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    Albânia - Os Filhos das Águias

    Ao longo dos séculos, os albaneses - "filhos das águias", segundo o significado do nome local do país, Shqipërisë - defenderam sua independência, resistindo às várias potências que os quiseram dominar.
    A Albânia ocupa uma superfície de 28.748km2. Situada na borda sul-ocidental da península balcânica, limita-se ao norte com a Iugoslávia, a leste com a Macedônia e Grécia, e ao sul e oeste com o mar Adriático. O país divide-se em três regiões topográficas: a planície costeira, as montanhas e as bacias interiores.

    Formada por materiais sedimentares, a planície costeira tem cerca de trinta quilômetros de largura média. Durante a era mesozóica, foi ocupada pelo mar e até hoje não está totalmente drenada, como mostram seus diversos lagos e terrenos alagadiços. A linha litorânea apresenta algumas irregularidades que permitiram a criação de portos como Durrës e Vlorë.

    O interior montanhoso se compõe, ao norte, dos Alpes albaneses, onde ficam as maiores montanhas do país (pico Jeserce: 2.694m); ao sul, da cordilheira de Gramnos. Esses sistemas tiveram origem no dobramento dinárico, produzido no período terciário, e são formados por materiais brandos, calcários e xistosos. As profundas gargantas escavadas pelos rios acentuam o aspecto escarpado das montanhas.
    A zona central, ao sul do rio Drin, é moldada por numerosas bacias interiores compostas de um material muito brando, o flysch, espécie de marga na qual a erosão formou lagos tectônicos como o de Ohrid e o de Shkodra.

    As diferenças de altitude determinam a diversidade climática da Albânia. A costa apresenta clima mediterrâneo, com invernos suaves e verões quentes, com altos níveis de precipitações (900mm), por causa da proximidade das montanhas. No interior o clima adquire características continentais, com invernos muito frios e verões secos e quentes. As zonas montanhosas setentrionais registram também altos níveis de precipitação.

    A vegetação e a fauna correspondem às características do meio natural mediterrâneo e centro-europeu. Nas zonas montanhosas são abundantes os bosques de carvalhos, faias e pinheiros; nas terras baixas, estendem-se as típicas formações de arbustos (maquis) e matagais.

    A Albânia é um país densamente povoado. Nos primeiros anos da década de 1990, seu reduzido território apresentava uma densidade demográfica superior a 110 habitantes por quilômetro quadrado. Entretanto, a distribuição da população, predominantemente rural, é muito irregular: as aldeias e cidades do litoral registram os maiores níveis de concentração demográfica; em contrapartida, as regiões montanhosas são pouco povoadas. As cidades, que se desenvolveram na segunda metade do século XX em conseqüência da industrialização, são muito pequenas. A capital, Tirana, é o núcleo urbano mais importante.

    A peculiaridade albanesa se manifesta na etnia e na língua do país, muito diferentes das dos demais povos balcânicos. A língua oficial é o albanês, de origem indo-européia, falado no centro e no sul do país; na segunda metade do século XX, o dialeto tosque se impôs ao guegue, falado no norte.

    Com a maioria albanesa convivem pequenas comunidades de romenos, búlgaros e gregos. Por outro lado, amplos grupos de origem albanesa vivem na Grécia, em Kosovo (Sérvia), na Turquia, na Itália e nos Estados Unidos. 

    Embora apenas vinte por cento do território seja cultivável, durante a segunda metade do século XX a agricultura ocupava a maior parte da população ativa. Em 1946 iniciou-se uma política de coletivização da terra e a partir de 1970 todos os trabalhadores agrícolas se organizaram em cooperativas ou fazendas estatais. Para incrementar a ampliação das terras cultiváveis foram feitas grandes obras de drenagem de planícies pantanosas e nivelamento de encostas. Os cereais -- trigo e milho -- ocupam metade da superfície cultivada e, ao lado das culturas de arroz e batata, constituem a base alimentar da população. São também importantes algumas culturas industriais (beterraba, algodão, oliveira). O rebanho mais numeroso é o ovino, embora a fartura de pastagens tenha favorecido a introdução maciça da criação bovina nas últimas décadas.

    A Albânia dispõe de abundantes recursos energéticos. Nas regiões do sudeste há jazidas de linhita e por todo o país se estende uma importante rede de centrais hidrelétricas. Além disso, é o único país da Europa, além da Rússia, que exporta petróleo; os depósitos mais importantes ficam em Kuçovë, Patos e Marinëzë.

    O insuficiente desenvolvimento dos meios de transporte limitou a expansão industrial. Nas áreas montanhosas, usam-se animais para tração e transporte. As redes de ferrovias e estradas, pouco extensas, comunicam a capital com as cidades industriais e as regiões agrícolas. Durrës e Vlorë são os principais portos marítimos, e em Rinar, perto de Tirana, está centralizada a comunicação aérea com os países vizinhos.

    As origens da Albânia remontam ao antiquíssimo reino da Ilíria, que a partir do século VIII a.C. manteve contatos freqüentes com gregos e macedônios.

    Ao longo de sua evolução histórica, o país foi ocupado e colonizado por diferentes civilizações. Colônias gregas existiram na atual Durrës e, do século II a.C. ao V da era cristã, o território albanês foi província romana. Ante as invasões germânicas e eslavas, os albaneses mantiveram suas peculiaridades étnicas e culturais. O domínio bizantino sobre os Balcãs começou a enfraquecer-se no século XIII e, depois de um período de fragmentação e instabilidade política, no século XV George Kastrioti, conhecido como Skanderbeg, conseguiu conter os turcos, mantendo a Albânia unida e independente até sua morte, em 1468. No fim desse mesmo século, porém, os turcos já dominavam todo o país. O poder otomano se manteve por cinco séculos, durante os quais os albaneses assimilaram a cultura islâmica.

    No fim do século XIX, com o desmoronamento do império otomano, surgiram diversos movimentos nacionalistas na Albânia. Em 1912, depois da primeira guerra dos Balcãs, obteve-se a independência. Durante a primeira guerra mundial, apesar de sua declaração de neutralidade, o país foi ocupado pelo exército italiano. A intenção de instaurar uma democracia liberal fracassou e, em 1925, Ahmed Zogu impôs um governo ditatorial, fazendo-se proclamar rei da Albânia, em 1928, com o nome de Zog I. O novo regime manteve boas relações com a Itália fascista, mas em 1939 Benito Mussolini ocupou o país e depôs Zog I. Vítor Emanuel III da Itália proclamou-se então rei da Albânia.

    Terminada a segunda guerra mundial e derrotado o Eixo, o poder passou para os comunistas, que haviam lutado contra a ocupação italiana e formado o governo em 1944, liderados por Enver Hoxha. Nas eleições de 1946 venceu o Partido do Trabalho (comunista) e Hoxha transformou o país numa república popular, com regime inspirado no soviético. Mas a política isolacionista e ortodoxa de Hoxha acabou por provocar a ruptura com seus aliados: primeiro com a União Soviética, em 1965, e depois com a China, em 1978.

    O fechado regime resistiu como pôde às mudanças ocorridas no leste europeu, mas a partir de 1990 teve de ceder. Ampliaram-se a liberdade política e a econômica, e reformistas substituíram os ortodoxos. Em 1991, ano marcado por protestos violentos e pela fuga de mais de cem mil albaneses, sobretudo para a Itália, realizaram-se eleições multipartidárias. No mesmo ano o país entrou para o Fundo Monetário Internacional. Em 1997, a economia albanesa entrou em colapso devido à falência do esquema das pirâmides de investimentos, o que provocou uma rebelião generalizada no país contra o governo. Depois de meses de anarquia, uma força internacional restabeleceu a paz.

    A maioria dos albaneses professava tradicionalmente a crença muçulmana, mas o regime instaurado em 1944 por Enver Hoxha combateu as práticas religiosas. Em 1967 o estado tornou o ateísmo oficial e promoveu a conversão das mesquitas e igrejas em centros esportivos ou culturais. Grande parte da população é muçulmana, mas há católicos e gregos ortodoxos.

    Mais de 95% da população é alfabetizada. A escolarização primária é obrigatória e gratuita. O ensino médio e técnico, ministrado em centros modernos, é complementado pelos serviços docentes da Universidade de Tirana, fundada em 1957.

    À exceção da cerâmica neolítica com decoração incisa ou pintada em vermelho ou negro e dos ricos adornos das tumbas ilíricas da idade do ferro, a arte albanesa se limitou a repetir os estilos dominantes nas civilizações que ocuparam o país ao longo da história (gregos, romanos, bizantinos e turcos). Terminada a segunda guerra mundial, os artistas adotaram o realismo socialista da União Soviética, de que é exemplo o palácio da Cultura, em Tirana.

    Durante o período de domínio otomano, a literatura albanesa não se manifestou plenamente, já que os turcos haviam proibido a publicação de livros na língua local. Com a independência, desenvolveu-se bastante o gênero satírico, assim como a poesia e o romance, que encontraram em Mihal Grameno seu representante máximo.

     

     

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