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    A Escrita - Origem, História e Tipos

    De invenção relativamente recente (IV milênio a.C.), a escrita foi um enorme avanço para a civilização e permitiu recompor com segurança a história.

    Escrita é todo sistema gráfico de notação da linguagem verbal, ou seja, toda representação de palavras ou idéias por meio de símbolos gráficos. O homem, ao pensar, elabora conceitos, que materializa em palavras e que expressa pela fala, por meio do aparelho fonador. A linguagem falada, que é de natureza acústico-oral (exprime-se por meio de sons e dirige-se ao sentido da audição) é representada pela escrita, que possui os seguintes traços característicos: tem caráter gráfico, é sempre "gravada" em um suporte físico qualquer - tábuas de barro ou madeira, pedra, lousa, couro, papel; apresenta aspecto visual, pois dirige-se sempre ao sentido da visão, embora possa apelar também para o tato, como na escrita em Braille, dos cegos; é articulada, isto é, apresenta-se em elementos sucessivos; é arbitrária, porque corresponde a um código convencionado pelos elementos do grupo; e linear, porque os signos são dispostos sucessivamente em linhas, que obedecem a uma direção determinada.

    Na pré-história, o homem serviu-se de diversos meios de expressão, mas nenhum deles se destinava a representar a linguagem verbal. Alguns eram efêmeros, de comunicação imediata - gestos, ruídos de tambores, sinais de fumaça etc. -, ao passo que outros, destinados a conservar as mensagens que havia necessidade de recordar, utilizavam objetos como caroços enfiados em fios, entalhados e marcas em madeira. Uma flecha junto a uma espiga ou a uma pena de galinha indicava que os que tentassem roubar o milho ou a criação seriam mortos. Todos esses processos formavam uma relação simbólica com alguma idéia, mas totalmente independente da fala. O conjunto desses processos denomina-se mitografia.

    A manifestação mais elaborada da mitografia é a pictografia, que utiliza desenhos com função comunicativa. A associação de um desenho a uma significação precisa se estabelece a partir do momento em que os desenhos se tornam esquemáticos e estilizados, e referem-se a um tipo de acontecimento, e não a um acontecimento específico. Assim, os esquimós do Alasca, que têm um sistema pictográfico bastante elaborado, deixam por cima da porta da casa uma mensagem pictográfica, para indicar para onde foram e o que foram fazer.

    A invenção da escrita realizou-se de várias maneiras, em momentos distintos e em diversos pontos do mundo, e correspondeu sempre a necessidades da civilização urbana, em sociedades dotadas de unidades fabris relativamente desenvolvidas, comércio ativo e estado organizado. Ao que tudo indica, é uma conseqüência da pictografia, e com ela se assemelha na medida em que é basicamente um acordo sobre significados que devem ser atribuídos aos símbolos - desenhos na pictografia, sinais gráficos na escrita. A finalidade, pragmática e imediatista, é estabelecer um sistema convencional, por meio do qual os membros de um grupo possam comunicar-se entre si e com seus sucessores, de forma precisa e duradoura.

    Escrita sintética e ideográfica - O tipo de escrita em que um signo gráfico ou um grupo de signos sugere toda uma frase - como no citado exemplo dos esquimós - utiliza um código sintético. Como cada signo corresponde apenas a uma idéia, a evolução desse meio ficou sujeita a modificações e adaptações constantes, pois o número de pensamentos ou idéias que se deseja comunicar é praticamente infinito e tende a aumentar passo a passo com o desenvolvimento de uma cultura.

    A evolução que deu origem à escrita foi a idéia de evocar idéias ou pensamentos por meio de um signo que representasse uma só e determinada palavra. Assim nasceu a escrita ideográfica ou analítica, que utiliza uma série de sinais gráficos de valor constante, correspondentes às palavras ou elementos integrantes da frase. No antigo Egito surgiu a escrita ideográfica, que os gregos denominaram hieroglífica. Os hieróglifos - cerca de 700 - da primitiva relação signo-palavra passaram a significar idéias associadas; assim, por exemplo, o desenho de um disco solar vinculava-se tanto à noção de dia como à de transcurso de tempo.

    Escrita silábica e fonética - A invenção da escrita dá-se quando os ideogramas ou signos passam a expressar os sons constituintes da palavra. O sistema adquire significado fonético e os elementos gráficos simplificam-se sensivelmente. Exemplo elucidativo é a pedra de Rosetta, descoberta em 1799, que contém inscrições dos hieróglifos egípcios, com versões em caracteres demóticos - usados no Egito depois dos hieróglifos - e gregos. Sua interpretação permitiu a Jean-François Champollion identificar que os sinais possuíam equivalências fonéticas. Maias, astecas, chineses e outros povos antigos serviram-se também de signos hieroglíficos.

    Os signos em forma de cunha (cuneiformes), que inicialmente eram ideográficos, foram-se adaptando à fonetização, à medida que passavam a representar palavras de sílabas idênticas ou de fonética similar. Criou-se assim um sistema misto ideográfico-silábico, que foi muito utilizado no decorrer do segundo milênio antes da era cristã pelos acádios e hititas, povos asiáticos que habitavam a Mesopotâmia e Anatólia.

    Escrita alfabética - Em torno do ano 1500 a.C., começou a formar-se no seio da cultura semita, provavelmente na Síria, a escrita alfabética. O método consistia na representação gráfica de sons isolados mediante sinais próprios. Foi utilizado por numerosos povos antigos, e posteriormente permitiu aos fenícios criar seu alfabeto, que disseminaram por todos os países a que levaram sua civilização. Os signos do alfabeto fenício, como os de todas as línguas semitas, só representam as consoantes. Os gregos, que o adotaram por volta do ano 800 a.C., acrescentaram a representação das vogais.

    Todos os alfabetos posteriores procedem do semita ou do grego e dispõem de um repertório de vinte a trinta letras. O sistema proporcionou uma drástica redução do número de signos em relação às demais escritas: a silábica tinha de setenta a noventa símbolos; a cuneiforme, 700; a chinesa, milhares. A primitiva escrita grega utilizava somente letras maiúsculas; posteriormente, introduziram-se as minúsculas. No século IV da era cristã, em Roma já se utilizava a escrita cursiva, em que as maiúsculas emendam-se às minúsculas, o que permitia grafar as palavras mais depressa.

    Durante a Idade Média, muitos mosteiros dedicaram-se a copiar manuscritos, e assim contribuíram para transmitir a cultura antiga à posteridade. Dentre esses manuscritos cabe citar, pela beleza da caligrafia, o Livro de Kells (Irlanda), do século VII, no qual também aparece o cursivo. No século IX, na corte de Carlos Magno, criou-se um tipo de letra minúscula bela e uniforme, denominado carolino, que não tardou a disseminar-se pela Europa e constituiu a base dos estilos mais modernos de caligrafia.

    A partir do século XIII, com o desenvolvimento das universidades, os estilos tornaram-se mais variados. Alguns profissionais - escrivães, notários - cultivaram seu próprio estilo, para evitar falsificações. Nos séculos posteriores, o incremento do comércio e a necessidade de escrever de maneira rápida e legível levaram à simplificação dos estilos.

     

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