Portal EmDiv

:: Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014 ::
    Tamanho das Letras
    • Aumentar Letras
    • Tamanho Padrão
    • Diminuir Letras

    Compartilhar Isso!

    AddThis Social Bookmark Button

    Eslováquia ou República Eslovaca

    Para conseguir se impor como estado independente, o povo eslovaco precisou enfrentar húngaros, austríacos, alemães, soviéticos e tchecos, numa disputa que durou vários séculos.

    Surgida da dissolução da Tchecoslováquia, em 1992, a República Eslovaca é um país da Europa central, não banhado pelo mar. Limita-se a norte com a Polônia, a sul com a Hungria, a leste com a Ucrânia e a oeste com a Áustria e a República Tcheca. Ocupa uma superfície de 49.036km2.

    Com parte de seu território constituída por um prolongamento da cadeia dos Cárpatos, a Eslováquia é um país predominantemente montanhoso, formado por dois maciços principais: os altos Tatra, a norte, e os baixos Tatra. Ambos são envolvidos por uma série de outras cadeias montanhosas, como os Pequenos Cárpatos e os montes Metalíferos eslovacos. A única planície importante é a do baixo Morava, na região de Bratislava, à margem esquerda do Danúbio, junto à fronteira com a Hungria.

    Dois grandes rios, o Morava e o Danúbio, estabelecem partes da fronteira sul do país. Os principais rios que descem das montanhas para o sul são o Váh, o Hron e o Bodrog; para o norte, desce o Poprad. O clima é tipicamente continental, com invernos frios e secos e verões úmidos e quentes. Em Bratislava, as temperaturas médias são de 0,7o C em janeiro e 21,1o C em julho. O índice pluviométrico médio da capital é de 649mm por ano.

    Predomina nitidamente no país o grupo étnico dos eslovacos. Os húngaros formam o maior grupo minoritário, concentrado no sul. Seguem-se grupos reduzidos de tchecos, ucranianos, alemães, russos e poloneses, no oeste e nordeste do país.

    Mais de dois quintos da superfície da Eslováquia são cobertos por florestas e só um terço é ocupado por áreas de cultivo. Campos de trigo, cevada, milho, centeio e beterraba espalham-se nas planícies, onde também se desenvolve a pecuária bovina e suína. Nos vales das montanhas predominam as culturas de aveia, batata e linho, bem como a criação de carneiros. Fumo e frutas crescem no vale do rio Váh e há vinhedos nas encostas dos Cárpatos.

    Importantes jazidas de minério de ferro, cobre, magnesita, chumbo e zinco são exploradas nas montanhas da Eslováquia. A principal fonte de energia para a indústria é hidrelétrica, gerada por uma série de represas nos rios Váh, Orava e outros. A indústria pesada concentra-se em cidades ao longo do Váh e em Bratislava e Kosice.

    A economia do país beneficia-se também do turismo, principalmente voltado para esportes de inverno e pesca nos rios das encostas do Tatra, e para estações termais e hidrominerais. Linhas aéreas e redes de rodovias e ferrovias que cortam as montanhas tornam acessíveis os pontos turísticos.

    As origens da Eslováquia confundem-se com as da Boêmia e da Morávia. Tribos celtas, dominadas posteriormente por povos germânicos, formaram as primeiras populações da região no século I da era cristã. No século IX, a Eslováquia foi integrada à Grande Morávia. Com a destruição desse império, passou à coroa da Hungria no século XI.

    Convertidos ao protestantismo, os alemães e eslovacos adotaram o credo luterano, enquanto os magiares (húngaros) seguiram a linha calvinista. Os Habsburgos impuseram, porém, com vigor os princípios da Contra-Reforma quando ascenderam ao trono da Hungria em 1526. No período do absolutismo austríaco, depois da revolução de 1849, a Eslováquia ficou separada da Hungria por muitos anos, sob um regime favorável às populações não-magiares.

    O compromisso austro-húngaro de 1867 deu ao governo húngaro a oportunidade de pressionar as populações eslovacas, mediante a supressão das escolas secundárias e a redução substancial do número de estabelecimentos de ensino primário no território eslovaco. O sistema eleitoral discriminatório limitou a representação eslovaca no parlamento húngaro, e a situação das populações minoritárias sob domínio magiar foi incomparavelmente mais grave que a dos tchecos sob domínio austríaco. Ao término da primeira guerra mundial, os eslovacos separaram-se da Hungria e uniram-se aos tchecos nos territórios tchecos (Boêmia, Morávia e parte da Silésia) para formar o novo estado tchecoslovaco.

    Em 1938, quando a Alemanha ameaçava desmembrar a Tchecoslováquia, os eslovacos declararam-se unidade autônoma dentro do território tchecoslovaco. Depois que os alemães ocuparam Praga, a Eslováquia tornou-se nominalmente independente, sob proteção alemã, em março de 1939. O ressentimento eslovaco contra os alemães tornou-se, no entanto, cada vez maior, e em 1944 já existiam condições para a ocorrência de um sério levante antigermânico, que levou dois meses para ser contido pelas tropas alemãs.

    No início de 1945, o país, ocupado pelas tropas soviéticas e tchecoslovacas, concordou com a reconstituição da Tchecoslováquia. Depois que os comunistas tomaram o poder na Tchecoslováquia, em fevereiro de 1948, com o apoio de Moscou, a porção eslovaca do país passou então a ser submetida a um estrito domínio tcheco. Com a constituição promulgada em julho de 1960, a Eslováquia adquiriu teoricamente direitos iguais aos dos territórios tchecos.

    Em 1968, as medidas de cunho liberalizante tomadas pelo então primeiro-ministro Alexander Dubcek, no período conhecido como Primavera de Praga, causaram a invasão militar do país pelos soviéticos. Nove anos mais tarde, intelectuais dissidentes divulgaram um manifesto contra a repressão, a Carta 77, de repercussão internacional.

    O movimento dissidente aumentou sua influência durante a década de 1980 e, a partir de 1988, organizou várias manifestações de protesto contra o governo, que culminaram com a revolução anticomunista do fim de 1989. A partir desse ano, a adoção do pluralismo político deu novo vigor ao sentimento nacionalista eslovaco e, em 1990, o nome do país foi mudado para República Federativa Tcheca e Eslovaca, eliminando-se o adjetivo "socialista" que antes o integrava. Entendimentos entre dirigentes tchecos e eslovacos levaram o parlamento a dissolver a federação em 1992. Em 1º de janeiro de 1993 foram criadas duas repúblicas, a tcheca e a eslovaca.

    O primeiro ano de independência da Eslováquia foi de desorientação, desequilíbrio econômico e penosa adaptação. Por causa das más relações com a República Tcheca e a Hungria, a Eslováquia esteve relativamente isolada em sua política externa e sofreu com a fragilidade de suas instituições democráticas.

    Bratislava teve sempre expectativas pouco realistas quanto à disposição dos tchecos para conservar as instituições outrora comuns aos dois países, e a política de drástica diferenciação adotada por Praga foi um choque para os eslovacos. Os tchecos insistiram também no controle da fronteira entre os dois países e houve disputas na divisão dos bens da Tchecoslováquia. A situação da minoria húngara e a construção da represa de Gabcikovo-Nagymaros, no Danúbio, vista pelos húngaros como uma ameaça ao meio ambiente, foram os dois principais problemas com Budapeste.

    De início, a liderança eslovaca proclamou sua intenção de adotar uma política externa independente, sem buscar uma integração imediata com a Europa. Teve, porém, de rever essa intenção tão logo a realidade de sua fragilidade política e econômica se fez sentir. A taxa de desemprego continuou alta, o déficit orçamentário cresceu, as reservas de divisas diminuíram, o investimento estrangeiro foi pequeno e a situação econômica, que tinha parecido estabilizada em fins de 1992, agravou-se ainda mais. A inflação, contudo, permaneceu estável.

    A República Eslovaca é parlamentarista. A chefia de estado cabe ao presidente da república, que é eleito pelo Conselho Nacional para um período de cinco anos e no máximo para dois mandatos. O presidente designa o primeiro-ministro e, com sua recomendação, os demais membros do governo.

    Administrativamente, o país se divide em quatro regiões (entre elas a cidade de Bratislava), subdivididas, por sua vez, em 38 municípios. Um ano depois de ter sido criada, a República Eslovaca contava com aproximadamente cinqüenta mil homens em suas forças armadas. O serviço militar é obrigatório e tem duração de 12 meses.

    Gratuita em todos os níveis, desde o jardim-de-infância, a educação na Eslováquia é obrigatória a partir dos seis anos, quando tem início o período escolar básico, que dura nove anos. Segue-se a educação secundária, por quatro anos.

    A língua oficial é a eslovaca, do grupo eslavônico do Ocidente (bastante próxima do idioma tcheco), embora sejam falados também o húngaro, o tcheco e os idiomas de outros grupos étnicos minoritários. O cristianismo é a religião preponderante, e a Igreja Católica Romana é a que tem mais seguidores. Entre as minoritárias, a Confissão Luterana Eslovaca possui maior número de adeptos.

    A diversidade de línguas e dialetos prejudicou o desenvolvimento de uma literatura especificamente eslovaca e a primeira tentativa séria de se criá-la só ocorreu no final do século XVIII. Entretanto, essa inovação lingüística, a partir de dialetos eslovacos ocidentais, não teve a aprovação do setor protestante, que continuou a utilizar o idioma tcheco. Só na década de 1840, quando tornou-se intenso o sentimento nacionalista da maioria católica, a nova linguagem conseguiu se impor, baseada, então, nos dialetos centrais e codificada por L'udovít Stúr. Foi imediatamente adotada por vários poetas.

    O ambiente político reinante na década de 1960 favoreceu o desenvolvimento de uma literatura mais espontânea e independente. A partir de então, o endurecimento da censura causou uma queda na produção literária.

     

    Pesquisa

    Publicidade

    RSS