Portal EmDiv

:: Quarta-feira, 22 de Maio de 2013 ::
Tamanho das Letras
  • Aumentar Letras
  • Tamanho Padrão
  • Diminuir Letras

Compartilhar Isso!

AddThis Social Bookmark Button

Apologia de Sócrates - Platão

“Ó homens, é muito sábio entre vós aquele que, igualmente a Sócrates, tenha admitido que sua sabedoria não possui valor algum.” - Apologia de Sócrates – Platão

Em 399 a.C., Sócrates, o grande filósofo grego, foi chamado a apresentar-se perante o júri formado por quinhentos atenienses, acusado de introduzir novos cultos e corromper a juventude. Meleto foi o acusador oficial, apoiado por Ânito e Lícon.

Na apologia apresentada por Platão, Sócrates, não faz exatamente uma defesa, pois contra ele, nenhum argumento foi baseado em verdades, mas em interesses privados das classes dominantes.

Neste momento Sócrates possuía mais de setenta anos de idade e discursa abertamente no Pórtico, após pedir ao júri concessões para que pudesse usar uma linguagem simples, já que não estava familiarizado com tribunais de justiça e com a linguagem estilizada usada em ensaios formais.

Sócrates diz que jamais instruiu a troco de dinheiro como fazem os Sofistas, mas afirma que formou muitas inimizades.

Ele explica: seu amigo Querofonte certa vez foi ao templo de Delfos e lá perguntou quem dentre os homens era mais sábio que Sócrates. Pois que o oráculo respondeu: ninguém. Assim se espalhou a fama de sua grande sabedoria.

Mas ele mesmo ficou confuso, já que a única coisa que sabia era que nada sabia. Desde então, se pôs a procurar os que possuiam maior reputação de sábios, afim de assim resolver a confusão.

Nesta busca interrogou políticos, poetas e artesãos, e cada um deles se afirmava grande sabedor, não só de sua arte, mas até das que desconheciam. Ao se referir a sua teoria de que o verdadeiro saber consiste em saber que não se sabe, aqueles passaram a o odiar, surgindo a partir daí, inúmeras calúnias.

Nestas análises e questionamentos, muitos jovens, de livre e espontânea vontade, passaram a acompanhar Sócrates, e muitas vezes, quando eles mesmos se deparavam com pessoas que se diziam sábias e não eram, se punham a questioná-las. Os questionados então culpavam Sócrates, e enfurecidos espalharam mentiras a seu respeito.

Meleto acusa Sócrates de negligenciar os deuses aprovados pelo Estado, e de introduzir novas divindades. Sócrates, após deixar Meleto em cointradição, disse que cumpria uma missão filosófica destinada a ele por Deus.

Mesmo enfrentando a morte como uma alternativa, Sócrates insistiu que não daria qualquer compromisso de cessação de ensinamentos morais, que visam incentivar as pessoas a prestar grande atenção à melhoria da alma.

Sócrates foi condenado culpado por 60 dos 500 integrantes do júri e Meleto propôs que a sentença deveria ser a morte.

Aos que o condenaram, Sócrates disse que escapar da morte não é difícil, mesmo em uma guerra, onde é possível abandorar as armas e pedir por piedade. Mas ele não faria isso. Muito mais difícil do que fugir da morte, é fugir da maldade.

“Neste momento, fomos apanhados, eu, que sou um velho vagaroso, pela mais lenta das duas, e os meus acusadores, ágeis e velozes,  pela mais ligeira, a malvadez.”

Aos que absolveram, Sócrates argumentou sobre a morte: ou não se sente nada e tudo é como um sono sem sonho, ou se trata de uma mudança, uma emigração da alma para outro lugar.  Em ambas as opções, para quem viveu uma vida de dedicação e justiça, não há o que temer.

"Bem, é chegada a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem segue melhor destino, se eu , se vós, é segredo para todos, exceto para a divindade."

A Apologia de Sócrates é uma grandiosa obra escrita em poucas páginas. Um clássico para inspiração e aprendizado. 

Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition - Abril 2012

Para assinar a edição Amazon Kindle acesse a Kindle Store:

http://www.amazon.com/EmDiv-Portuguese-Edition/dp/B0051W0G7E

 

Pesquisa

Publicidade

RSS