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:: Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014 ::
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    Os Continentes

    Na grande massa dos oceanos, que cobrem cerca de setenta por cento da superfície da Terra, aparecem aqui e ali territórios contínuos que, por sua extensão, não podem ser considerados ilhas: são os continentes.

    A denominação das massas continentais difere de acordo com os critérios adotados: físicos, culturais, políticos ou históricos. A divisão física mais disseminada define cinco continentes: Eurásia, África, América, Antártica e Austrália. Entretanto, critérios culturais fizeram com que a Europa fosse considerada um continente separado da Ásia, assim como a América do Norte da América do Sul, e que se caracterizasse a união da Austrália com as ilhas do Pacífico para formar a Oceania.

    Do ponto de vista histórico, Europa, Ásia e África constituem o Velho Mundo. Essa classificação se baseia na união geográfica real entre as três massas de terra: Ásia e Europa (Eurásia), ligadas pelo mar Negro, o Cáucaso, o mar Cáspio e a cordilheira dos Urais, enquanto África e Ásia se comunicam pelo istmo de Suez. O Novo Mundo agrupa os dois subcontinentes americanos unidos pelo istmo do Panamá; e o Novíssimo Mundo (Oceania) reúne a grande ilha australiana com Tasmânia, Nova Guiné e os arquipélagos da Melanésia, Micronésia e Polinésia.

    Características estruturais - Os dois hemisférios em que se divide a Terra apresentam grande desproporção quanto ao espaço oceânico e o continental. Dos cerca de 145 milhões de quilômetros quadrados ocupados pelos continentes, mais de dois terços ficam no hemisfério norte, e menos de 45 milhões no hemisfério sul. Essa desproporção provém de que, no hemisfério boreal (norte), os continentes vão ficando mais extensos à medida que se aproximam do círculo polar, enquanto no hemisfério austral (sul), as massas continentais tendem a estreitar-se na direção sul. Dessa forma, a extremidade meridional da América ultrapassa em pouco a latitude de 50o sul, que no hemisfério norte corresponde ao Canadá e ao centro da Europa e da Ásia. Da mesma forma, a superfície dos mares no hemisfério norte é bem menor que a dos continentes, enquanto no sul ocorre uma desproporção de 8,5 para 1 a favor dos mares. Esta oposição entre a terra firme e o oceano constitui um dos traços fundamentais da estrutura da superfície do planeta, da qual os continentes ocupam apenas cerca de três décimos.

    A tendência dos continentes a terminar em ponta em sua extremidade sul, se observa sobretudo na África e América do Sul, mas também em muitas penínsulas (Kamchatka, Coréia, Indochina, Hindustão, Arábia).

    A zona de contato entre mares e continentes é muito variada. Em alguns pontos das costas, a superfície do terreno desce bruscamente ao penetrar no mar, de modo que, a pouca distância do litoral, a profundidade já é muito grande. Em outros lugares, existe uma larga faixa marinha de pouca profundidade, inferior a 200m; nesses, as massas submersas fazem parte dos continentes e denominam-se plataformas continentais. Estão separadas das grandes profundidades pelo talude continental, de declives muito acentuados, e têm dimensões variáveis, com largura média de noventa quilômetros.

    As áreas continentais apresentam altitude média relativamente modesta, embora algumas cordilheiras se elevem a milhares de metros acima do nível do mar. Se os continentes, conservadas suas dimensões, se transformassem em superfície plana, sua altitude média se reduziria para cerca de 700m.

    Evolução dos continentes - As massas terrestres passaram e passam ainda por grandes transformações. Em épocas geológicas anteriores, a distribuição de mares e continentes era muito diferente da atual. As pesquisas demonstram vários fatos: primeiro, que a história dos continentes registra numerosos deslocamentos, elevações e abatimentos; segundo, que não existe na Terra nenhuma zona que não tenha estado em algum momento coberta pelo mar; terceiro, que as forças erosivas desgastam continuamente a superfície, de tal modo que, se não houvesse elevações, os continentes desapareceriam, cobertos pelo mar; e quarto, que muitas terras emergiram em época relativamente recente.

    Estudos de geologia, zoologia e botânica levantam a hipótese de que algumas depressões, hoje cobertas pelo mar, devem ter constituído, em outros tempos, extensos continentes. Há várias teorias sobre a origem e a formação da superfície terrestre. Uma das mais difundidas propõe que do período carbonífero (era paleozóica) até o começo do período terciário (era cenozóica), a Europa esteve unida à América do Norte; e que no hemisfério sul existia um grande continente, denominado Gonduana, que compreendia a América do Sul, a África, a península da Arábia, a Índia, a Antártica e a Austrália. Entre essas duas gigantescas massas terrestres estendia-se uma faixa marítima.

    O continente de Gonduana teria começado a fraturar-se no fim do período triásico (era mesozóica), com a separação de Madagascar do conjunto africano, e continuou a partir-se durante o jurássico, com a separação entre a Índia peninsular e a Austrália. No fim do período cretáceo, separaram-se a África e a América do Sul; e no princípio do período terciário, com a formação do mar Vermelho, a Arábia se desligou da África; também se formaram as depressões correspondentes aos oceanos Atlântico e Índico, que seriam, portanto, mais recentes que o Pacífico.

    A primeira explicação geral acerca da formação e da evolução dos continentes é a da deriva continental, proposta em 1912 pelo geólogo alemão Alfred Wegener. Explica a evolução da superfície terrestre a partir da diferença de massa existente entre os continentes, que têm altitude média de 700m, e o fundo dos oceanos, cuja profundidade média é de 3.800m. Ao comprovar que as massas continentais são mais leves que o fundo dos mares, formado de sima (silício e magnésio), Wegener aventou a hipótese de que os continentes flutuavam sobre os oceanos.

    Segundo Wegener, durante a era paleozóica uma espécie de gigantesca "embarcação" única, a Pangéia, flutuava sobre o sima. Mais tarde, pela ação da força centrífuga originada da rotação da Terra, essa "balsa" primitiva se fracionou e cada um dos pedaços passou a constituir um dos escudos atualmente conhecidos. Desta forma, ainda se pode perceber, graças à forma quase idêntica dos respectivos litorais, a fratura em forma de "S" que separa a África da América do Sul, a partir do período terciário. Os continentes teriam migrado para oeste por uma lenta translação, a deriva continental, no decorrer da qual os escudos continentais teriam perdido fragmentos de sua parte posterior; assim, a Nova Zelândia, Madagascar ou as Antilhas seriam partes que se desprenderam dos respectivos continentes.

    Estrutura dos continentes. Os continentes apresentam estrutura formal variada. A África é o continente mais maciço. De forma trapezoidal no norte e triangular no sul, tem poucas ilhas e penínsulas. Estende-se do cabo Branco (37o de latitude N) ao das Agulhas (34o de latitude S). Devido a sua localização, dois terços de seu território se encontram em latitudes tropicais. Limita-se ao norte com o mar Mediterrâneo, a leste com o mar Vermelho e a oeste com o Atlântico. Os estreitos de Bab al-Mandab (27km de largura) e Gibraltar (13km) separam a África, respectivamente, da Ásia e da Europa.

    A América situa-se a grande distância do resto das massas continentais. Estende-se por aproximadamente metade da circunferência terrestre, do cabo Barrow (72o de latitude N), ao cabo Horn, na Terra do Fogo (52o de latitude S). Entre esses dois pontos há mais de 14.000km de distância. A América limita-se ao norte com o oceano Glacial Ártico e o estreito de Bering -- que a separa da Ásia -- a oeste com o Pacífico e a leste com o Atlântico.

    A Ásia é a maior massa continental do planeta. Caracterizada por seus grandes contrastes, nela tudo adquire proporções desmesuradas: das montanhas mais elevadas da Terra às maiores depressões, e dos desolados desertos às mais densas selvas. Limita-se ao norte com o oceano Glacial Ártico, ao sul com o Índico, a leste com o Pacífico e a oeste com a Europa e os mares Vermelho, Mediterrâneo e Negro. O conjunto de sua massa terrestre está situado no hemisfério norte, entre os paralelos 77o e 1o.

    A Europa é o continente das grandes planícies, com altitude média de 375m. Estende-se dos 36o aos 71o de latitude N. Sua situação é particularmente favorável para a vida humana, pois quase todo o continente fica dentro da zona temperada. Limita-se ao norte com o oceano Glacial Ártico, ao sul com o Mediterrâneo, a oeste com o Atlântico e a leste com a Ásia (cordilheira dos Urais e do Cáucaso).

    A Oceania é um continente composto por um rosário de ilhas (mais de dez mil), de todas as dimensões, espalhadas pelo oceano Pacífico, entre o velho e o novo mundos. À exceção da Austrália, as ilhas apresentam em geral uma topografia muito montanhosa de origem vulcânica. A Oceania é constituída pelos restos de um continente primitivo, parcialmente submerso, do qual só subsiste a Austrália. Este leque de ilhas cobre, de sudeste para noroeste, um espaço de mais de 13.000km.

    A Antártica ocupa quase toda a calota polar do hemisfério sul, a partir dos 69o de latitude S. Maciço pouco articulado, cuja forma lembra a da África e a da Austrália, é o mais elevado dos continentes, pois sua altitude média ultrapassa dois mil metros. Em virtude do clima glacial, é praticamente desabitado. É um continente isolado; o cabo Horn, extremo meridional da América do Sul, a mil quilômetros de distância, é a única terra continental próxima. O litoral da Antártica é cercado por uma enorme barreira de gelo.

     

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