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:: Segunda-feira, 21 de Abril de 2014 ::
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    Brahmanismo - A Religião da Índia Antiga

    altBrahmanismo é a fase mais remota da religião hindu, que se estende de meados do segundo milênio a.C. até inícios da era cristã, quando essa religião foi substituída pelo hinduísmo. O nome brahmanismo relaciona-se a Brahma, forma masculina que designa o deus criador, parte da trindade completada por Vishnu e Shiva; à palavra neutra brahman, o princípio do universo, o absoluto, não material e eterno.

    O brahmanismo engloba não só uma tradição de doutrinas e práticas religiosas, mas também uma série de regras para o comportamento social.

    Textos Védicos

    A tradição brahmânica está compilada em uma série de textos denominados Vedas (conhecimento divino) ou Sruti (revelação), preservados por transmissão oral e considerados de origem divina. A parte mais antiga dessa tradição, que demorou a ser codificada por escrito, compreende o Samhita, ou coleção de hinos, dividido em quatro repositórios: o Rig Veda ou Veda das estrofes, o Yajur Veda ou Veda das fórmulas, o Sama Veda ou Veda das melodias e o Atharva Veda, que se distingue dos três outros por lhe ter sido dado o nome do rishi ou vidente que o revelou, Atharvan Angirasa.

    Mais recentes são os Brahmanas (séculos X-VII a.C.), textos de conteúdo litúrgico, e os Upanishads, de caráter filosófico. Os Brahmanas, ou "interpretações sobre o brahman", são comentários em prosa ao Samhita. Explicam os ritos ou as fórmulas e contêm tradições mitológicas. Constituem seu complemento pequenos textos denominados Aranyaka (tratados da floresta), que deviam ser recitados longe das multidões.

    A parte menos remota do código védico é formada pelos Upanishads (tratados profundos e secretos). Contituem em número de 150 tratados, porém há apenas 20 Upanishads védicos livres de adulteração, compostos por volta de 600 anos antes de nossa era.

    Formação Religiosa da Índia

    A religião védica foi levada pelos invasores arianos ou indo-europeus que irromperam no noroeste da Índia entre 2000 e 1500 a.C., destruindo os remanescentes das velhas culturas urbanas da bacia do Indo. Certos elementos da religião védica são idênticos aos da religião iraniana antiga, bem como aos da religião do reino indo-europeu de Mitanni, estabelecido na mesma época na Ásia ocidental.

    A religião védica consiste principalmente numa mitologia muito elaborada. Os deuses descritos no Rig Veda intervêm a todo instante nas atividades humanas.

    A tradição brahmânica abrange 33 deuses, divididos em divindades terrestres, atmosféricas e celestes. Suas funções são tríplices, correspondentes a uma tríplice divisão da sociedade. Existem deuses soberanos, associados à casta sacerdotal, deuses guerreiros e deuses patronos de atividades humanas, como a agricultura, a criação, o artesanato.

    Divindades e Asuras

    Dyaus Pitar, o deus-pai, é a divindade não revelada, o Pai Celestial, em contraposição com a Terra que é a Mãe. Varuna é o senhor das águas, deus de elevada moral e santidade, mantém as leis cósmicas e morais. A ele é associado Mitra, guardião e protetor de todas as criaturas, regulador do tempo.

    Entre os deuses guerreiros, a figura dominante é Indra, que equivale ao Júpiter romano e possui como arma o raio, chefiou os invasores arianos em sua marcha de conquista pela Índia. Entre os aliados de Indra estão os Maruts, jovens que cavalgam as nuvens, produtores das chuvas, dos ventos e tempestades, também chamados "filhos de Rudra". Este último é uma divindade conhecida também pelo nome de Shiva, com o qual se tornou uma das principais figuras do hinduísmo.

    Existem divindades solares, como Surya, Savitar e Vishnu, este último transformado igualmente em importante divindade do hinduísmo. Outro grupo de deuses realiza-se em objetos concretos, visíveis ao homem. É o caso de Soma, personificação de um licor que exerce função nos rituais, e Agni, o Fogo, que leva para o alto, na fumaça e nas chamas, as oferendas que os sacerdotes dispensam nos sacrifícios aos deuses.

    Além dos deuses, existe um exército de demônios, ou Asuras, que representa as forças maléficas da natureza.

    O Conceito de Dharma

    É dos textos védicos que procede um conceito fundamental do bramanismo: o de uma ordem universal, que constitui a realidade, a verdadeira natureza das coisas, chamado Dharma, a lei, ao qual se opõe a desordem. Dharma é a natureza interna que determina o caminho da evolução, que modela a vida exterior se expressando por meio dos pensamentos, palavras e ações.

    Karma, Samsara e Moksha

    A filosofia dos Upanishads ensina o homem a buscar o Absoluto dentro de seu próprio coração, e a compreender a identidade básica entre o Brahman e sua alma individual (atman).

    A ação ou karma depende do espírito e da palavra e confere a cada indivíduo seu destino, que, se não for realizado na existência presente, se realizará numa vida futura. A dissolução do corpo não acarreta a dissolução do espírito que, marcado pelas ações praticadas durante a vida que findou, experimentará existências futuras, em que viverá as consequências boas ou más dessas ações.

    Esse processo de vidas sucessivas (samsara) prosseguirá indefinidamente, até que a individualidade consiga a libertação (moksha) do domínio dos atos, tomando consciência de sua identidade original com o absoluto.

    Uma noção introduzida pelos Upanishads é a do despertar (bodhi) ou tomada de consciência da verdadeira natureza de si mesmo, que é o conhecimento por excelência. Ensinam-se técnicas de meditação e contemplação para se chegar a esse conhecimento, bem como a meditação sobre a sílaba sagrada om ou aum, símbolo do Absoluto, sendo impossível de defini-lo através do intelecto e da linguagem conceitual. 

     

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