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O Grande Buraco Azul

Imagens aéreas mostram um incrível, e quase perfeito, disco azul no atol superficial a cerca de 70 km ao leste da Cidade do Belize: este é o "Great Blue Hole", ou seja, o Grande Buraco Azul - formação geológica de grande beleza, única em si, cheia de enigmas e respostas sobre o passado da Terra.

A costa de Belize e do México é decorada com vários atóis. O mais afastado do continente é o Lighthouse Reef, onde, bem em seu centro, está localizado o Grande Buraco Azul.

As primeiras explorações desta estrutura foram realizadas pelo lendário Jacques-Yves Cousteau, em 1971. Ele e sua equipe do navio Calypso traçaram a profundidade do buraco, descobriram que ele foi formado em pelo menos quatro etapas e ficaram entusiasmados com estalactites vistos abaixo do nível do mar.

Cousteau notou estalactites inclinadas, que indicavam que no momento em que se formaram, o Grande Buraco Azul estava em ângulo diferente do atual.

Estas descobertas emocionantes foram mostradas na série de TV muito popular "O mundo submarino de Jacques-Yves Cousteau", transformando o "Great Blue Hole" em uma verdadeira celebridade.

"Este é um dos melhores locais de mergulho do mundo" - Cousteau.

Após esta recomendação, o Grande Buraco Azul se transformou em local popular de mergulho, porém, não há terra seca de dimensão significativa em sua proximidade, e para chegar até ele, requer uma viagem de dia inteiro com os operadores locais. A vida marinha nestas áreas inclui grande número de peixes, incluindo garoupas gigantes e várias espécies de tubarões.

Em 1996, o  Grande Buraco Azul  foi incluído na lista da UNESCO de Patrimônio Mundial como parte do "Belize Barrier Reef Reserve System".

O Grande Buraco Azul é um grande sumidouro quase perfeitamente redondo, fascinante pelo fato de ser uma obra da natureza. É ladeado por uma crista de recife de coral que se eleva acima do mar na maré baixa e o diâmetro do escoadouro é de cerca de 318 m. É um verdadeiro buraco que se assemelha a uma lagoa azul-turquesa em meio ao mar. A profundidade medida pela equipe de Cousteau foi de 125 m, Jones e Dill, em 1997, não encontraram um local mais profundo do que 124 m - não se sabe se a imprecisão se deve ao erro da equipe anterior ou à sedimentação dos 26 anos que se transcorreu entre uma expedição e outra.

Há algumas razões para acreditar em tais processos de rápida sedimentação: não há ondas ou correntes abaixo da profundidade de 18 - 20 m no Grande Buraco Azul e, portanto, o sumidouro serve como armadilha de sedimento. Existem inclusive estruturas semelhantes que estão preenchidas com sedimentos.

Característica incomum do Grande Buraco Azul é a camada turva de água na profundidade de 90 - 101 m, rica em sulfeto de hidrogênio H2S. A água acima e abaixo dela são translúcidas - com a diferença de que abaixo desta camada a água não contém oxigênio. O fundo do Grande Buraco Azul não possui vida animal e vegetal, e é coberto com grandes pedaços de pedra calcária.

Acredita-se que esta camada anormal de sulfeto de hidrogênio tenha sido criada pelo constante derramamento de substâncias orgânicas no Grande Buraco Azul. Como estas substâncias são decompostas por microorganismos, o oxigênio na camada inferior de água foi eliminado, formando o sulfeto de hidrogênio. Este por sua vez, torna a água mais ácida e dissolve as paredes de pedra calcária. Muito provavelmente esse processo ajudou a criar a atual forma do sumidouro.

Em 1997, na profundidade de 50 m, na parede oeste do Grande Buraco Azul, foi descoberta uma caverna. Após esta entrada profunda, a caverna sobe para 37-41 m de profundidade e, em seguida, estende-se horizontalmente por mais 46 m. Esta caverna contém muitos esqueletos de tartarugas marinhas e de outras criaturas e sua profundidade coincide com a profundidade da maioria das estalactites e estalagmites.

Falando em estalactites, no Grande Buraco Azul elas podem atingir um tamanho impressionante - algumas possuem até 8 metros de comprimento. Algo muito interessante é que formações como estas precisam estar na atmosfera para se consolidarem. Isto significa que em algum momento no passado, pelo menos a parte superior do Grande Buraco Azul, esteve acima do nível do mar.

O mecanismo de formação do "Great Blue Hole", no entanto, permanece obscuro. Primeiro por ser muito profundo, e segundo, pelo Lighthouse Reef Atoll ser distante do continente.

Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Maio 2012

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