Portal EmDiv

:: Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014 ::
    Tamanho das Letras
    • Aumentar Letras
    • Tamanho Padrão
    • Diminuir Letras

    Compartilhar Isso!

    AddThis Social Bookmark Button

    Artes Gráficas e Impressão

    Se a invenção da escrita marcou o fim da pré-história - já que os textos escritos são as fontes históricas por excelência -, o longo processo de aperfeiçoamento da impressão e das artes gráficas levou à transformação das sociedades tradicionais em sociedades modernas. Para estas últimas, o material impresso tornou-se indispensável: as incontáveis utilizações das artes gráficas vão desde livros e jornais a letreiros rodoviários, papel-moeda, tecidos estampados e até circuitos eletrônicos.

    Antecedentes

    Para o desenvolvimento das artes gráficas foram necessários, do ponto de vista técnico, três elementos básicos. Para imprimir um texto ou uma figura precisava-se, antes de mais nada, de papel, material que, por seu baixo custo e pela polidez de sua superfície, é o que mais se presta a essa finalidade; o segundo elemento era a existência de tintas e cores apropriadas; e o terceiro, algum tipo de superfície que contivesse a imagem ou texto que se desejasse imprimir, talhada em pedra ou madeira, fundida em metal ou realizada de acordo com outros procedimentos.

    Dois mil anos antes de Cristo a China já possuía todos esses elementos. Naquela época utilizavam-se pilastras de mármore sobre as quais esculpiam-se textos budistas em relevo. Depois de entintados, os peregrinos aplicavam sobre eles folhas de papel e assim reproduziam para si os textos sagrados.

    No século XI da era cristã o alquimista chinês Pi Sheng utilizou pela primeira vez tipos móveis, cubos de madeiras em cujas faces esculpia os caracteres. Entretanto, devido ao grande número de ideogramas do alfabeto chinês, o invento não se propagou nem desenvolveu.

    Invenção da imprensa. O papel chegou à Europa no século XII, através do mundo árabe, como artigo de luxo. Somente no século XIII os italianos e franceses tiveram condições de fabricá-lo. É provável que o acesso ao papel tenha permitido o renascimento ocidental da xilografia, já conhecida na China, e que consiste em imprimir sobre papel relevos entalhados em madeira.

    Os primeiros livros impressos por meio da xilografia apareceram no século XV. Pouco depois desenvolveu-se uma versão em metal da tábua xilográfica, pela técnica denominada metalografia. Faltava então apenas um passo para a invenção - atribuída por vezes ao holandês Laurens Coster, já por volta de 1430 - dos tipos móveis e reutilizáveis, particularmente adequados aos alfabetos grego e romano, graças a seu número reduzido de sinais.

    No entanto, coube ao alemão Johannes Gutenberg, em meados do século XV, ser o precursor das modernas técnicas das artes gráficas. A prensa de Gutenberg utilizava tipos móveis metálicos, nos quais eram gravadas as letras, os sinais de pontuação e os números e que, ao contrário dos tipos de madeira, podiam ser utilizados inúmeras vezes. Os tipos eram colocados uns em seguida aos outros, à mão, para formar as palavras e as frases, e dessa forma agrupados em linhas, para formar a página, fixada sobre uma bandeja de madeira. As palavras eram separadas por tipos sem relevo algum, e que portanto não imprimiam nada, para corresponder aos espaços em branco entre as palavras. Entintava-se em seguida a superfície da bandeja correspondente à face dos tipos nos quais estavam entalhadas as letras e sinais, e pressionava-se sobre uma folha de papel. A pressão era feita por meio de uma prensa, cujo modelo, ao que parece, foi inspirado na prensa de vinhateiro, utilizada para espremer uvas. O método de Gutenberg, além de revelar-se muito mais flexível do que a xilografia, produzia impressos de melhor qualidade e permitia imprimir ambos os lados de uma folha.

    As longo do século XVI foram sendo adotados vários aperfeiçoamentos mecânicos que permitiram regular a pressão sobre o papel e eliminar as manchas de tinta que costumavam aparecer nos impressos. Em fins do século XVIII construiu-se no Reino Unido a primeira prensa de metal. Nessa mesma época apareceram na França dois novos métodos de impressão: a estereotipia e a estereografia, que por diversos meios permitiam obter uma lâmina de chumbo com o texto em relevo. Podiam-se fabricar inúmeros exemplares dessas lâminas, para utilizá-las simultaneamente em várias prensas, e assim multiplicar a velocidade da impressão. Essas sucessivas inovações técnicas permitiram satisfazer a crescente demanda de material impresso.

    Mecanização das artes gráficas - Daí para frente tudo conduziu à crescente mecanização da imprensa, desde a composição dos textos à alimentação do papel nas máquinas e a encadernação dos livros. Um dos avanços fundamentais nesse sentido foi a substituição da bandeja e da prensa por um cilindro que pressiona o papel sobre o molde. A forma cilíndrica permite, muito mais do que a plana, regular a pressão do papel sobre o molde, o que aumenta a qualidade da impressão. Em 1814 o jornal inglês The Times já era impresso com essa técnica.

    O aparecimento da linotipia, inventada em 1880 nos Estados Unidos pelo alemão Ottmar Mergenthaler, significou um novo e fundamental avanço na história das artes gráficas. Essa técnica utilizava uma máquina complexa, o linotipo, que tornou desnecessária a composição manual das linhas. Bastava que o linotipista fosse digitando o texto em um teclado, e as matrizes com os caracteres - letras, números e sinais - deslizavam para uma bandeja e iam compondo as linhas. Composta a linha, a máquina despejava sobre ela chumbo derretido, resultando daí o bloco de composição, que era imediata e instantaneamente arrefecido por água corrente, e limpo de rebarbas por plainas, antes de entrar na bandeja, denominada galé. Enquanto isso, o linotipo devolvia as matrizes a seu recipiente, para reutilizá-las quantas vezes fossem necessárias. Assim, o linotipista só tinha de pressionar o teclado, enquanto a máquina compunha, fundia e organizava as linhas. A linotipia, que constituiu o principal meio de composição tipográfica até meados do século XX, reduziu de maneira espetacular o tempo de composição dos textos. Outra invenção de grande importância foi a monotipia, criada por Tolbert Lanston nos Estados Unidos em 1885, na qual a fundição dos tipos se realizava de forma individual.

    A rapidez da impressão aumentou também com o advento das máquinas rotativas e do desenvolvimento de sistemas automáticos de alimentação do papel. Nas rotativas, o papel, enrolado em uma bobina, alimenta a máquina impressora de forma contínua.

    Artes gráficas na atualidade

    As artes gráficas compreendem hoje em dia três grandes processos: a composição de textos, que é feita geralmente por fotocomposição, por meio de recursos fotográficos informatizados; a fotomecânica, processo pelo qual se elaboram filmes de impressão para textos e ilustrações, em preto e branco e em cores; e a impressão propriamente dita.

    Fotocomposição - No final do século XIX, surgiu o offset, técnica de impressão que tornou dispensáveis os caracteres metálicos e possibilitou o aparecimento de novos sistemas de composição por meio de máquinas de escrever aperfeiçoadas, que escrevem sobre papel os textos a serem processados fotograficamente. Na década de 1950 apareceram no mercado as primeiras máquinas de composição que utilizavam meios fotográficos em lugar dos mecânicos para compor os textos, o que ampliou de maneira significativa as possibilidades de corrigi-los e emendá-los.

    Um novo avanço nesse campo foi a incorporação dos espetaculares avanços da informática nas máquinas de fotocomposição, especialmente na elaboração de programas de edição de texto cada vez mais aperfeiçoados e fáceis de usar.

    Fotomecânica - Assim como a impressão de textos, a reprodução de ilustrações por meios mecânicos atraiu desde a antiguidade a curiosidade e os esforços de muitos. A xilografia foi a primeira técnica utilizada nesse campo. Os blocos de madeira com as ilustrações entalhadas eram colocados nas mesmas superfícies com os textos, e ambos se imprimiam de uma só vez. Em meados do século XV, as pranchas de madeira foram substituídas por outras de metal, com as figuras entalhadas a buril. Essas pranchas eram entintadas e depois aplainadas, para que a tinta ficasse só nas partes baixas. Os entalhes -- que eram de cobre, latão e, já no século XIX, de aço -- não podiam ser impressos simultaneamente com os textos, de modo que era necessário passar a mesma folha duas vezes pela máquina.

    Em 1796 o tcheco Aloys Senefelder descobriu que se desenhasse com tinta gordurosa sobre certas pedras porosas e depois as umedecesse com água e voltasse a cobri-las com tinta comum, a tinta só ficava nas partes gordurosas, isto é, sobre o desenho que se desejasse imprimir. O desenho seria reproduzido sobre o papel pressionado contra a pedra. Senefelder descobriu também que a partir dessa cópia podia-se imprimir outra pedra, e que metais como o zinco possuíam propriedades idênticas. Assim apareceu a litografia, baseada na propriedade repelente da água em relação à gordura. A primeira prensa litográfica a utilizar essa técnica foi criada em 1850.

    Trinta anos antes, em 1820, o francês Joseph Nicéphore Niepce descobriu que certas substâncias químicas reagiam ao serem expostas à luz, o que abriu caminho para a invenção da fotografia e da fotogravura. Niepce passou a luz do sol através de uma água-forte, para que imprimisse uma lâmina de cobre coberta de asfalto fotossensível. Obteve assim imagens que, tratadas por meios químicos, podiam ser posteriormente impressas.

    Entre os diferentes sistemas de fotogravura posteriormente desenvolvidos nas artes gráficas destacam-se os utilizados para a impressão em rotogravura e em offset. Os sucessivos avanços nessa área alcançaram um novo marco com a reprodução de ilustrações e fotografias em cores, possibilitada pela descoberta de que apenas três cores básicas combinadas -- amarelo, magenta (ou vermelho-vivo, carmesim) e ciano (ou azul-esverdeado) -- são suficientes para produzir todas as demais. A combinação dessas cores básicas em três impressões sucessivas do papel permitiu reproduzir qualquer tonalidade desejada. Esse processo de arte gráfica é denominado tricromia. Se além disso for usado o preto, o processo recebe o nome de quadricromia.

    Impressão - Na constante evolução que levou da primeira prensa de Gutenberg até a incorporação da rotativa, duas novas técnicas de impressão foram desenvolvidas em meados do século XIX e princípios do século XX: a rotogravura e o offset, processos cuja utilização generalizou-se nas décadas seguintes. Além da qualidade de impressão, esses dois sistemas permitem uma grande flexibilidade na montagem de textos e imagens que se queira reproduzir.

    A rotogravura, desenvolvida pelo tcheco Karl Klietsch em 1878, tem seu fundamento na aplicação industrial da técnica de talho doce, que consiste em gravar a imagem impressa sobre um rolo que entra em contato direto com o papel.

    O offset, cuja utilização industrial começou nos Estados Unidos na década de 1900, funciona através de transmissão direta da imagem, impressa primeiro em um rolo de borracha, que a transporta depois ao papel. Inicialmente relegado a trabalhos de menor qualidade, foi sendo continuamente aperfeiçoado e acabou por se transformar no mais difundido sistema de impressão, tanto para a realização de grandes tiragens como para a execução de trabalhos de qualidade. Além de sua grande flexibilidade na montagem e preparação fotomecânica das placas de impressão, a utilização do rolo de borracha como meio impressor permite a utilização de papéis de diversas qualidades. As modernas rotativas de offset possibilitam a impressão de dezenas de milhares de exemplares por hora.

    Processos de acabamento - A mecanização da produção de livros, revistas, jornais e folhetos inclui operações de colagem, grampeamento, corte e eventualmente, encadernação. As folhas já há muito tempo não são impressas individualmente: sobre grandes folhas ou imensos rolos de papel são impressas várias páginas, logo grampeadas e cortadas - por máquinas chamadas guilhotinas - para formar os cadernos.

    Os livros e revistas exigem também processo de grampeamento, costura ou colagem dos cadernos, bem como encadernação. Existem máquinas específicas para cada um desses processos: uma costura e junta os cadernos uns aos outros, outras grampeiam na dobra central de cada caderno. Um processo cada vez mais utilizado é o de colagem, que consiste em cortar a lombada interior dos cadernos, lixá-la para que fique áspera e aplicar depois uma cola para unir as páginas.

    A encadernação de livros de capa dura é um processo diferente. As capas são confeccionadas com papel grosso, forrado com papel, tecido ou couro, sobre os quais se imprimem os textos e ilustrações que se queira. O livro e as capas passam depois por máquinas que formam lombadas curvas. Finalmente, aplica-se uma folha de papel de boa qualidade para formar as guardas, que unem o livro à capa.

    Tipos gráficos

    O desenho dos caracteres de impressão, seus diferentes tamanhos, sua legibilidade e qualidades estéticas sempre foram a preocupação predominante nas artes gráficas, tanto no Ocidente quanto no Oriente. São, entretanto, os alfabetos latinos e gregos que, pela economia e pequeno número de letras e símbolos, possibilitam ilimitadas variações de forma. Assim, enquanto os tipógrafos japoneses, por exemplo, só possuem poucas variedades, a tipografia ocidental desde o século XV já elaborou milhares de caracteres.

    Os caracteres tipográficos devem satisfazer duas qualidades básicas: ter um desenho esteticamente agradável ao leitor e ser de fácil legibilidade.

    De acordo com seu desenho, os tipos gráficos usados na imprensa ocidental apresentam-se em três formas principais: (1) redondo; (2) grifo ou itálico; e (3) negrito. Essas formas também se combinam entre si (por exemplo, redondo negrito, grifo negrito) e às vezes são estreitas, largas etc. As chamadas "famílias" constituem conjuntos de tipos gráficos de todos os corpos (tamanhos) e formas, desenhados a partir de um projeto básico e chamados pelo mesmo nome (exemplos, entre centenas: Baskerville, Bodoni, Garamond, Helvetica, Univers). Há ainda famílias com serifa (filete que remata as hastes das letras), sem serifa e de fantasia.

    À medida que foram evoluindo, os tipos tornaram-se cada vez mais simples, o que torna mais fácil a leitura. Muitos artistas plásticos de renome contribuíram para o desenho de tipos.

    O tamanho e a característica dos tipos são também de grande importância no desenho gráfico. Na seleção dos tipos, além dos critérios gerais de estética e legibilidade, deve-se levar em conta a natureza da obra, o leitor a que se destina e os fatores econômicos, já que a escolha dos tipos de maior ou menor tamanho, e as conseqüentes decisões sobre a separação entre as linhas, incide de maneira direta na extensão da obra e, portanto, em seus custos.

    O tamanho dos tipos denomina-se corpo, e desempenha também papel significativo nas artes gráficas, em que se utiliza um corpo maior ou menor de acordo com a importância que se queira dar a determinado texto ou título. Os tipos maiores, chamados de "garrafais", são reservados para destacar notícias importantes.

     

    Pesquisa

    Publicidade

    RSS