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    A Era Pré-Cambriana

    Já se definiu a era pré-cambriana como aquela anterior ao surgimento da vida na Terra, ocorrido no período cambriano. Atualmente, porém, se sabe que a vida no planeta surgiu no início do arqueano e que, ao longo da era pré-cambriana, os organismos fossilizados se tornaram cada vez mais abundantes.

    Era pré-cambriana é o intervalo de tempo geológico que se iniciou há cerca de quatro bilhões de anos, idade das rochas mais antigas que se conhecem, e se encerrou há 570 milhões de anos, quando teve início o período cambriano da era paleozóica. É o intervalo mais antigo e mais longo da história geológica do planeta e representa oitenta por cento de todo o tempo geológico.

    Devido às violentas transformações que a Terra sofreu durante o pré-cambriano, bem como à lentidão dos processos geológicos e biológicos que então se registraram, são poucos os restos fósseis que se conhecem e escassa a informação sobre as condições vigentes nessa era, que se divide em duas fases. O arqueano é a fase mais antiga, e o proterozóico começou há 2,5 bilhões de anos.

    A definição precisa da história geológica da era pré-cambriana constitui um dos maiores problemas da geologia moderna em face da complexidade estrutural, grau de metamorfismo, falta de fósseis-guia, descontinuidade de afloramentos etc. Nas últimas décadas do século XX, graças ao maior desenvolvimento dos métodos geocronológicos e geotectônicos, o estudo da era pré-cambriana avançou de forma considerável, embora ainda não houvesse consenso sobre a subdivisão cronoestratigráfica dessa era geológica.

    A inexistência de critérios objetivos para a correlação de seções pré-cambrianas distantes umas das outras deu origem à convicção generalizada de que não seria possível estabelecer uma escala única de subdivisão estratigráfica dessa era para todas as regiões do mundo. Um reflexo desse ponto de vista foi a divisão da história da Terra em dois grandes eons: criptozóico, correspondente à era pré-cambriana, e fanerozóico, que compreende as eras paleozóica, mesozóica e cenozóica.

    As rochas pré-cambrianas aparecem tipicamente em vastas áreas de várias centenas ou até milhares de quilômetros de extensão. Alguns exemplos são os escudos canadense, báltico, indiano, australiano ocidental, ucraniano e brasileiro. Devido à falta de fósseis que permitam assegurar a idade de rochas da era pré-cambriana, a datação é feita pela análise isotópica de pares de elementos radioativos.

    No início do pré-cambriano, a produção de calor pelo decaimento dos isótopos radioativos era várias vezes maior que atualmente. Como hoje, porém, parte do calor produzido deve ter sido liberado do manto (camada da Terra situada abaixo da crosta) através das cristas oceânicas, ao mesmo tempo em que o assoalho dos oceanos se alargava rapidamente, com a conseqüente subducção de alguma forma primitiva de placa litosférica. Subducção é o processo pelo qual uma placa litosférica mergulha sob outra nas regiões em que as duas convergem.

    Como resultado desses processos formaram-se três grupos distintos de rochas arqueanas: (1) arcos insulares, como os da Austrália ocidental, Zimbábue, Índia e sul do Canadá, onde as rochas contêm muitas jazidas minerais de valor econômico (ouro, cromo, níquel, cobre e zinco); (2) algumas raras faixas de assoalho oceânico (seqüências ofiolíticas) que foram comprimidas sobre rochas em arco, como nas montanhas Barberton da África do Sul e o distrito de Yellowknife do noroeste do Canadá; e (3) muitos tonalitos e granitos.

    A transição entre o arqueano e o proterozóico representou uma mudança significativa na história geológica da Terra. No arqueano, a crosta terrestre estava em processo de crescimento e não havia grandes continentes estáveis, enquanto a partir do proterozóico, quando emergiram os continentes, cinturões orogênicos puderam se formar à margem e entre os blocos continentais, da mesma forma que nos tempos fanerozóicos. Esses eventos foram fundamentais na evolução dos continentes e tais processos tiveram continuidade ao longo da história da Terra.

    No fim do proterozóico, alguns cinturões orogênicos continuaram a se desenvolver, como no caso dos cinturões pan-africanos da Arábia Saudita e da África oriental. O intenso crescimento da crosta e os muitos cinturões orogênicos que se formaram ao longo do proterozóico, no entanto, resultaram no surgimento de grandes blocos continentais, que se amalgamaram para formar um novo supercontinente no fim da era pré-cambriana.

    Durante o longo intervalo de tempo da era pré-cambriana as condições climáticas da Terra devem ter se modificado consideravelmente. Registros sedimentares sugerem grandes alterações na composição da atmosfera e dos oceanos. Os mais importantes entre esses sedimentos são os tilitos (sedimentos glaciais), especialmente aqueles depositados na América do Norte e na África do Sul, indicadores de numerosas e longas glaciações durante a era pré-cambriana. A última das longas glaciações ocorreu há 2,3 bilhões de anos, e a mais longa da história da Terra data do fim do proterozóico, entre um bilhão e 600 milhões de anos atrás.

    O surgimento da vida na Terra data do início do arqueano. Registram-se ocorrências de estromatólitos (sedimentos depositados por algas) de alguns centímetros e de esferóides carbonáceos milimétricos e microscópicos em sedimentos bem preservados, de até 3,5 bilhões de anos de idade. Os organismos arqueanos eram procariotes capazes de sobreviver aos altos níveis de radiação solar na atmosfera sem oxigênio do período, que não dispunha de camada de ozônio. A eles se sucederam, no proterozóico, os eucariotes que, para seu crescimento, usavam oxigênio existente cada vez em maior quantidade na atmosfera. Formas de vida invertebrada começaram a aparecer no fim do pré-cambriano e foram os precursores dos metazoários (organismos multicelulares com células diferenciadas em tecidos e órgãos) que proliferaram ao longo do fanerozóico e posteriormente deram lugar aos primatas.

     

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