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    Japão - Geografia, Cultura e Economia

    As características da civilização japonesa e a amplitude do mercado interno foram a base do "milagre japonês" que, depois do desastre da segunda guerra mundial, conseguiu implantar um crescimento econômico sustentado e cumulativo. Os japoneses devem ao confucionismo o princípio de refinada interdependência e hierarquização que rege sua vida social; e ao agnosticismo religioso sua capacidade de sincretismo e adaptação.

    O Japão (Nihon ou Nippon em japonês) é um arquipélago situado em frente à costa leste da Ásia, na parte noroeste do oceano Pacífico. Abrange cerca de 3.400 ilhas, com uma superfície total de 377.835km2. As quatro ilhas principais são, em ordem de tamanho, Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku.

    Hokkaido, no extremo norte, está a 300km de distância do continente asiático, enquanto Kyushu, no extremo sul, dista do continente cerca de cem quilômetros. A capital do país, Tóquio, situa-se em Honshu. O país se separa da República Popular da China, a sudoeste, pelo mar da China; da Rússia, Coréia do Norte e Coréia do Sul, a oeste, pelo mar do Japão; e das ilhas russas de Sakhalin e Kurilas, a norte e nordeste, respectivamente, pelo estreito de La Pérouse (Soya), o mar de Okhotsk e o estreito de Nemuro. Toda a costa leste do Japão é banhada pelo oceano Pacífico.

    O caráter montanhoso do país é resultado de forças orogênicas geologicamente recentes, como demonstra a freqüência de terremotos violentos, atividade vulcânica e as alterações do nível do mar ao longo do litoral. São escassas as planícies e planaltos, ao contrário do que ocorre em regiões mais estáveis e antigas da Terra, niveladas pela erosão. As montanhas cobrem mais de quatro quintos do Japão e se agrupam em seis pequenas cadeias, que de nordeste para sudeste são: cadeia Chishima, das ilhas Kurilas; cadeia de Sakhalin-Hokkaido; cadeias do nordeste e do sudoeste da ilha Honshu; cadeia das ilhas Shichito-Mariana e as formações das ilhas Ryukyu.

    Existem no Japão cerca de 200 vulcões, dos quais pelo menos quarenta permanecem em atividade. O pico vulcânico mais elevado, e também o mais famoso, é o monte Fuji ou Fujiyama (3.776m). Também são importantes o Aso, o Minami e o Asamayama. Próximo ao litoral encontram-se fossas marítimas muito profundas: a 200km a leste de Honshu, a profundidade chega aos 8.491m.

    A extensão em latitude do país explica a diversidade de climas, do tropical ao temperado, sujeitos também à influência das monções (ventos sazonais) e da altitude. No sul do país o clima é ameno, mesmo durante o inverno. Hokkaido e Honshu têm nessa estação temperaturas muito baixas. Em geral, a vertente do Pacífico é mais quente e menos enevoada do que a vertente voltada para o continente, devido ao obstáculo interposto pelas cadeias de montanhas aos ventos frios continentais. As precipitações são abundantes durante todas as estações e atingem médias anuais de 1.500mm no norte e até 2.500mm nas regiões a sudoeste. As neves são freqüentes em todo o país no inverno.

    A estrutura do terreno faz com que o Japão tenha rios de pequena extensão, quase sempre torrenciais e de reduzida bacia hidrográfica. Somente oito rios ultrapassam 200km de extensão. O Shinano, em Honshu, é o maior, com 367km. Outros cursos importantes são: Teshio e Ishikari, em Hokkaido; Kitakami, Tone, Kiso e Tenryu, em Honshu; e Chikugo, em Kiushu. Alguns dos rios procedentes das zonas vulcânicas do nordeste de Honshu têm águas ácidas e inúteis para a agricultura. Os rios carreiam, geralmente, grandes quantidades de aluviões e formam deltas em suas embocaduras. O maior lago, de origem tectônica (causado por fraturas da crosta terrestre), é o Biwa, com 672km2. Mais numerosos são os de origem vulcânica, como o lago Kutcharo, de Hokkaido, o Towada e o Ashi, de Honshu.

    A maior parte da vegetação original foi substituída por lavouras ou espécies originárias de outras partes do mundo. Nas ilhas Ryukyu e Bonin encontram-se vários tipos de amoreiras, canforeiras e carvalhos. Há bosques de loureiros desde as ilhas do sudoeste até o norte de Honshu. As dunas litorâneas são dominadas pelos pinheiros, e os cedros japoneses, alguns com mais de dois mil anos, são encontrados no sul de Kyushu. São numerosas as coníferas no norte e no leste de Hokkaido.

    Apesar da densidade populacional humana, os mamíferos terrestres do Japão são relativamente abundantes nas regiões florestais montanhosas (ursos, raposas, cervos, antílopes, macacos etc.). As águas japonesas são povoadas por baleias, golfinhos e peixes, como salmão, sardinha e bacalhau. Entre os répteis, encontram-se tartarugas, lagartos e cobras. É famosa a salamandra gigante de Kyushu e Honshu, de 1,5m de comprimento.

    Com exceção dos ainos, povo indígena do qual há uma pequena população remanescente em Hokkaido, considera-se que os japoneses constituem um único grupo étnico. Classificam-se como um ramo da raça mongolóide, estreitamente relacionada com os povos da Ásia oriental. Suas características físicas gerais são cabelo negro, liso e forte; pele amarela, olhos escuros e oblíquos; e corpo pouco piloso. A língua nacional é o japonês, incluída no grupo lingüístico altaico e afim ligada ao coreano. A introdução de caracteres e textos chineses, no século IV da era cristã, enriqueceu enormemente o idioma. Inicialmente empregaram-se os caracteres chineses para escrever, mas no século IX desenvolveu-se um silabário, o kana, desde então usado para o japonês escrito, junto com cerca de quatro mil caracteres chineses, reduzidos a dois mil após a segunda guerra mundial. É grande a quantidade de dialetos, mas o de Tóquio difundiu-se pelo país ao longo do século XIX e se impôs graças ao sistema educativo e aos modernos meios de comunicação.

    A partir do século XIX as mudanças sociais e econômicas se estenderam às mais distantes aldeias rurais, ainda que muitos costumes tradicionais tenham sobrevivido. Assim também ocorre com os sistemas cooperativos da agricultura e a assistência mútua entre os habitantes de um mesmo povoado. A unidade autônoma rural, conhecida como mura, consta de trinta a cinqüenta famílias. Os assentamentos rurais são em sua maioria bastante antigos, embora muitos tenham surgido no século XVI. Nenhum núcleo populacional, porém, pode considerar-se exclusivamente rural, pois a comunicação com os centros urbanos é intensa e nos meses de inverno a população rural fornece mão-de-obra sazonal para as cidades. As aldeias de pescadores se multiplicaram a partir do século XVII e o mesmo ocorreu com os núcleos de montanheses, que surgiram quando a madeira, o carvão vegetal e outros produtos encontraram mercado nas cidades.

    Visto que mais de oitenta por cento do país se constituem de montanhas e zonas inóspitas, a população se concentra nas grandes cidades e conurbações das planícies. Os assentamentos urbanos são de origem recente. À exceção das primeiras capitais (Nara, Quioto e Kamakura), não existia nenhuma cidade grande antes do século XVI. Desde o final desse século, os poderosos templos e senhores feudais começaram a construir cidades que atraíram comerciantes e artesãos. O crescimento urbano se acelerou no século XIX com o desenvolvimento dos portos internacionais de Kobe, Yokohama, Niigata, Hakodate e Nagasaki e com as bases navais de Yokosuka, Kure e Sasebo.

    A industrialização também influiu no crescimento de cidades como Yawatahama, Niihama, Kawasaki e Amagasaki. Nos aglomerados urbanos japoneses se misturam o antigo e o novo, pois neles um núcleo tipicamente oriental coexiste com os mais modernos centros comerciais e sofisticadas indústrias. Casas de construção frágil se erguem junto a imponentes arranha-céus. A capital nacional, Tóquio (denominada Edo até 1868), é uma das cidades mais populosas do mundo. Outras cidades importantes são Yokohama, Osaka, Nagoya e Sapporo.

    O Japão tem uma economia próspera e bem desenvolvida, baseada principalmente em produtos industriais e serviços. Nos últimos anos do século XX, sua renda per capita estava entre as maiores do mundo.

    O sistema japonês de gestão da economia apresenta características muito peculiares. Ainda que a participação direta do estado nas atividades econômicas seja limitada, o controle oficial e sua influência sobre as empresas é maior e mais intenso que na maioria dos países com economia de mercado. Esse controle não se exerce por meio de legislação ou ação administrativa, mas pela orientação constante ao setor privado e pela intervenção indireta nas atividades bancárias. Existem, também, várias agências e departamentos estatais relacionados com diversos aspectos da economia, como exportações, importações, investimentos e preços, assim como desenvolvimento econômico. O objetivo dos organismos administrativos é interpretar todos os indicadores econômicos e responder imediatamente e com eficácia às mudanças conjunturais. A mais importante dessas instituições é a Agência de Planejamento Econômico, submetida ao controle direto do primeiro-ministro, que tem a importante missão de dirigir dia a dia o curso da economia nacional e o planejamento a longo prazo.

    De maneira geral, esse sistema funciona satisfatoriamente e sem crises nas relações entre governo e empresas, devido à excepcional autodisciplina dos empregados japoneses em relação às autoridades e ao profundo conhecimento do governo sobre as funções, necessidades e problemas dos negócios. O ministro da Fazenda e o Banco do Japão exercem considerável influência nas decisões sobre investimentos de capital, devido à estreita interdependência entre as empresas, os bancos comerciais e o banco central. As Ferrovias Nacionais Japonesas é a única empresa estatal.

    Os recursos agrícolas e florestais são manifestamente insuficientes para as necessidades de uma população tão numerosa como a japonesa. Isso se deve ao relevo montanhoso e à baixa fertilidade dos solos. A madeira, procedente das florestas de coníferas, é potencialmente abundante, embora a localização de boa parte desses bosques em zonas montanhosas inacessíveis dificulte a exploração.

    A produção agrícola, da mesma forma que a exploração florestal e pesqueira, cresceu mais lentamente do que a produção nacional total, da qual só participa em pequena proporção. O setor agrícola emprega uma porcentagem relativamente grande da população ativa em comparação com sua contribuição para a economia nacional. A agricultura japonesa caracteriza-se pelo elevado número de propriedades pequenas e ineficientes. Somente em Hokkaido encontram-se empreendimentos maiores.

    Outros produtos importantes são batata, rabanete, tangerina, repolho, batata-doce, cebola, pepino e maçã. A política agrícola do governo tem consistido em elevar o preço do arroz - a fim de diminuir a defasagem entre a renda dos trabalhadores industriais e agrícolas - e em impulsionar a pecuária, com o objetivo de reduzir a importação de carne e derivados, produtos em que o Japão é deficiente.

    A frota pesqueira japonesa é a maior do mundo em tonelagem, ainda que a pesca seja realizada por empresas de pequeno porte e que utilizam técnicas obsoletas. A convenção que fixou em 200 milhas a extensão do mar territorial em diversos países constituiu um sério entrave para a pesca japonesa. Devido a isso, os japoneses tiveram que intensificar a exploração de seu próprio litoral, bem como de rios e lagos.

    Os recursos minerais são insuficientes para as necessidades do país. É baixa a qualidade dos minerais, cujos depósitos se encontram muito dispersos, o que, somado ao escasso volume das reservas, impede a aplicação de métodos modernos de extração em grande escala. As ilhas têm algumas jazidas de carvão, ferro, zinco, chumbo, prata, cromita e manganês, mas carecem quase completamente de níquel, cobalto, bauxita, nitratos, sal-gema, potássio, fosfatos e petróleo. A extração de carvão, principal recurso energético do país, concentra-se em Hokkaido e Kyushu. A escassa produção de petróleo é feita numa faixa que vai do norte de Honshu, no mar do Japão, às planícies de Ishikari-Yufutsu, em Hokkaido.

    Os recursos hidrelétricos são abundantes, devido aos altos índices de pluviosidade e ao relevo abrupto. A rede fluvial, embora sofra freqüentes inundações, é também utilizada para a irrigação. O maior potencial hidrelétrico encontra-se na Honshu central, ao longo dos rios Shinano, Tenryu, Tone e Kiso e é intensamente aproveitado.

    Várias religiões coexistem no Japão, ainda que nenhuma delas tenha a grande quantidade de adeptos verificada em outros países da Ásia. Destacam-se o xintoísmo, única religião de origem nipônica, várias seitas budistas e o cristianismo. Algumas crenças novas (shinko shukio) surgiram no século XX. O xintoísmo, de caráter politeísta, elevou à categoria de deuses personagens históricos e elementos da natureza. Boa parte da população professa ao mesmo tempo o xintoísmo e o budismo. O cristianismo penetrou com as missões católicas do século XVI. Entre as novas religiões, cabe destacar a Soka Gakkai (Sociedade da Criação Valiosa), que constitui poderosa organização política.

    A longa história do Japão produziu uma cultura significativamente diferente das de outras nações, caracterizada em geral por uma mistura indissociável da tradição autóctone com formas chinesas e ocidentais. A cultura pré-histórica japonesa sofreu contínua influência da antiga China, num processo iniciado há aproximadamente 1.500 anos. A escrita chinesa também foi adotada inicialmente pelo Japão e a religião budista exerceu profunda influência na vida cultural do arquipélago. No entanto, o processo de nacionalização cultural nunca cessou, tendo mesmo se acelerado durante os 250 anos em que o Japão se manteve isolado, até 1868, quando se abriu para o mundo ocidental. O clima do Japão, por exemplo, muito mais úmido que o da China, levou à substituição do tijolo pela madeira na arquitetura. De forma similar, a escrita chinesa foi substituída em grande parte pelo silabário kana, mais adaptado às características da língua japonesa.

    A milenar cultura japonesa inclui muitas formas de arte e práticas refinadas. Assim ocorre com o arranjo de flores (ikebana), a cerimônia do chá (cha-no-yu), a pintura, a caligrafia artística, a dança, a música, a arte de jardinagem e a arquitetura. Entre as diversas formas teatrais sobressaem, entre outras, o kabuki, drama estilizado com música, canto e dança, o bunraku, teatro de marionetes, o nô, drama bailado tradicional, e o gagaku, música cortesã.

    O cinema, que começou a ser feito no Japão ao mesmo tempo que no Ocidente, produz obras de excepcional qualidade. Nas primeiras décadas do século XX, os filmes correspondiam a dois gêneros bem definidos: o jidai geki ou histórico, e o gendai-geki ou da vida real. Cineastas como Mizoguchi Kenji, Kobayashi Masaki, Kurosawa Akira, Kinoshita Keisuke, Ozu Yasujiro, Shindo Kaneto e Oshima Nagisa são internacionalmente reconhecidos como dos maiores da história do cinema.

     

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