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Vida e Obra de Antonio Canova

Antonio Canova, grande escultor do classicismo italiano, nasceu no dia 01 de novembro de 1757 na vila de Possagno, perto de Treviso no Veneto. Com apenas quatro anos perdeu seu pai, Pietro, sua mãe, Angela Zardo, casou novamente um ano depois e se mudou. Antonio foi deixado em Possagno,  aos cuidados do avô paterno, Pasino Canova, escultor local. 

Assim que a mão Antonio pode segurar um lápis, ele foi iniciado nos princípios do desenho pelo avô. Este possuía algum conhecimento tanto sobre desenho e quanto sobre arquitetura.

Os primeiros anos de Canova foram passados em estudo. O viés de sua mente foi a escultura e as oportunidades oferecidas para a qualificação desta predileção na oficina de seu avô foram aproveitadas. Em seu nono ano executou dois pequenos santuários de mármore Carrara, que ainda existem. 

O talento precoce do garoto chamou a atenção do senador Giovanni Falier, que organizou em 1768  sua entrada na oficina de Giuseppe Bernardi, chamado Torretti (1664-1743), um escultor de considerável eminência, que tinha tomado residência temporária no Pagnano. 

Antonio Canova seguiu Torretti em sua mudança para Veneza, onde começou a trabalhar por conta própria algum tempo depois. Recebeu encomendas de seu patrono, Falier: um grupo, "Orfeu e Eurídice". A primeira figura, que representa Euídice em chamas e fumaça, na saída do Hades, foi concluída no fim de seu décimo sexto ano. 

Alguns monges lhe forneceram sua primeira oficina, uma sala vazia de um mosteiro. Ali trabalhou com perseverança durante quase quatro anos. Uma grande parte do seu tempo também foi dedicada ou estudo da anatomia, e das expressões e atitudes dos artistas de diversões públicas.  Antonio Canova formou uma resolução, que foi fielmente cumprida por vários anos, nunca fechar os olhos à noite sem ter produzido algum projeto. O que quer que transmitisse avanço na escultura, estudou com ardor. Inclusive concedeu uma atenção considerável às atividades arqueológicas.

Três anos já tinha decorrido e para completar o grupo de seu patrono, começou a trabalhar em Orfeu, que evidenciou o grande avanço que tinha feito. O trabalho foi universalmente aplaudido, e construiu os alicerces de sua fama. Vários grupos surgiram após este desempenho, entre os quais estava "Dédalo e Ícaro", a obra mais célebre de seu noviciado. A simplicidade do estilo e a imitação fiel da natureza, que caracterizam seu trabalho,  ganharam admiração, e a reputação de seu méritos se espalhou a partir da costa do Adriático até as margens do rio Tibre.

A mudança de Canova para Roma, em 28 de dezembro de 1780, marca uma nova era em sua vida. Foi lá que se dedicou ao estudo das relíquias mais esplêndidas da antiguidade, e colocou seus maiores talentos em teste. A obra que primeiro estabeleceu sua fama em Roma foi "Teseu vencendo o Minotauro". O Teseu vitorioso é representado assentado sobre o corpo sem vida do monstro. O esgotamento que visivelmente permeia toda sua estrutura comprova a natureza terrível do conflito no qual ele se empenhou. A simplicidade e expressão natural que até então caracterizaram o estilo de Canova, se uniram a concepções mais exaltadas da grandeza e da verdade. Teseu recebeu admiração fervorosa. Numerosas obras foram produzidas e o talento de Antonio Canova ganhou grande destaque. 

A Revolução Francesa alargou seu choque sobre a Itália e Canova buscou obscuridade e repouso em sua vila natal. Lá ele se aposentou em 1798, e lá continuou por cerca de um ano, dedicando-se principalmente à pintura, arte da qual também tinha algum conhecimento. Executou mais de vinte pinturas neste tempo. 

Os eventos no mundo político tendo chegado a uma trégua temporária, Canova retornou a Roma, mas seu estado de saúde estava prejudicado. Tomou viagem através de uma parte da Alemanha, em companhia de seu amigo Príncipe Rezzonico e retornou a Roma muito melhor, iniciando novamente seus trabalhos com vigor e entusiasmo. 

O advento de Napoleão sobre a cena política europeia (coroado como imperador em 1804) significou um período fértil de produção artística para Canova. Em 1815, logo após a derrota de Waterloo, Canova foi para Paris, com seu meio-irmão Giovanni Battista Sartori: graças a uma diplomacia habilidosa pode trazer de volta para a Itália numerosas obras de arte.

Em julho de 1819, Canova estava em Possagno para lançar a pedra fundamental do Templo que ele projetou e doou para a comunidade: o majestoso edifício foi concluído apenas dez anos após sua morte, em 13 de outubro de 1822, em Veneza.

Canova dedicou sua vida à arte. Instruiu, incentivou e investiu em inúmeros novos artistas, não negando deixar seu trabalho para orientar quem dele precisasse. Buscou conhecimento e inspiração nos textos clássicos e imprimiu em seus mármores ideais abstratos de beleza, que evocam a idealização clássica e naturalista.

Algumas de suas renomadas obras (não em ordem cronológica): Cupido e Psiquê, Perseu com a Cabeça da Medusa, Orfeu e Eurídice, Dédalo e Ícaro, Teseu vencendo o Minotauro, Hercules e Lichas, Heitor e Ajax, Hebe, As Graças, Vênus, as esculturas da família Bonaparte e os vários cenotáfios.

Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Fevereiro 2011

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