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    As Línguas Neolatinas

    Depois da queda do Império Romano, ocasionada no século V pelas invasões dos bárbaros, a decadência generalizada da cultura e o isolamento das diferentes regiões dominadas por Roma fizeram com que em cada uma dessas áreas a língua falada passasse por grandes alterações, o que deu origem às línguas neolatinas, também chamadas línguas romances ou românicas.

    Línguas neolatinas são as que provêm do latim vulgar, modalidade coloquial do latim culto, que pertence ao grupo itálico da família lingüística indo-européia. As línguas neolatinas mais importantes faladas na atualidade são o francês, espanhol, português, italiano e romeno. Ao findar o século XX, cerca de 400 milhões de pessoas falavam alguma das neolatinas como primeira língua.

    Já no latim vulgar se processaram as diversas modificações morfolexicológicas que as línguas neolatinas levariam ao extremo. No plano gramatical, por exemplo, o gênero neutro começou a desaparecer e as desinências dos casos (flexão de nomes, pronomes e adjetivos para expressar as diferentes funções sintáticas) tenderam a ser substituídas por preposições.

    O primeiro documento escrito em francês que se conhece, os Serments de Strasbourg (Juramentos de Estrasburgo), data do ano 842. O francês comum, no entanto, calcado na fala da burguesia parisiense, foi fixado apenas no princípio do século XVII. Originário do latim vulgar falado na península ibérica, o espanhol apresenta também grande número de palavras tomadas de empréstimo a povos invasores, principalmente godos e árabes. Os mais antigos documentos em espanhol são as Glosas emilianenses e as Glosas silenses, dos séculos X e XI, respectivamente. O italiano comum desenvolveu-se na sociedade culta de Florença e os primeiros documentos nessa língua datam de meados do século X. Em português, os primeiros escritos datam do século XII. O português e o espanhol têm fundo léxico praticamente idêntico, e sua semelhança gramatical é mais pronunciada do que a que existe entre outras línguas de seu subgrupo.

    As línguas neolatinas são faladas no sul da Europa, do Atlântico, a oeste, até o mar Negro, a leste. Fala-se português não só em Portugal e no Brasil, mas também nas antigas colônias africanas de Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, e em alguns pontos do Extremo Oriente. Vinculado na origem ao português, o galego seguiu caminho próprio a partir da baixa Idade Média, premido pelas circunstâncias históricas que separaram a Galícia de Portugal.

    O espanhol, também chamado castelhano, língua neolatina de maior número de usuários, é falado na Espanha, em sua antiga colônia Guiné Equatorial, nos países das Américas Central e do Sul com exceção do Brasil e por minorias de imigrantes americanos. Países como o México (o de maior população hispanófona do mundo), Argentina e Colômbia igualam ou superam o número dos habitantes de fala espanhola da Espanha. O catalão é falado nas regiões espanholas de Catalunha, Valência e ilhas Baleares.

    Além da França, o francês é também a língua de comunidades suíças, belgas e da província canadense de Québec. São ainda numerosos os países africanos e do Extremo Oriente que usam o francês como língua de relações internacionais. O provençal e o franco-provençal do sul da França estão de tal forma permeados pelo francês que já passaram praticamente à condição de dialetos dessa língua. O reto-romano (rético) é falado por comunidades suíças e por outras do norte da Itália (Tirol). O italiano tem muitos dialetos, mas sua língua literária teve por base, desde o século XIV, o toscano, falado em Florença. O sardo é falado na ilha de Sardenha.

    O romeno ou valáquio, língua oficial da Romênia, é também falado por populações da Rússia, Iugoslávia, Bulgária, Grécia e Albânia. O dálmata, que foi falado na costa oriental do mar Adriático, é uma língua morta desde o século XVIII.

     

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