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:: Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014 ::
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    Mar Mediterrâneo na História e na Geografia

    Em torno do mare nostrum, como os romanos chamavam o mar Mediterrâneo, desenvolveu-se a civilização ocidental. O clima ameno, as costas recortadas, a oferecer abundância de portos, e a situação geográfica - entre a Europa, a África e a Ásia - facilitaram durante milênios as trocas comerciais e culturais entre os povos litorâneos.

    O mar Mediterrâneo é um mar continental situado entre a Europa, a Ásia e a África. Comunica-se com o oceano Atlântico através do estreito de Gibraltar, que, com 13km em seu ponto mais estreito, separa a África da Europa. Liga-se ao mar Negro pelo estreito de Dardanelos. No sudoeste, o canal de Suez faz a ligação com o mar Vermelho.

    Mar quase fechado, o Mediterrâneo estende-se por cerca de quatro mil quilômetros de Gibraltar até a Síria. Forma vários mares secundários: Baleares, Tirreno, Jônico, Adriático, Egeu, Mármara e Negro. Extensas e numerosas, as ilhas incluem as Baleares, a Córsega, a Sardenha, a Sicília, as Jônicas, Creta, as Cíclades, Rodes e Chipre.

    Geomorfologia e clima. Durante muito tempo se acreditou que o Mediterrâneo era o principal remanescente do antigo mar de Tétis, que teria existido entre os períodos carbonífero e cretáceo, quando o mar Cáspio dele se separou e isolou-se como um lago. No fim do século XX, porém, já se sabia que se tratava de uma bacia de formação mais recente.

    Uma cordilheira submarina entre a Sicília e a costa africana divide a bacia mediterrânea em duas partes -- ocidental e oriental -- diferenciadas em bacias menores: de oeste para leste, a de Alborán, a argelina, a tirrena, a jônica e a levantina. A profundidade máxima, de 5.121m, se encontra no Mediterrâneo oriental, no mar Jônico, ao sul da Grécia.

    O clima característico da região é temperado e seco, com variações locais determinadas por influências do oceano Atlântico, do deserto de Saara, da frente polar e das regiões continentais dominadas por altas pressões. No verão, o calor provoca grande evaporação das águas marinhas, enquanto um permanente centro de baixas pressões atrai os ventos da África e Europa. De acordo com a época do ano, predominam os ventos secos e quentes do deserto africano (o siroco) ou os ventos frios do noroeste (bora e mistral). Chove mais na região oeste, sobretudo no outono e no inverno.

    Hidrografia. O Mediterrâneo perde por evaporação um volume de água três vezes maior que o que recebe dos rios que nele desembocam, entre eles o Nilo, o Pó, o Ródano, o Ebro e o Danúbio (que deságua no mar Negro). Em conseqüência, há um permanente fluxo de águas superficiais do oceano Atlântico, através do estreito de Gibraltar. Essa corrente, mais intensa no verão, quando a evaporação é máxima, é o componente mais constante da circulação de águas no Mediterrâneo. O mar Negro dá uma pequena contribuição através dos estreitos de Bósforo e Dardanelos e o mar de Mármara.

    A temperatura das águas superficiais é mais alta no Mediterrâneo oriental que no ocidental. As águas mais quentes são as do golfo de Sidra, na Líbia, onde se alcançam médias de 31o C no verão. As águas mais frias se encontram no extremo norte do Adriático, no golfo de Trieste, onde a temperatura no inverno baixa até 5,2o C. Nessa região, às vezes, há formação de gelo nos períodos mais frios.

    A salinidade é elevada, de 3,8% (nos oceanos se mantém próxima de 3,5%). A escassez de elementos nutritivos, as estreitas plataformas continentais e o limitado intercâmbio entre as águas superficiais e profundas determinam uma relativa pobreza biológica. A superexploração dos recursos marinhos do Mediterrâneo é um problema que ainda aguarda solução.

    Foram descobertas jazidas de petróleo próximas à Espanha, Sicília, Líbia e Tunísia, além de gás natural no mar Adriático. As regiões em torno do Mediterrâneo se especializaram na produção de azeitonas, frutas cítricas, uvas e cortiça. O turismo é importante fonte de divisas para a maior parte dos países mediterrâneos.

    Importância histórica. Grandes episódios da história da humanidade ocorreram no Mediterrâneo. A partir dos primeiros núcleos do Oriente Médio e do Egito, a civilização se estendeu pelas ilhas e pelo litoral grego e, posteriormente, pelo Mediterrâneo ocidental.

    Nos dois séculos anteriores à era cristã, Roma se impôs sobre as civilizações grega e cartaginesa e conseguiu unificar politicamente todo o Mediterrâneo. O cristianismo se estendeu pelo império e foi assimilado também pelos povos bárbaros que, desde o século V, se introduziram no oeste europeu. Os muçulmanos conquistaram mais tarde o sul do Mediterrâneo, fato que não impediu o florescimento de um próspero comércio. Assim desenvolveram-se numerosas cidades costeiras, como Valência, Barcelona, Marselha, Nice, Gênova, Nápoles, Veneza, Alexandria, Trípoli, Túnis e Argel. No século XV, os turcos otomanos conquistaram Constantinopla (Istambul) e interromperam o próspero comércio das cidades mediterrâneas.

    A abertura da rota para a Ásia pelo cabo da Boa Esperança e o descobrimento da América deram início ao apogeu da Europa atlântica. O mar Mediterrâneo teve, então, reduzida sua importância, mas ressurgiu como caminho marítimo com a abertura do canal de Suez, em 1869, quando ocorreu o renascimento de seus antigos portos.

     

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