, na irregularidade das redes fluviais e na baixíssima densidade populacional. As regiões desérticas variam no tocante à temperatura, ao grau de umidade e aos tipos de precipitações, mas uma característica todas elas têm em comum: a aridez. No Brasil existem zonas semi-áridas, como a caatinga, mas nenhum deserto.

    Em geral, considera-se uma região desértica quando sua precipitação média anual é inferior a 250mm. As precipitações são intermitentes: em algumas zonas passam-se anos sem que caia uma só gota de água. Quando finalmente chove, em poucas horas podem registrar-se grandes níveis de precipitação.

    Os desertos cobrem imensos espaços do planeta, aproximadamente 15% das terras emersas. Cerca de metade da Austrália, mais de um terço da África, a quinta parte da Ásia e mais de dez por cento da América são regiões áridas.

    Devido às árduas condições de vida, os desertos são praticamente despovoados. Contudo, as civilizações antigas descobriram técnicas adequadas a sua exploração. Agricultores laboriosos esgotaram todos os escassos recursos de água disponíveis, enquanto os nômades da África e da Ásia aproveitaram as pastagens efêmeras graças à excepcional resistência do camelo e do dromedário, animais típicos do deserto.

    Tipos de desertos

    Desertos de latitudes quentes. Na zona tropical, entre 15o e 30o ao norte e ao sul da linha do equador, existem dois tipos de deserto: o subtropical quente e o litorâneo.

    Desertos subtropicais - A circulação atmosférica geral explica a existência dos desertos subtropicais, em virtude da presença, nessas latitudes, de altas pressões (anticiclones) estáveis e constantes. O ar se comprime e se aquece ao descer e, em vez de trazer chuvas, resseca-se e estimula a evaporação. Os desertos subtropicais mais importantes são os do Saara e o de Kalahari, respectivamente no norte e no sul da África; os de Victoria, Gibson e Simpson, na Austrália; os de Sonora, da Califórnia e do Arizona, na América do Norte; e o da Arábia, na Ásia ocidental.

    Desertos litorâneos - A influência das correntes marinhas frias nas costas ocidentais dos continentes, dentro da área das latitudes tropicais, determina o aparecimento dos desertos litorâneos. Nesse caso, as massas de ar fresco do oceano, carregadas de umidade, se reaquecem ao chegar à terra, diminuem continuamente sua umidade relativa e tornam-se cada vez mais secas. Assim, mesmo sendo freqüentes os nevoeiros, as chuvas são muito raras. Esse tipo de área desértica acha-se muito bem representado pelo deserto costeiro do Peru e pelo de Atacama, no Chile, ambos afetados pela corrente marinha fria de Humboldt.

    Em outras faixas ocidentais dos trópicos também encontram-se desertos desse tipo. Assim, a corrente marinha fria de Benguela dá origem, na África, ao deserto de Namibe; e a da Califórnia, ao deserto da Baixa Califórnia. Há ainda, no noroeste da Austrália, o Grande Deserto de Areia.

    Desertos da zona temperada - A diferença das regiões mencionadas, os territórios áridos da zona temperada têm invernos frios e amplitudes térmicas muito acentuadas, uma vez que se trata de climas de tipo continental. A continentalidade ou distância em relação ao mar torna o clima mais seco e reduz as possibilidades de que chegue o ar marítimo. Nos países temperados, as altas pressões continentais originadas pelos frios hibernais afastam as tempestades oceânicas, e por isso os invernos são secos. No verão, o calor provoca muita evaporação, e a água das chuvas, mesmo escassas, ainda podem ser aproveitadas pelo homem. Em geral, esses desertos resultam da degradação dos climas mediterrâneos ou continentais.

    Desertos continentais - Dada a tendência do clima continental a produzir aridez, existem no interior dos continentes vastas zonas desérticas. Na Ásia central, do Turquestão à Mongólia, há toda uma série de desertos (Taklimaken e Gobi), cuja variação anual de temperatura entre o mês mais frio e o mais quente vai além de 30o C. No Taklimaken, as temperaturas oscilam entre -26o C em janeiro e 17o C em julho, enquanto as chuvas são inferiores a 200mm e ocorrem sobretudo no verão. Também são muito acentuadas as diferenças de temperatura entre o dia e a noite.

    O continente americano também apresenta desertos de tipo continental, porque as montanhas bloqueiam o acesso dos ventos provenientes das águas próximas do Pacífico. Assim, ao pé das montanhas Rochosas estão os desertos de Utah, do Colorado e do Novo México. A mesma origem têm os desertos de Chihuahua, no norte do México, e da Patagônia, no hemisfério sul-americano. Contudo, o clima dessas regiões é mais brando que o dos desertos da Ásia central.

    Deserto por degradação do clima mediterrâneo - O verão seco do clima mediterrâneo assume características de aridez nas zonas afastadas da costa ou isoladas dos ventos úmidos. No inverno e na primavera caem poucas chuvas e estas são torrenciais. Às vezes, as geadas (congelamento dos líquidos, inclusive a seiva das plantas, devido à queda da temperatura) interrompem os invernos pouco rigorosos e contrastam com o calor sufocante que se registra no verão. Esse tipo de deserto por degradação existe na Ásia ocidental (Neguev, Síria, Iraque) e nos Estados Unidos (Grande Bacia de Nevada e deserto do Mojave, na Califórnia).

    Desertos polares - Nas altas latitudes, a partir de 55o no hemisfério sul e de 65o no hemisfério norte, prevalece um clima de frio constante, com precipitações escassas e em forma de neve. O inverno dura mais de oito meses, com temperatura média inferior a -20o C. Essas regiões não conhecem o verão, pois nos meses menos frios a temperatura não chega a 10o C. O frio contínuo e a existência de um manto de neve quase permanente limitam a vida vegetal e animal. As altas cordilheiras, como os Andes e o Himalaia, apresentam climas desérticos semelhantes aos polares.

    Deserto polar continental - As tundras do Canadá e da Sibéria setentrional apresentam ecossistemas caracterizados por invernos rigorosos, com temperatura média inferior a -30o C, e verões relativamente cálidos, com 9o C de máxima. As precipitações são escassas, com menos de 200mm.

    Deserto polar glacial - Nas zonas permanentemente cobertas por calotas glaciais o inverno é perpétuo, de tal forma que as temperaturas nunca ultrapassam 0o C. Esse tipo de deserto absoluto, coberto de gelo e carente de vegetação e fauna, localiza-se no centro e no norte da Groenlândia, bem como no continente antártico.

    Hidrografia Vegetação e Fauna

    Rede fluvial - A hidrografia das zonas áridas se caracteriza pela irregularidade no escoamento das águas e no próprio traçado da rede fluvial. O escoamento das águas é intermitente. Os rios de regiões desérticas, salvo alguns, como o Nilo, o Tigre, o Eufrates, o Indo e o Colorado, correm depois das precipitações violentas que esporadicamente irrigam o terreno. Às vezes, permanecem secos durante anos.

    É raro que uma zona árida seja completamente desprovida de cursos de água. No deserto, porém, os cursos fluviais formam uma bacia fechada cuja água só excepcionalmente atinge o oceano. As redes hidrográficas são embrionárias e desconexas, pois os leitos dos rios nada mais são que uma série de sulcos, independentes uns dos outros, sem a hierarquização característica que se produz nas regiões úmidas.

    As vertentes e os leitos desses rios apresentam-se repletos de cascalho e areia, o que torna muito forte a carga aluvial das águas. Às vezes, estas correm sem canalizar-se, deslizando na forma de mantos difusos que desempenham um papel essencial no processo de erosão do relevo desértico.

    Flora - A escassez de chuvas dificulta o desenvolvimento vegetal nos solos desérticos. Estes são muito finos, pois consistem unicamente em fragmentos desfeitos de rocha: areias e cascalho. Em algumas zonas, a rápida evaporação da água, em conseqüência da intensa irradiação solar, deixa o solo recoberto por uma camada de sais. Nesses casos formam-se crostas calcárias, gípseas e salinas com vários metros de espessura.

    Além disso, a aridez determina a pobreza do manto vegetal e a existência de vastos territórios desnudos, pois nesses ecossistemas sobrevivem apenas as espécies capazes de resistir ao meio hostil. Isso explica a ausência de árvores, enquanto arbustos, tufos de gramíneas e diversas plantas herbáceas apresentam formas xerófilas, isto é, adaptadas às condições de aridez.

    A vegetação do deserto se caracteriza pelo grande desenvolvimento das raízes, pela redução das superfícies de evaporação (nanismo das plantas, redução ou até o desaparecimento das folhas) e pelo espessamento dos tecidos que constituem reservas de água, como nas chamadas plantas graxas ou suculentas (em especial o cacto). Nos desertos polares, durante o curto verão desenvolve-se uma vegetação de tundra na qual se destacam musgos e liquens, plantas anuais de breve ciclo vegetativo, mas com sementes capazes de suportar longos períodos de seca e baixíssimas temperaturas e de germinar na primeira oportunidade. São plantas que também aparecem nos desertos tropicais.

    A pobreza e a distribuição desigual da vegetação revelam as precárias condições de vida nos desertos. Ausente nas áreas mais secas, a vegetação se concentra nos lugares onde a água corre a pouca profundidade ou a umidade do solo é maior: oásis, leitos dos cursos fluviais, maciços montanhosos.

    Fauna - Tal como se dá com a vegetação, só sobrevivem no deserto animais capazes de obter e de armazenar maior quantidade de água.

    A fauna dos desertos temperados e tropicais consiste em insetos (besouros, formigas, aranhas, escorpiões), répteis (lagartos, víboras), pássaros, numerosos roedores de hábitos noturnos e mamíferos de porte como a gazela, o antílope, o chacal, a hiena e o camelo. Em seu conjunto, o número de mamíferos é muito escasso, pois esses animais precisam mais de água e de alimento que as demais espécies. Os animais adaptados ao clima árido extraem a água das plantas suculentas e até do sangue de suas presas. Além disso, conservam no organismo todo o líquido possível. Os répteis são dotados de tecidos impermeáveis que conservam a água e evitam a transpiração. Os insetos e alguns roedores utilizam água metabolizada, enquanto o camelo e o dromedário podem acumular água principalmente na corcova e possuem válvulas nasais que impedem a passagem de areia.

    A fauna polar se adapta bem ao clima frio. Aliás, certos animais ficam com o pêlo branco no inverno para se confundir com a neve. No verão, nas superfícies pantanosas da tundra pululam insetos e pastam herbívoros (caribus, bois almiscarados) que no inverno se refugiam no bosque (taiga). As águas dos oceanos polares, ricas em plâncton e, portanto, em peixes, alimentam focas, morsas e pingüins.

     

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