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    O Egito

    Berço de uma das civilizações mais antigas do mundo, o Egito representa papel estratégico para a paz mundial no cenário contemporâneo do Oriente Médio.

    O Egito ocupa um território de forma retangular, situado no nordeste do continente africano, com uma área de 1.002.000km2, dos quais apenas 35.500km2 são habitáveis. Limita-se ao norte com o mar Mediterrâneo, a oeste com a Líbia, ao sul com o Sudão, a leste com Israel, o golfo de Aqaba e o mar Vermelho. O mar Mediterrâneo banha as costas setentrionais, onde se abre o delta do Nilo; o mar Vermelho costeia o litoral oriental. O canal de Suez liga ambos os mares e separa a África da Ásia.

    O Egito é um extenso deserto atravessado por um longo e fértil oásis: o vale do Nilo e seu delta. O país desenvolveu sua vida e sua história ao longo do estreito vale do Nilo, cujas inundações anuais fertilizaram durante milênios as terras próximas e permitiram a prática de uma próspera agricultura. Na segunda metade do século XX, a construção da represa de Assuã renovou o papel econômico do Nilo, como base do desenvolvimento e modernização do país. Sem esse rio, a totalidade do país seria um árido deserto.

    O relevo predominante é o planalto, mas o país também possui áreas montanhosas. Ao longo do mar Vermelho se levantam vários picos com altitudes superiores a dois mil metros, no planalto Oriental, ou da Arábia, que é um planalto cristalino arqueozóico, parcialmente recoberto por extenso lençol de dunas. A região ocidental é ocupada pelo grande planalto da Líbia, três vezes maior que o da Arábia, constituído de rochas sedimentares mesozóicas e cenozóicas, também parcialmente recoberto por dunas, onde as elevações atingem de 900 a mil metros de altitude. O vale do Nilo localiza-se entre ambos. É uma longa depressão ocupada pela zona de sedimentação quaternária e recente, produzida pelas enchentes do rio. A nordeste situa-se a península do Sinai, velho planalto com falhamentos, onde se encontra o ponto culminante do país: o Djebel Katherina, com 2.638m.

    Uma quinta parte do país é formada por depósitos de rochas calcárias, originárias do eoceno (período terciário). Na parte norte do deserto Ocidental se encontram rochas calcárias do mioceno, enquanto nas montanhas do Sinai, no mar Vermelho e na parte sudoeste do deserto afloram rochas ígneas metamórficas.

    O vale do Nilo e seu delta se encontram em terras aluviais dedicadas ao cultivo, cujos sedimentos foram trazidos das regiões montanhosas onde se situam as nascentes do rio. A composição do solo varia nessa região, e é mais arenosa nos extremos das áreas de cultivo. Ao norte do delta, a salinidade favoreceu a formação de solos estéreis, onde dominam as regiões denominadas barari.

    O território egípcio, situado ao norte de uma vasta região árida do continente africano, possui características de clima desértico, com chuvas escassas e consideráveis diferenças de temperatura entre o dia e a noite. O vento seco do deserto, o khamsin, sopra entre março e junho, provocando tempestades de poeira e areia. Esse vento se origina de correntes tropicais procedentes do sul e é determinado pelas influências do sistema de baixas pressões do Sudão.

    O inverno vai de novembro a março, e o verão de maio a setembro, separados por curtos períodos de transição. Os invernos são moderadamente frios. Em Alexandria, os limites máximo e mínimo de temperaturas médias são de 11 e 18o C, e em Assuã, de 10 e 23o C. A partir da costa mediterrânea até o sul, o clima é mais seco. As chuvas ocorrem principalmente nos meses de inverno. Em Alexandria, a média pluviométrica anual é de 178mm. Ao sul do delta as precipitações são mais escassas, e quase nulas no litoral do mar Vermelho.

    O Nilo é praticamente o único rio do Egito. Com uma extensão de 6.705km, é considerado o mais longo do mundo. Para ele afluem pequenos riachos nas regiões montanhosas da península do Sinai. As chuvas torrenciais criam os chamados uedes, cursos intermitentes nas montanhas do deserto Oriental.

    O Nilo nasce nas proximidades do lago Tanganica e, depois de percorrer todo o Sudão, penetra no Egito, ao norte de sua segunda catarata. Antes da primeira catarata, a represa de Assuã forma o enorme lago Nasser. O rio continua por um estreito vale de três quilômetros de largura até chegar à região de Assiut, quando desvia para a esquerda o braço lateral do Bahr al-Yussef, que o acompanha por cerca de 300km até desviar-se para a depressão de Faiyum. Após passar a pirâmide de Gizé, à esquerda, o Nilo banha o Cairo e se ramifica para formar um amplo delta, que chega a alcançar 200km de largura. Damietta, a leste, e Rosetta, a oeste, são os braços principais do delta. Nessa região se encontram os lagos de Maryut, Burullus, Idku e Manzala, entre outros.

    O Egito possui vegetação natural muito variada, apesar da escassez de chuvas e do clima desértico. No oásis do deserto e ao longo do Nilo e de seus canais cresce grande diversidade de plantas: bambus, juncos, acácias, ciprestes, olmos etc. As palmeiras e tamareiras são típicas dos oásis, ainda que presentes em outras regiões. Juniper phoenician é a única conífera nativa, mas existem outras coníferas aclimatadas. As acácias e os eucaliptos são encontrados com freqüência e o lótus é a flor típica do país.

    Os animais do deserto e das zonas próximas ao vale são a gazela, a raposa, o chacal, o leopardo, a hiena, a cabra montesa, a lebre egípcia e dois tipos de ratos do deserto. Dois mamíferos carnívoros são uma espécie semelhante ao gato montês e o mangusto egípcio. As aves mais comuns são rapinantes como o falcão, e as aquáticas, como a íbis-branca, o ganso e o pato selvagem. Entre os répteis, há inúmeros tipos de lagartixas e serpentes venenosas, entre as quais a cobra egípcia (Naja haje), a "áspide" da antiguidade. Há grande variedade de insetos entre os quais o gafanhoto, e cerca de 150 espécies de pássaros.

    O rio Nilo possui grande variedade de peixes - cerca de 190 espécies - com destaque para a perca. Nas margens do rio vivem ainda o crocodilo e o hipopótamo.

    A população egípcia forma um grupo homogêneo, resultante da mescla de povos pré-islâmicos, os hamitas, com os semitas. A homogeneidade étnica se manifesta com maior pureza nos camponeses, ou felás, do que nos habitantes das cidades. Os coptas, descendentes diretos da antiga população egípcia, conseguiram manter intactas suas peculiaridades raciais, por formarem um grupo religioso fechado.

    Nos desertos do Egito vivem grupos nômades ou seminômades com características étnicas distintas. Os habitantes do Sinai e da zona norte do deserto Oriental são originários da Arábia e apresentam marcas similares aos beduínos (nariz adunco, pele escura etc.). O sul do deserto Oriental é habitado por um grupo camita, que se caracteriza pelos rostos ovalados, narizes retos e grandes olhos. Nas regiões marginais ao deserto Ocidental vive um povo cuja composição étnica resulta da mescla de árabes e berberes. Os habitantes dos oásis do deserto Ocidental têm traços berberes.

    Além dos povos nativos, habitam o Egito grupos étnicos estrangeiros, principalmente europeus. Esses exerceram grande influência na economia e na política do país ao longo do século XIX e princípios do XX, e chegaram a participar da população em proporção considerável. Nesse grupo se incluem gregos, italianos, ingleses e franceses. Árabes, armênios, sírios e judeus completam o contingente humano do país.

    O quadro demográfico egípcio registra elevado crescimento, conseqüência da redução dos índices de mortalidade e do incremento da natalidade ao longo do século XX. A população se concentra no vale do Nilo e no delta, de forma que o restante do país é quase desabitado. A população rural predomina sobre a urbana, apesar do êxodo para as grandes cidades.

    A maioria dos habitantes do delta são camponeses. As cidades mais importantes dessa região são Cairo, a capital, Alexandria, Gizé, Port Said e Mahala al-Kubra. A comunicação com o Oriente Médio e a Europa influiu muito nos costumes dos egípcios do delta, menos conservadores que os habitantes do vale.

    Entre o Cairo e Assuã, o vale do Nilo abriga a maior extensão de terras cultiváveis do país. Os habitantes são muito tradicionais em seus costumes. Nessa região destacam-se as cidades de Assiut, Kana, Lúxor, Kom Ombo, al-Minya, al-Fayum.

    A maior parte dos habitantes do deserto Oriental vive em poucas cidades e colônias estabelecidas ao longo da costa, a maior das quais é Ras Garib. Observa-se um incremento da população nômade em comparação com a do deserto Ocidental, devido à maior fartura de água, que proporciona pastos para as criações.

    Os habitantes do deserto Ocidental são nômades ou seminômades em grande parte. Matruh é o principal centro urbano; outras localidades surgiram ao longo das linhas férreas e nas regiões próximas ao vale do Nilo. No interior do deserto se encontram diversos oásis, rodeados de grandes extensões totalmente desabitadas. Os habitantes desses oásis se distinguem por peculiaridades culturais e étnicas.

    A península do Sinai, limitada pelos golfos de Suez e de Aqaba, é povoada principalmente por árabes sedentários. Nas montanhas há grupos nômades e seminômades. A população se concentra em al-Aris, al-Qantara e outras cidades da costa setentrional.

    O idioma oficial é o árabe. Também se falam inúmeros dialetos regionais, como o beduíno do deserto Oriental e do Sinai, e os dialetos das populações rurais do Delta e dos oásis. O inglês e o francês são utilizados nas relações comerciais.

    Como assinalou o historiador grego Heródoto, no século V a.C., "O Egito é uma dádiva do Nilo." Desde os primeiros momentos de sua história, os egípcios criaram uma sociedade baseada no aproveitamento das águas do Nilo para a agricultura, mediante a construção de obras hidráulicas capazes de regular sua vazão anual. No plano institucional, configuraram um rígido e hierárquico sistema político que se manteve, com pequenas mudanças, durante cerca de três mil anos.

    Ao compararem as tradições do Egito com sua própria civilização, os gregos observaram que o passado tinha um grande papel no presente daquela cultura, enquanto a cultura grega era ainda nova e inexperiente. Ao conhecerem a terra dos faraós, os viajantes gregos ficaram maravilhados com as grandes cidades e seus templos.

    Foram os romanos que começaram a colecionar antiguidades egípcias. Estátuas de faraós e esfinges enfeitavam palácios dos imperadores romanos e diversos obeliscos foram transportados de Karnak (Tebas) e Heliópolis e posteriormente reerguidos em Roma e Constantinopla. Entre as obras dos últimos escritores clássicos destaca-se a descrição do Egito feita por Estrabão no Livro 17 de sua Geografia, que contém detalhes da topografia do delta. Plínio o Velho, em sua História natural, e Ptolomeu, em seu tratado geográfico, descreveram o Egito. Plutarco estudou a mitologia e Horapolon tentou decifrar os hieróglifos.

    A religião egípcia desapareceu com a difusão do cristianismo e o copta substituiu a escrita antiga. Mas a tradição da "sabedoria do Egito" atravessou a Idade Média e despertou interesse durante o Renascimento.

    O islamismo é hoje a região oficial do Egito. Existem outros grupos religiosos como cristãos coptas, católicos, cristãos ortodoxos, maronitas, anglicanos e protestantes.

    Malgrado a herança das antigas civilizações que ocuparam seu território, o Egito faz parte do mundo cultural árabe-islâmico.

    A tradição árabe, com influências ocidentais e peculiaridades autóctones, determinaram as manifestações artísticas do Egito moderno. O campo da música, na segunda metade do século XX, recebeu incentivos com vistas a um retorno a suas raízes tradicionais. O estilo ocidental adaptado à personalidade egípcia marcou as novas composições. O retorno ao folclore se manifestou também nas demais artes, com destaque para a dança, a pintura e as atividades artesanais.

    Os temas melodramáticos e a mensagem nacionalista marcaram a produção cinematográfica egípcia. Após a nacionalização do cinema egípcio, em 1963, prevaleceu um estilo realista, orientado para os problemas sociais da vida no campo e do trabalhador urbano.

     

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