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    A Religião Grega

    A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos sobreviveram nos cultos cristãos e nas tradições locais.

    Complexo de crenças e práticas que constituíram as relações dos gregos antigos com seus deuses, a religião grega influenciou todo o Mediterrâneo e áreas adjacentes durante mais de um milênio. Os gregos antigos adotavam o politeísmo antropomórfico, ou seja, vários deuses, todos com formas e atributos humanos. Religião muito diversificada, acolhia entre seus fiéis desde os que alimentavam poucas esperanças em uma vida paradisíaca além túmulo, como os heróis de Homero, até os que, como Platão, acreditavam no julgamento após a morte, quando os justos seriam separados dos ímpios. Abarcava assim entre seus fiéis desde a ingênua piedade dos camponeses até as requintadas especulações dos filósofos, e tanto comportava os excessos orgiásticos do culto de Dioniso como a rigorosa ascese dos que buscavam a purificação.

    No período compreendido entre as primeiras incursões dos povos helênicos de origem indo-européia na Grécia, no início do segundo milênio a. C., até o fechamento das escolas pagãs pelo imperador bizantino Justiniano, no ano 529 da era cristã, transcorreram cerca de 25 séculos de influências e transformações. Os primeiros dados existentes sobre a religião grega são as lendas homéricas, do século VIII a. C., mas é possível rastrear a evolução de crenças antecedentes.

    Quando os indo-europeus chegaram à Grécia, já traziam suas próprias crenças e deuses, entre eles Zeus, protetor dos clãs guerreiros e senhor dos estados atmosféricos. Também assimilaram cultos dos habitantes originais da península, os pelasgos, como o oráculo de Dodona, os deuses dos rios e dos ventos e Deméter, a deusa de cabeça de cavalo que encarnava o ciclo da vegetação. Depois de se fixarem em Micenas, os gregos entraram em contato com a civilização cretense e com outras civilizações mediterrâneas, das quais herdaram principalmente as divindades femininas como Hera, que passou a ser a esposa de Zeus; Atena, sua filha; e Ártemis, irmã gêmea de Apolo.

    Ao que parece, a figura do deus Dioniso originou-se da Anatólia ou de Creta, como deus da vegetação e principalmente do vinho. Seu culto deve ter-se firmado na Grécia continental por volta do século VIII a.C. Suas devotas, chamadas mênades, dançavam em coreografias contorcionistas nos banquetes sagrados e devoravam nacos de carne crua, que arrancavam de certos animais, numa alegoria da comunhão com o deus. Esse culto representava uma forma de adoração das forças incontroláveis da natureza e, com o passar do tempo, adaptou-se a encenações mais civilizadas, que deram origem às representações dramáticas.

    A insatisfação social que predominou do século VIII ao VI a.C. levou a revoltas políticas e à propagação de uma religiosidade popular de caráter profundamente emocional. Desenvolveram-se nesse período os mistérios de Elêusis, em torno de Deméter, símbolo da vida que renasce na primavera, e o oráculo de Apolo, em Delfos, transformou-se no centro espiritual da Grécia.

    O início da filosofia grega, no século VI a.C., trouxe uma reflexão sobre as crenças e mitos do povo grego. Alguns pensadores, como Heráclito, os sofistas e Aristófanes, encontraram na mitologia motivo de ironia e zombaria. Outros, como Platão e Aristóteles, prescindiram dos deuses do Olimpo para desenvolver uma idéia filosoficamente depurada sobre a divindade. Enquanto isso, o culto público, a religião oficial, alcançava seu momento mais glorioso, em que teve como símbolo o Pártenon ateniense, mandado construir por Péricles. A religiosidade popular evidenciava-se nos festejos tradicionais, em geral de origem camponesa, ainda que remoçada com novos nomes. Os camponeses cultuavam Pã, deus dos rebanhos, cuja flauta mágica os pastores tentavam imitar; as ninfas, que protegiam suas casas; e as nereidas, divindades marinhas.

    As conquistas de Alexandre o Grande facilitaram o intercâmbio entre as respectivas mitologias, de vencedores e vencidos, ainda que fossem influências de caráter mais cultural que autenticamente religioso. Assim é que foram incorporadas à religião helênica a deusa frígia Cibele e os deuses egípcios Ísis e Serápis. Pode-se dizer que o sincretismo, ou fusão pacífica das diversas religiões, foi a característica dominante do período helenístico.

    Os deuses gregos se distinguiam dos homens por serem imortais. Regiam os fenômenos naturais e sociais e não se identificavam com a natureza. Zeus comandava os fenômenos atmosféricos e os deuses do Olimpo. Sua esposa, Hera, protegia os casamentos. Dois irmãos de Zeus, Hades e Posêidon, eram encarregados respectivamente do mundo do além e dos mares. Outra irmã, Deméter, era a deusa da colheita. Dos filhos de Zeus, Atena representava a coragem e a sabedoria; Apolo, tipo ideal do jovem herói, dirigia a carruagem do Sol e tinha numerosos poderes; seu filho Asclépio era adorado como deus da medicina; Marte personificava o deus da guerra; Hefesto era o deus do fogo; Afrodite e seu filho Eros encarnavam o amor. Essas atribuições, no entanto, eram bastante elásticas e variavam no tempo, nas diversas regiões e nos diferentes documentos literários.

    Homero foi o grande organizador do panteão grego, que situou no monte Olimpo, onde os deuses viviam entregues a seus caprichos e desavenças, pouco interessados no culto ritualístico mas atentos às vicissitudes de seus protegidos terrestres.

    Para os gregos, o homem era o centro do universo e a medida de todas as coisas. Cada homem compunha-se de corpo e alma; esta, ao morrer, descia em forma de sombra para o reino de Hades, na embarcação de Caronte. Apenas os heróis e os favorecidos dos deuses iam para os campos elísios. Os rebeldes eram castigados no Tártaro, e quem tivesse cometido crime contra pessoa do mesmo sangue era perseguido ainda em vida pelas fúrias. As crenças órficas acentuaram o dualismo entre a alma e o corpo. Consideravam este como uma prisão da alma, ao contrário da cultura grega clássica, que o exaltava.

    O mais importante ato religioso dos gregos era o sacrifício. Outras práticas religiosas eram as preces, banhos, libações, procissões, competições e adivinhações por intermédio de oráculos. Entre as atividades religiosas públicas estavam os festivais, como a Panatenéia, em que os atenienses homenageavam Atena, e as Dionisíacas, durante as quais atores representavam tragédias e depois comédias. A cada quatro anos realizavam um festival a Zeus, que a partir do ano 776 a.C. passou a incluir os Jogos Olímpicos. Havia ainda representações dramáticas, concursos de rapsodos, suntuosas procissões e as hecatombes, divisão da comida dos sacrifícios. Tinham maior sentido religioso os ritos do casamento, nascimento, morte, oráculos e, acima de tudo, os cultos secretos dos mistérios.

     

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