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:: Quarta-feira, 23 de Abril de 2014 ::
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    Borgonha - Região Francesa

    Centro de propagação do catolicismo na Idade Média a partir das abadias de Cluny e Cister, a Borgonha foi também a região onde a arte românica atingiu o apogeu, com as igrejas de Tournus e Vézelay.

    Na atual configuração administrativa da França, a região da Borgonha (Bourgogne) abrange os departamentos de Côte-d'Or, Nièvre, Saône-et-Loire e Yonne. Situa-se entre os rios Saône, Loire e o curso alto do Sena. Com superfície de 31.592km2, essa região é escassamente povoada, o que se deve em parte à intensa migração, registrada desde o século XIX, para outras localidades francesas, sobretudo Paris. A maior concentração demográfica se encontra na planície de Bresse, no departamento de Saône-et-Loire. Sua capital é Dijon.

    Os principais recursos econômicos da Borgonha são a viticultura, praticada em Côte-d'Or, Yonne e ao longo do Loire; a pecuária bovina do maciço central; e o extrativismo florestal. As indústrias se concentram nos arredores de Creusat, em Dijon, Mâcon e Chalon-sur-Saône.

    A Borgonha foi habitada por povos celtas, como os éduos e os mandúbios, entre outros, antes de ser dominada pelos romanos e incorporada à Gália. A fortaleza de Castrum Divionense, onde mais tarde se desenvolveria a cidade de Dijon, foi cristianizada durante os séculos I e II e assolada por invasões bárbaras do início do século III até o V. Os burgúndios, povo de origem escandinava estabelecido nas fronteiras do Império Romano como foederati ou tropas auxiliares, criaram ao longo do século V um poderoso reino que se estendia da margem ocidental do Reno até os vales do Ródano e do Saône.

    Os francos ocuparam a região em 534, e quando o reino franco se dividiu, em 561, a Borgonha foi atribuída ao rei merovíngio Gontrão e seu território incorporou a diocese de Arles, na Provença, o vale de Aosta e outras regiões do centro da França. Carlos Magno anexou a região a seu império em 771.

    Mais tarde, a Borgonha se dividiu em diferentes territórios. Em 879, Boson se proclamou rei de toda a Borgonha, mas seus sucessores só puderam conservar parte do reino da Provença, ou baixa Borgonha, até 933. Os carolíngios alemães anexaram a porção situada entre o Jura e os Alpes, denominada Franco-Condado, enquanto os carolíngios franceses arrebataram a Boson os territórios do oeste do Saône e o norte de Lyon. Esta última região, o ducado de Borgonha, foi dominada no fim do século IX por Ricardo o Justiceiro, que repeliu a invasão normanda. Raul, filho de Ricardo, foi eleito rei da França em 923. Nessa época fundou-se a abadia de Cluny (910); além de ser importante centro espiritual, sua arquitetura deu origem à arte românica.

    A disputa entre os filhos de Ricardo terminou em 938 com o Tratado de Langres, que outorgava o ducado a Hugo o Grande. Em 1016, o rei Roberto II entregou o ducado a seu filho Henrique, sucedido pelo irmão, Roberto, em 1027.

    O século XI foi sangrento para a Borgonha em virtude dos contínuos combates entre nobres locais e os duques Capetos, fiéis à coroa. Os cem anos seguintes, no entanto, se caracterizaram pelo movimento religioso, que culminou na reforma cisterciense, e pelo desenvolvimento cultural. Ao longo dos séculos XII e XIII, ocorreram novas tentativas de independência e secessão por parte de vassalos do ducado, principalmente o conde de Nevers. Durante todo esse período, os duques de Borgonha participaram das cruzadas no Oriente e da reconquista da Espanha em poder dos muçulmanos.

    O ducado foi governado sucessivamente por Eudes III, Hugo IV, Roberto II e Eudes IV, que exerceram influência decisiva sobre a política da França. Em 1361 foi anexado à coroa francesa, até que o rei João II o Bom o entregou a seu filho Filipe o Audaz, em 1363, inaugurando na Borgonha a casa de Valois. Nessa segunda família de duques borgonheses destacaram-se João sem Medo, Filipe o Bom e Carlos o Temerário.

    Durante o século XV o casamento de Filipe o Bom com Margarida de Flandres levou a uma acentuada ampliação do território. Nesse período desenvolveu-se o comércio do vinho. No terreno cultural, a Borgonha foi um dos últimos redutos do espírito medieval na Europa, com um esplêndido florescimento das artes e da poesia trovadoresca, cujo exemplo vivo foi o último duque, Carlos o Temerário. Depois da morte deste em Nancy, em 1477, o ducado foi mais uma vez anexado à coroa francesa.

    Contudo, a filha de Carlos, Maria de Borgonha, casou-se com o imperador Maximiliano I de Habsburgo, tendo como dote o Franco-Condado e Flandres. Apesar da resistência dos borgonheses, Luís XI reteve a região em seu poder. Pelo Tratado de Arras, de 1482, confirmou-se a soberania francesa sobre o ducado e o Franco-Condado, uma vez que foram incluídos como dote da filha de Maria, Margarida da Áustria, prometida do herdeiro francês, Carlos (mais tarde Carlos VIII).

    O casamento, no entanto, não se realizou, e o Franco-Condado e Charolais foram devolvidos aos herdeiros austríacos da casa de Borgonha, enquanto o ducado permaneceu sob domínio francês. O Franco-Condado e Flandres passaram para a coroa espanhola ao serem herdados por Carlos I (Carlos V da Alemanha), neto de Maximiliano I e Maria de Borgonha. A partir de então, persistiu uma prolongada disputa entre a casa da Áustria (Habsburgo) espanhola e os monarcas franceses quanto à titularidade da Borgonha. O ducado permaneceu sob o poder francês desde 1529 (Tratado de Cambrai) e o Franco-Condado, desde 1678 (paz de Nimègue).

     

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