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    Mercúrio - Planeta Mais Próximo do Sol

    Visto apenas ao amanhecer e ao crepúsculo, próximo à linha do horizonte, por sua proximidade do Sol, o planeta Mercúrio era tido pelos antigos como dois corpos celestes diferentes. Os gregos chamavam Apolo à estrela da manhã e Hermes (Mercúrio, na mitologia romana) à da tarde. Ao se descobrir que se tratava de um único astro, conservou-se o nome Mercúrio (deus das sandálias aladas e mensageiro do Olimpo), em alusão à rapidez com que o planeta se move no céu.

    Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e o de menor tamanho. Já conhecido pelos astrônomos sumerianos e gregos, representou um dos maiores enigmas da história da física e da ciência astronômica. De difícil observação, por estar muito próximo do Sol e aparecer no horizonte somente por uma ou duas horas antes da aurora e do ocaso, a determinação de sua órbita desafiou as pesquisas de cientistas como Johannes Kepler e Isaac Newton.

    A excentricidade da órbita de Mercúrio só é menor que a de Plutão: o planeta chega a 45,9 milhões de quilômetros do Sol em seu ponto mais próximo (periélio) e a 70 milhões de quilômetros no ponto mais afastado (afélio). Com o tempo, o periélio de Mercúrio se desloca em relação a um determinado ponto no Sol, à razão de dois graus por século. Embora pequeno, esse número é maior do que podia ser explicado pela teoria gravitacional de Newton, mas corresponde a previsões baseadas na teoria da relatividade de Albert Einstein, em 1915. Isso representou uma importante comprovação da teoria de Einstein para a comunidade científica internacional.

    A distância média de Mercúrio ao Sol é de 58 milhões de quilômetros, o que corresponde aproximadamente a 2/5 do raio da órbita terrestre. Segundo observações da missão espacial Mariner 10 (1973-1975), o planeta leva 87,9694 dias terrestres para completar uma volta em torno do Sol e dois terços desse tempo (58,6461 dias) para girar em torno de seu próprio eixo.

    Mercúrio possui uma inclinação do eixo de rotação praticamente igual a zero (seu equador coincide com o plano da órbita), razão pela qual não possui estações climáticas. A proximidade do Sol eleva excepcionalmente a temperatura de sua superfície, que varia entre os extremos de -173°e 430°C. O diâmetro de Mercúrio é de 4.878km, pouco superior ao da Lua e comparável ao dos satélites maiores de Júpiter, Saturno e Netuno. Com uma massa 18 vezes menor que a terrestre, Mercúrio tem densidade média de 5,44g/cm3, quase a mesma da Terra (5,5g/cm3). Para explicar o fato de massas tão diferentes terem densidades análogas, aventou-se a hipótese de que Mercúrio tenha uma elevada concentração de materiais pesados, como ferro, em seu núcleo. Modelos do núcleo de Mercúrio indicam que ele representa 42% do volume do planeta, contra 4% no caso da Lua. Mercúrio não possui satélites e sua gravidade é estimada em um terço da terrestre.

    A elevada temperatura do planeta e sua baixa velocidade de escape - necessária para que um corpo se subtraia à ação de um campo gravitacional - são insuficientes para reter uma grande atmosfera. O poder de reflexão muito reduzido (0,056), quase idêntico ao da Lua, indica que a luz é refletida predominantemente por uma superfície sólida e não pela atmosfera. Visto ao telescópio, Mercúrio chama atenção principalmente por suas fases: na conjunção inferior ao Sol (fase correspondente à lua nova), é invisível; na conjunção superior (correspondente à lua cheia), apresenta todo o disco iluminado.

    Os dados coletados pela sonda espacial Mariner 10 mostram uma concentração de partículas na atmosfera que se aproxima à das câmaras de alto vácuo fabricadas na Terra. A fina camada gasosa é composta de hidrogênio, hélio, sódio, potássio, oxigênio e provavelmente neônio. Esses componentes podem provir do interior do planeta ou do vento solar. As características da superfície do planeta parecem confirmar a idéia de que Mercúrio nunca teve uma atmosfera densa.

    Mercúrio possui um campo magnético pequeno, cujo estudo é de extrema importância para o conhecimento da origem do campo magnético terrestre e da própria composição interna de Mercúrio. A origem desse campo magnético é ainda desconhecida, mas supõe-se que seja gerado, como o da Terra, pelo rápido movimento do material do núcleo, eletricamente carregado e submetido a altas temperaturas.

    Determinam-se a natureza e as propriedades da superfície de Mercúrio por meio de observações com telescópios ópticos e radiotelescópios. A reflexão da luz solar sobre o planeta sugere a existência de uma camada superficial de textura áspera e granulosa, composta de finos e escuros grãos de rocha.

    Os dados enviados pela Mariner 10 mostraram um relevo semelhante ao da Lua, repleto de depressões, vales e crateras de impacto. Mercúrio possui, além disso, cadeias de montanhas com centenas de quilômetros de extensão e altitude da ordem de três mil metros, que impedem a fratura da crosta (deformação tectônica). O fenômeno indica que pressões induzidas pelo Sol em Mercúrio produziram diferentes tipos de falhas, como uma função da latitude e que, paralelamente, ou em conseqüência dessa deformação, o interior de Mercúrio se resfriou e o planeta encolheu.

    Tal como os demais astros do sistema solar, Mercúrio formou-se provavelmente a partir de nuvens de gás e pó oriundas do Sol. Devido a sua proximidade do disco solar, é possível que tenha sido gerado com material estável a temperaturas elevadas, adquirindo uma velocidade de translação ainda maior que a atual.

    No início de sua evolução, Mercúrio sofreu uma evolução térmica e dinâmica, relacionada com o Sol, e um intenso bombardeio por restos interplanetários que originaram suas crateras. A diminuição desses bombardeios e o esfriamento do planeta levaram a um período de intensa atividade sísmica e vulcânica que terminou por formar grandes planícies.

     

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