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:: Segunda-feira, 21 de Abril de 2014 ::
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    A Zona Polar Ártica

    As denominações Ártico, Região Ártica ou Zona Polar Ártica são aplicadas de maneira genérica para designar o conjunto de terra e mares que se estende do círculo polar ártico, ao sul, até o pólo norte. Nesse conjunto encontram-se o oceano Glacial Ártico e suas ilhas, bem como as porções mais setentrionais da Europa, Ásia e América. Seu contorno é irregular, com trechos a diferentes distâncias do pólo. O oceano ocupa a maior porção da região ártica e sua superfície apresenta-se em grande parte coberta por uma extensa banquisa, cujos limites se ampliam durante os meses de inverno.

    O oceano ramifica-se e dá origem a numerosos mares a partir do meridiano de Oº. Seguindo-se a direção de oeste para leste, recebem os nomes de mar da Noruega, mar de Barents, mar de Kara, mar de Laptev, mar da Sibéria Oriental, mar de Tchukotsk, mar de Beaufort, baía de Baffin e mar da Groenlândia.

    A maior parte das terras das regiões árticas apresenta um relevo de planícies e planaltos ondulados, que se desenvolveram a partir de escudos cristalinos denominados escudo Canadense, escudo Fino-escandinavo e escudo de Angara, localizados respectivamente no Canadá e Groenlândia, península escandinava e Sibéria. Esses escudos foram intensamente trabalhados pela erosão e seus sedimentos sofreram levantamentos caledonianos e hercinianos, originando várias cadeias de montanhas. Posteriormente, essas cadeias foram de novo trabalhadas pela erosão e daí surgiram os montes Urais - que cortam a Rússia, prolongando-se pelo oceano Ártico e pelo arquipélago de Nova Zembla - e as cadeias escandinavas.

    No período terciário, ocorreu nova fase orogênica, de tipo alpino, a que correspondem, no Ártico, os montes Verkhoiansk, as cadeias do Alasca e as ilhas de Ellesmere, onde as altitudes ultrapassam três mil metros. Grandes elevações encontram-se também na Groenlândia, onde uma calota glacial recobre a quase totalidade do antigo planalto cristalino. Dessa calota originam-se, em sua maior parte, os grandes icebergs que flutuam na região e cujas camadas inferiores, em alguns casos, remontam a mais de cinqüenta mil anos de idade.

    As condições climáticas são responsáveis pelo traço mais marcante da paisagem ártica, as capas de gelo, e pelas formas de ocupação humana ali encontradas. Exercem também acentuada influência no meio físico.

    O clima ártico é do tipo polar, distinguindo-se por temperaturas extremamente baixas e reduzidos índices pluviométricos. Ocorrem duas modalidades bem distintas: uma, de temperatura sempre inferior a 0º C, mesmo no mês mais quente, e de gelo permanente, encontra-se na extensão central e ocidental da Groenlândia e, excepcionalmente, na ilha de Ellesmere. A outra modalidade ocorre em quase todo o território ártico: as temperaturas do mês mais quente podem elevar-se até 10º C. Mas, também nesse caso, existem regiões, como a dos montes Verkhoiansk, na Sibéria, em que a temperatura pode cair a -60º C no inverno. Aí, os efeitos da alta latitude somam-se aos da altitude elevada.

    Durante o inverno, extensas capas de gelo impedem o desenvolvimento de qualquer cobertura vegetal na região ártica. No verão, porém, o degelo permite que surja rapidamente uma vegetação característica, a tundra, com floração de cores vivas, e que apresenta três tipos, diretamente relacionadas com a temperatura. O primeiro é a tundra arbustiva, encontrada nas latitudes mais baixas, composta de vegetação rasteira e de árvores anãs, principalmente o salgueiro e o vidoeiro. Com a queda da temperatura, degrada-se rapidamente e dá origem a sua similar graminosa, composta de musgos, liquens e eventuais arbustos. Nas áreas de verão mais frio encontra-se apenas a tundra desértica, onde musgos e liquens, localizados nas áreas mais abrigadas, alternam-se com extensões de rocha sem qualquer vegetação.

    Os solos da região polar ártica são chamados solos de tundra, uma vez que suportam apenas esse tipo de cobertura vegetal. De pequena espessura e poucos componentes orgânicos, permanecem cobertos de gelo no inverno.

    Na fauna terrestre os animais típicos são o urso polar e a rena da Eurásia, o caribu e o boi almiscarado da América do Norte. As raposas e os lobos são animais que migram para a região durante o verão. Nessa época a tundra é invadida por enxames de moscas e mosquitos que atormentam homens e animais. A fauna marinha é muito rica: salientam-se a foca, a baleia, o leão-marinho, o elefante-marinho e o narval. Há ainda grande variedade de peixes, sobressaindo o salmão e o bacalhau. Mesmo com o difícil acesso à região, seus recursos animais foram explorados predatoriamente pelo homem branco, e já houve extinção de algumas espécies.

    A maior parte dos habitantes das terras árticas é composta de grupos étnicos de características mongólicas. Enquadram-se nesses grupos os esquimós, que se localizam no extremo norte da América do Norte, na Groenlândia e no noroeste da Sibéria, onde tiveram origem. Cabem na mesma classificação diversas tribos eurasianas, dentre as quais se destacam os samoiedos e os iacutos.

    Ao grupo étnico branco pertencem os lapões, habitantes da Escandinávia e da Rússia. Praticam uma economia de subsistência, baseada na caça e pesca principalmente de foca, urso e baleia, mas também se ocupam da criação nômade do caribu e da rena, que no inverno migram para latitudes mais baixas. Atualmente, devido ao maior contato com os povos ocidentais, sua economia passou a voltar-se para o comércio. Já são encontrados pontos de atividade econômica sob influência ocidental permanente, em geral ligados à extração do ouro (Alasca), do carvão (Svalbard), do ferro (Escandinávia), do petróleo e de minerais radioativos (Sibéria). Há ainda centros de pesquisa científica. Após a tomada de várias medidas para proteção de espécies em extinção, a caça entrou em decadência.

    Acredita-se que o grego Pítias foi o primeiro explorador a se aproximar da região ártica, no século IV a.C., quando contornou a Grã-Bretanha. No final do século IX, os viquingues da Noruega colonizaram a Islândia e estabeleceram rotas para o mar Branco. No ano 982 da era cristã descobriram a Groenlândia e atingiram o litoral da América do Norte, provavelmente Svalbard e Nova Zembla. Após longo período sem notícias, as explorações na região ártica foram retomadas, no século XVI, por holandeses e ingleses, à procura de rotas marítimas para o Extremo Oriente. Enquanto isso, a Sibéria era anexada à Rússia por bandos de cossacos, que atingiram o Pacífico em meados do século XVII. Pedro o Grande promoveu uma série de expedições em direção ao leste, tentando estabelecer uma rota marítima. O dinamarquês Vitus Bering descobriu e percorreu o estreito que recebeu seu nome, mas essa passagem entre a Ásia e a América, a nordeste, só foi confirmada pelo britânico James Cook, em 1778. A procura de uma passagem a noroeste começou logo após a descoberta da América, mas só três séculos mais tarde (1850) foi finalmente encontrada por Robert McClure, ao descobrir o estreito do Príncipe de Gales.

    Formado pelo Atlântico, o oceano Glacial Ártico banha as costas setentrionais da América do Norte e corresponde a um verdadeiro mar mediterrâneo. O Ártico é quase completamente circundado por massas continentais que se rompem em apenas quatro pontos e permitem sua comunicação com outros oceanos: o estreito de Bering, através do qual se liga com o Pacífico, o mar da Noruega e os estreitos da Dinamarca e de Davis, que fazem a ligação com o Atlântico. Há muitos arquipélagos. O plâncton serve de alimento a grande quantidade de animais, constituindo a principal fonte de vida no oceano Glacial Ártico.

    Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Setembro 2011

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