Escrito pelo imperador romano Marco Aurélio (121-180) durante inúmeras campanhas de guerra, Meditações era como um diário, não um livro dedicado à publicação.
Intitulado por ele como A Mim Mesmo, é composto por doze livros. No primeiro Marco Aurélio se dedica a observar as virtudes que o inspiram, daqueles com quem convive ou conviveu. Os outros livros são compostos de frases e parágrafos, não sequenciais, mas como citações. Neles as filosofias estóica e neoplatônica de convergem para um fim: o aperfeiçoamento do ser humano.
Meditações, também conhecido por Pensamentos, foi escrito em grego, língua de estudo de Marco Aurélio. São máximas que o orientam a seguir uma vida de justiça, de forte valor moral, de virtude prática, que contribuíram para a formação deste homem, talvez o mais justo e honrado que exerceu o poder.
Em uma época tensa, onde a guerra e a peste invadiam Roma, ser imperador não era um posto de privilégios, mas de sacrifícios, em que era exigido manter a segurança, a liberdade e a honra de um povo. Esta tarefa deu a Marco Aurélio a oportunidade de ter os ensinamentos que recebeu sido colocados à prova. Um desafio à lógica e à razão, imposto pela prática, que brindou a humanidade com elevados pensamentos de altruísmo e rigor moral.
Algumas máximas de Meditações:
"Tu és dotado de razão? «Sou.» Então por que não usá-la? Se a razão fizer o seu papel, que mais podes pedir?"
"Olha por debaixo da camada superficial: nunca deixes que a qualidade intrínseca ou o valor de uma coisa te escapem."
"Um ar zangado é totalmente contra a natureza. Se é assumido muitas vezes, a beleza começa a morrer, e, no fim, apaga-se irremediavelmente. Deves tentar compreender que isto revela falta de racionalidade; porque se nós perdemos a capacidade de perceber os nossos erros, para quê continuar a viver?"
"Viver cada dia como se fosse o último, nunca perturbado, nunca apático, nunca com atitudes afetadas - aqui está a perfeição de caráter."
"Pratica, mesmo que não tenhas perspectivas de sucesso. A mão esquerda, incapaz para outras coisas por falta de prática, sabe segurar as rédeas com mais firmeza do que a direita, porque disso, tem ela prática."
"Se não é a coisa certa a fazer, nunca o faças; se não é verdade, nunca o digas. Tem mão nos teus impulsos."
"Antes que seja tarde demais, tenta fazer com que tenhas dentro de ti uma coisa mais elevada e mais divina do que meros instintos que despertam as emoções e te contorcem como uma marionete. Qual deles está agora a encobrir o meu entendimento? O medo, a inveja, a luxúria, ou outro qualquer?"
Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Março 2012
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